04/06/2026

Série "O Caso Escola Base" resgata o escândalo midiático que abalou o país em 1994

 Em março de 1994, um escândalo dominava o noticiário das emissoras de TV, rádios, jornais e revistas do Brasil, a partir da denúncia de que crianças, alunas da Escola Base, em São Paulo, teriam sido vítimas de abuso sexual realizado com a participação dos proprietários e professores da instituição. Os acusados foram instantaneamente condenados pela mídia e a opinião pública, convencidas de sua culpa pelo delegado do caso, Edélcio Lemos, que garantia ter provas, quando apenas dispunha de convicções. Apenas muito mais tarde a justiça pôde esclarecer os fatos e declarar sua inocência.  
 
Quase 30 anos depois dos dramáticos acontecimentos, o diretor Paulo Henrique Fontenelle retoma o caso a partir de diversos ângulos na série documental O Caso Escola Base, mergulhando em materiais de arquivo, ouvindo os envolvidos ainda vivos e também diversos jornalistas que participaram da cobertura à época. A partir desses elementos, a série examina em profundidade um caso que se tornou paradigma para as escolas de jornalismo na discussão dos limites e da ética da profissão.
 
Os dois primeiros episódios serão exibidos nesta sexta (2/6), a partir das 22h30, no Canal Brasil, ficando disponíveis também na Globoplay+ a partir da estreia. Os dois últimos serão exibidos no dia 9/6, também às 22h30. Há reprises no Canal Brasil aos sábados às 14h30 e aos domingos, às 11h.
 
A direção é de Paulo Henrique Fontenelle, que passou anos fazendo pesquisas nas TVs, encontrando pessoas e reunindo documentos para a série. Anteriormente, o diretor assinou os documentários Loki - Arnaldo Baptista (2008), Dossiê Jango (2012), vencedor do prêmio de melhor documentário pelo júri popular no Festival do Rio, e Cássia Eller (2014), eleito pelo público o melhor documentário da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
 
Primeiros episódios.
Os dois primeiros episódios resgatam a memória do caso a partir de materiais de arquivo da cobertura da imprensa, que foi intensa especialmente a partir do momento em que o repórter Valmir Salaro, da TV Globo, entrou no tema. O próprio jornalista é ouvido, além de outros que participaram da cobertura, caso de Florestan Fernandes, à época na TV Cultura, e o primeiro jornalista que obteve acesso aos três principais acusados - o casal Icushiro e Maria Aparecida Shimada e Paula Milhin Alvarenga, respectivamente, os donos da escola e uma professora e sócia do estabelecimento. Em torno destes três, e também do marido de Paula à época, Maurício Alvarenga, perueiro da escola, giraram as principais acusações, o assédio da polícia e a pressão popular, que os levou a terem que se esconder para escapar de linchamento. Um outro casal, este de pais de alunos da escola, Saulo e Mara, acusados de emprestar seu apartamento para fotos eróticas das crianças, também acabou sendo envolvido e até preso provisoriamente.
 
No segundo episódio, são ouvidos o filho do casal Shimada - que já morreu - e também as filhas de Paula e Maurício, cujas vidas foram drasticamente afetadas pelas falsas acusações, tanto econômica quanto moralmente. 
 
Serviço:
 
O CASO ESCOLA BASE (2023) (4 X 45’)
INÉDITO
Estreia: Sexta, 02/06, às 22h30 
Horário: Sextas, às 22h30 (dois episódios em sequência)
Reprises: Sábados, às 14h30, e domingos, às 11h
Direção: Paulo Henrique Fontenelle

Notícias relacionadas