25/06/2026

CineSesc realiza Maratona Pasolini

A polêmica que despertou em sua vida o trabalho do diretor italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) poderá ser reavaliada em São Paulo esta semana, quando volta ao cartaz, em cópia nova, um de seus filmes mais discutidos, Teorema - a partir desta sexta, 7, no CineSesc. A mesma sala realiza, apenas na tarde de sexta, uma Maratona Pasolini, que inclui Desajuste Social (trabalho de estréia do diretor, em 1961), As 1001 Noites e Salò, 120 Dias de Sodoma, seu último filme. Poeta, dramaturgo, escritor e um dos mais influentes cineastas italianos dos anos 60 e 70, Pasolini morreu aos 53 anos, assassinado nos arredores de Roma, em 2 de novembro de 1975, um crime cujo mando alguns chegaram a atribuir à militância política engajada e ao homossexualismo assumido e militante do diretor.

Realizado em 1968, Teorema esteve no centro de uma intensa discussão, num momento em que a Igreja Católica italiana, seguindo os apaixonados ânimos políticos da época, dividia-se entre setores conservadores e de esquerda. Os primeiros condenaram o filme. Os últimos, o premiaram. O escândalo girou em torno, especialmente, da figura ambiguamente angelical representada pelo ator britânico Terence Stamp, na pele de um misterioso visitante que se introduz na mansão de uma família da alta burguesia de Milão, seduzindo um a um seus integrantes: o pai, o industrial Paolo (Massimo Girotti), a mãe, Lucía (Silvana Mangano), o filho Pietro (Andrès Jose Cruz), a filha Odetta (Anne Wiazemsky) e também a governanta Emilia (Laura Betti, vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza em 1968). A partida do visitante precipita a desarticulação do clã.

O contraponto deste mundo da alta sociedade em desagregação é o meio camponês e de religiosidade popular - ambiente que o próprio Pasolini, apesar de nascido numa grande cidade, Bolonha, conheceu bem de perto, por opção. Os camponeses no filme são representados por Emilia, que deixa a mansão dos patrões, voltando para sua aldeia e iniciando a partir daí uma existência mística. Apesar de sempre deixar claro que não era um homem religioso, Pasolini cultivava uma fascinação pela religião primitiva e popular, fora dos rituais institucionalizados pela igreja. Via nessa religiosidade espontânea, bem como na cultura, formas de busca de purificação pela espécie humana. Politizado e cético, não acreditava que nem mesmo assim a humanidade encontraria respostas definitivas às dúvidas que a atormentavam. Teorema foi um dos trabalhos em que traduziu de maneira mais eloquente essa ambiguidade em torno do sentido da existência.

Cineweb 6-1-05 11h45

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