
Para'í, de Vinicius Toro, faz parte da seleção do evento (Crédito: Divulgação)
Com o tema os Cuidados Singulares, a mostra Ciranda de Filmes, mostra de cinema do Brasil focada na infância, na juventude e na educação, começa sua edição de 2023 na próxima sexta (06), no Espaço Itaú de Cinema Augusta, em São Paulo.
Marcando o retorno presencial após o período de pandemia, a curadoria escolheu uma temática que potencializa as relações, no individual, no coletivo e também na relação com o planeta: os Cuidados Singulares. Cuidar no seu sentido mais amplo é entendido por muitos povos como uma das mais importantes responsabilidades divididas pela comunidade e implicadas com o bem-viver e a potencialização da vida.
Olhando para a infância, a juventude e a educação, na perspectiva da producão audiovisual de todos os formatos, gêneros e épocas o evento busca transformar o cinema em uma atividade de estímulo a experiências que possam fortalecer o diáogo entre arte, cultura e educação. A mostra foi criada em 2014 pelas curadoras Fernanda Heinz Figueiredo e Patrícia Durães.
Seleção
Como forma de contribuir para a valorização da produção nacional e trabalhar a formação de público, os filmes selecionados este ano são produções brasileiras e têm como eixo a política e a ética do cuidado. Dentre eles, destacam-se os inéditos no cinema: A invenção do outro, de Bruno Jorge; Bia, de Taciano Valériio, além de Cordelina, de Jaime Guimarães, que aborda o encantamento e do permanente estado de renascer na vida.
A seleção de filmes marca o retorno às raízes que constituem a brasilidade, trazendo algumas das inúmeras produções sobre os saberes, cuidados e lutas das diversas tradicionais indígenas. Algumas delas na perspectiva das crianças, como no longa Para’í, de Vinicius Toro, e outros olhares, como na série de curtas Flecha Selvagem, codirigida por Ailton Krenak, uma das principais vozes do pensamento originário na atualidade.
Ainda no foco indígena, o internacionalmente premiado Uyra – A retomada da Floresta, de Juliana Curi, é um dos filmes da seleção que, por meio da jornada de autodescoberta e autocuidado pela floresta amazônica, uma artista trans indígena cuida de jovens transmitindo mensagens ancestrais para que consigam enfrentar o racismo estrutural e a transfobia no Brasil.
Aventura e fantasia sempre estão presentes na curadoria da mostra. A jornada de Claé e Bruô, agentes-secretos de reinos rivais, retratados na mais recente e premiada animação Perlimps, de Alê Abreu, mostra que ao superar suas diferenças e unir forças, partem para buscar os Perlimps, criaturas misteriosas capazes de encontrar um caminho de paz interior e amor em tempos de guerra.
Outros filmes já lidam com questões contemporâneas, como novas maneiras de educar, em longas Dos 3 aos 3, de Pablo Lobato; Guigo offline, de Renê Guerra; Limiar, de Coraci Ruiz; e O começo da Vida 2 – Lá fora, de Renata Terra.
Observar e repensar o lugar e o valor dos idosos e as políticas de cuidado a esta faixa etária em nossas sociedades, diz muito do valor que damos à vida. Os filmes de Allan Deberton, Pacarrete, e o curta Luci e a Terra, de Kátia Klock, e Mari Hi – A Árvore do Sonho, de Morzaniel Tramari, levam a refletir sobre a necessidade desse cuidado, de permanecer vivo ao longo do tempo e de darmos atenção aos nossos sonhos, individuais e coletivos, para que possamos ser a melhor versão de nós mesmos.
No âmbito da educação escolar, para além das “competências gerais da base nacional comum curricular”, um avanço enorme da nossa sociedade, muitas escolas e família se juntam para resistir às demandas do mercado e trabalhar nas suas práticas a ética do cuidado de forma transversal aos conteúdos pedagógicos. Os antigos modelos de educação são discutidos nos filmes Yasmim não quer ir à escola e os Guerreiros Xucurus, de Lico Queiroz; Em busca das telas amigáveis, de Igor Amin; e Uma escola no Marajó, de Camila Kzan.
No documentário, Kunhã Karai e as Narrativas da Terra, de Paola Mallmann Oliveira e Renata Tupinambá, curadora e comunicadora indígena, diz: “A cada respiração, a magia da vida nos conecta a todos os seres. Nesse momento, nosso coração não pertence apenas a nós, mas a toda humanidade”.
As obras cinematográficas se ligam às atividades paralelas que compõem a programação e reúnem pessoas de diferentes áreas e de práticas diversas para nos ajudar a transformar e nos comprometer com nossos valores. Como a aula aberta Cuidados com o outro, o coletivo e o meio nas producões audiovisuais, com Rita da Silva e Kurt Shaw; a roda de conversa Experiências escolares de cuidado coletivo, mediada por Lourdes Atié; as sessões especiais de filmes seguidas de bate-papo; as oficinas Caminhos de Cuidado, com Rodrigo Carancho, Em busca das telas amigáveis, com Igor Amin e Poesia à solta na natureza, com André Gravatá.E, para além das telas, o saguão acolhe a vivência Caminhando em seus sapatos do Museu da Empatia e as exposições: Remédios Urbanos do artista Rage e Cerâmica Semente da artista Bia Pappone que inspira a arte desta edição .
Serviço
Ciranda de Filmes 2023
Datas: de 06 a 08 de outubro (sexta a domingo) Local: Espaço Itaú de Cinema Augusta
End: Rua Augusta, 1475, São Paulo
