21/07/2026

Video-ensaio ‘Paisagens do Fim’ descortina o uso de cenários reais pós-catástrofe no cinema

Dirigido, roteirizado e montado pelo crítico Carlos Alberto Mattos, o video-ensaio Paisagens do Fim (https://vimeo.com/1005118046) baseia-se no site-livro homônimo lançado pelo autor em 2021 (https://www.paisagensdofim.com), e investiga questões como as “ruínas do presente” são descortinadas pelas câmeras, os personagens se relacionam com esses espaços, as relações simbólicas se estabelecem com os vestígios dos desastres, em que medida as catástrofes reais (guerras, desastres naturais e industriais, grandes demolições, etc) podem servir de cenários para a invenção ficcional, e até onde os cineastas podem ir no desejo de fabular sobre os vestígios de uma devastação?

Na adaptação para o vídeo, Mattos parte do fascínio exercido pelas paisagens de ruínas desde os pintores renascentistas, passando pelos chamados “fotógrafos de demolição” e chegando ao que hoje conhecemos como “ruin porn”, encontrável até mesmo como descanso de tela de computador. No cinema, desde um dos primeiros filmes dos irmãos Lumière, que mostra a derrubada de uma parede, as ruínas nunca deixaram de ser um tema poderoso.

Cenas de 46 filmes aparecem no vídeo, cobrindo guerras mundiais e regionais, catástrofes naturais e industriais, e ainda destruições voluntárias como a devastação de florestas e a inundação de cidades para a construção de barragens. Os tratamentos são em sua maioria dramáticos, como em Alemanha Ano Zero, obra-prima do neorrealismo italiano, mas também podem ser irônicos e mesmo cômicos, como no curta Uma História de Água, de François Truffaut e Jean-Luc Godard, ou em A Mundana, de Billy Wilder. Ou, ainda, como mote de ficção científica, a exemplo do japonês A Estrela Sussurrante, de Sion Sono.

Segundo o autor, não havia interesse em documentários, nem no uso de imagens de arquivo inseridas na ficção. “Selecionei apenas os filmes em que atores e tramas estavam organicamente incorporados aos cenários de destruição recente. A ideia era examinar como as locações atribuíam um valor documental às fabulações e, por outro lado, como a ficção extraía dramaticidade das locações”.

Carlos Alberto Mattos é autor também da videomontagem documental Taiguara: Onde Andará teu Sabiá?, que reconta vida e carreira do cantor e compositor Taiguara Chalar da Silva com suas próprias palavras. Disponível em https://vimeo.com/726331864

 

Serviço:

PAISAGENS DO FIM – O video-ensaio

Direção, pesquisa, roteiro, edição e narração: Carlos Alberto Mattos

Brasil, 2024, 117 minutos

Disponível em https://vimeo.com/1005118046

 

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