Na próxima terça (2-5), o diretor Iberê Carvalho (O Último Cine Drive-in) lança em sessão de pré-estreia no Cine Brasília o seu segundo longa-metragem, O Homem Cordial, com as presenças de Paulo Miklos, Thaíde, Roberta Estrela D’Alva, e equipe. O filme teve sua première em Gramado 2019, onde venceu três prêmios: melhor ator (Paulo Miklos), montagem e trilha musical. Em 2020, venceu no Barciff de Barcelona outros dois troféus: melhor filme e melhor ator para Miklos.
A história de O Homem Cordial se passa quase em sua totalidade numa única noite. As reviravoltas surpreendentes servem muitas vezes a denúncias e comentários críticos sobre questões sociais importantes. Questões de raça estão no centro das preocupações de Carvalho, expondo a situação de privilégio do protagonista branco, em oposição ao que ocorre com os personagens negros, especialmente um menino desaparecido.
A estréia da semana na sala brasiliense, na quinta (27), é a adaptação do romance de Honoré de Balzac Eugénie Grandet. A exibição marca o início de uma parceria entre o Cine Brasília, a Cinemateca da Embaixada da França e o Institut Français neste ano. Escrito e dirigido por Marc Dugain, trata-se de uma adaptação livre. Dugain é também romancista e se esforçou para modernizar o romance de Balzac, usando os elementos que encontram eco em nosso mundo de hoje. Centra-se, assim, na relação entre Eugénie e o pai e transforma o trágico destino de Eugénie Grandet na história de emancipação de uma mulher. Ele soube manter a força dos personagens, em particular a de Félix Grandet, ajudado, é verdade, pelo poder interpretativo do ator Olivier Gourmet. A excelente fotografia, assinada por Gilles Porte, é inspirada na pintura flamenga.
Segunda estréia em nosso cinema, O Pastor e o Guerrilheiro, de José Eduardo Belmonte, tem sua trama em grande parte passada em Brasília. O filme é um drama histórico inspirado em fatos reais que mostra as grandes mudanças ocorridas entre os anos sessenta e a virada do milênio. Do sonho comunista em meio à ditadura, surge a história de um pastor (César Mello) e de um guerrilheiro (Johnny Massaro), indivíduos de visões de mundo opostos, mas complementares. Os personagens são observados sob a perspectiva contemporânea de um mundo já sem utopia na virada do milênio. O filme revela um Brasil que sofre radicais transformações entre as décadas de 1960 e o ano 2000.
Continuam em cartaz A Terra Negra dos Kawa, dirigido por Sérgio Andrade, uma curiosa ficção científica que segue um grupo de cientistas que faz escavações em terrenos no interior do Amazonas em busca de uma terra preta fértil, usada para fins agrícolas. Conforme se aproximam do sítio dos indígenas Kawa, notam que a terra adquire poderes energéticos e sensoriais. As filmagens aconteceram em locações da cidade de Manaus e nos arredores do município de Iranduba AM, a 39 km da capital, onde foi alugado um sítio que se tornou o “O Sítio dos Kawa”.
Também prossegue na tela Para’í, de Vinicius Touro, uma ficção infanto-juvenil, rodada na terra indígena Jaraguá, na zona norte de São Paulo. O filme conta a história de Pará, uma criança Guarani que começa a entender a sua identidade a partir da descoberta de um milho colorido e muito tradicional.
O Colibri, filme dirigido por uma das mais destacadas diretoras italianas contemporâneas, Francesca Archibugi, permanece em nossa grade. É protagonizado por um homem, desde a infância apelidado de Colibri, cuja vida é marcada por coincidências, encontros, desencontros e amores fortes. Pierfrancesco Favino interpreta o protagonista no longa, que ainda conta no elenco com o grande Nanni Moretti, Bérénice Bejo, Laura Morante, entre outros. Para criar essa história que começa em 1970, e vai até um futuro próximo, Archibugi, que também assina o roteiro com Laura Paolucci e Francesco Piccolo, partiu do romance homônimo de Sandro Veronesi.
Também segue em cartaz Rio Doce de Fellipe Fernandes, diretor do premiado curta O delírio é a Redenção dos Aflitos. Rio Doce foi o grande vencedor do Olhar de Cinema: Festival Internacional de Curitiba, conquistando o prêmio de melhor longa brasileiro da Mostra Competitiva Outros Olhares e Novos Olhares.
Seguindo com a nossa política de ter sempre um curta-metragem acompanhando um longa, apresentamos nesta semana Destino: Av. Brasil, dirigido por Jéferson Ge.
Serviço
CINE BRASÍLIA
Endereço: SHCS EQS 106/107, s/nº - Asa Sul
Capacidade: 606 lugares
Brasília
