Além de Dona Flor, o cineasta tem mais um filme incluído nesse primeiro pacote. Da filmografia do diretor, aliás, Romance da Empregada é o filme de que mais gosta. "Sempre sonhei em revê-lo com qualidade em DVD", confessa. A atriz Betty Faria -protagonista desse longa e de Bye Bye Brasil, além de uma pequena participação em Dona Flor- também não esconde a alegria de ver seus filmes lançados no formato digital. Ela se lembra com grande carinho de Romance da Empregada, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Havana. "Aconteceu muita coisa para esse filme. Houve uma preparação muito grande. O Bruno me mandava fazer três tipos de permanente e parar de malhar", diverte lembrando.
Entre os extras dos DVDs estão curiosidades e materiais de arquivo, além daquilo que já é comum nesse tipo de produto, como seleção de cenas, filmografias e trailer. Em Dona Flor, por exemplo, há a receita da famosa moqueca de siri mole. Apesar da escassez de extras, Viana não descarta a possibilidade de lançar edições especiais, com comentários de diretor, elenco e técnicos - como é bem comum nos DVDs de filmes americanos. Dona Flor é baseado no famoso romance do escritor baiano Jorge Amado e conta a história de uma viúva, que não consegue esquecer o seu falecido marido, e que mesmo após um novo casamento não consegue se livrar do fantasma do seu grande amor. No elenco estão Sonia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça. A fotografia, que destaca as belezas e a sensualidade nordestina, é de Murilo Salles, que além de fotografar filmes como Lição de Amor e Eu Te Amo, dirigiu recentemente Seja o que Deus quiser.Betty Faria marca presença em Romance da Empregada e Bye Bye Brasil, esse de Cacá Diegues. O primeiro filme conta a história de uma doméstica que, entre as dificuldades de seu trabalho e da vida familiar, encontra a possibilidade de realizar o seu sonho de ter uma casa própria, graças à amizade com Seu Zé, um homem que carrega uma placa de propaganda pelas ruas da cidade.O cineasta Cacá Diegues acredita que o Brasil é um dos poucos países do mundo com potencial para criar uma indústria cinematográfica baseada no seu mercado interno, como acontecem nos Estados Unidos e Índia. "Se não tivesse esperança do cinema brasileiro se impor dessa forma, eu não trabalharia mais com isso. Estamos vivendo um momento especial. Jovens diretores fazem trabalhos com muito sucesso", acentua. Além disso, ele diz se sentir aliviado em ver seu filme saindo em DVD. "Tinha medo de que meus netos nunca pudessem ver os meus filmes mais antigos", brinca.Mas a parceria entre a Paramount e a família Barreto - uma das mais poderosas do cinema nacional - não pára por ai. Para o próximo ano, as duas empresas estão trabalhando a produção de dois longas. Um deles é sobre guerrilha urbana nos anos 70, e outro é uma comédia nordestina que será dirigida por Moacyr Góes. Os novos rótulos do filme foram criados especialmente para essa coleção. De original apenas o de Dona Flor, que mostra a protagonista e seus dois maridos deitados numa cama. Para os outros dois títulos, foram trabalhadas fotos dos longas -ambas com Betty Faria- porque o pôster original não tinha fotos, só desenhos, e segundo Vianna, esse tipo de embalagem não costuma atrair o consumidor.Mas não serão apenas as novas embalagens que poderão atrair compradores. O filmes têm o mesmo preço médio de qualquer outro lançamento em DVD. Os três primeiros títulos estão previstos para chegar no mercado nessa terça (19) com preços sugeridos pelo distribuidor entre R$36 e R$39 cada DVD.Inédito em DVD "Dona Flor" chega esta semana ao mercado
- Por Alysson Oliveira
- Publicado em 18/10/2004 às 15:08
- Tempo de leitura 1 minuto
Chegam nesta semana ao mercado no formato DVD alguns dos filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos. Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil e Romance da Empregada são os três primeiros títulos lançados graças à parceria entre a Paramount e a LC Barreto Produções. Já estão programados para o próximo ano outros longas como O Quatrilho (indicado para o Oscar em 1996), Menino do Rio, O Boto, Lição de Amor, Isto é Pelé, e Garrincha.Segundo Fábio Viana, diretor geral da Paramount, para 2005 a empresa espera estar com cerca de 40 títulos brasileiros no mercado. Além dos amantes do cinema nacional, a empreitada visa conquistar o público mais jovem, que raramente teve acesso a esses filmes - ao menos com qualidade e sem os cortes da TV. "Estamos fazendo um total de 25 mil peças desses três produtos", explica Viana.O produtor Luis Carlos Barreto - proprietário da LC Barreto - acredita que esse foi um passo importante não só para a sua empresa, como também para o cinema brasileiro. Pela primeira vez, títulos importantes, como Dona Flor -recordista de público do cinema nacional de todos os tempos, com mais de 10 milhões de espectadores - será visto com qualidade técnica, coisa que não havia quando o longa era exibido na TV. Para isso, foi feito um trabalho de restauração dos filmes afetados por má qualidade.
