Vencedor dos prêmios Especial do Júri e Fipresci no Festival de Cannes 2024, o drama político A Semente do Fruto Sagrado, do cineasta iraniano exilado Mohammad Rasoulof, será lançado nos cinemas brasileiros no próximo dia 9 de janeiro.
Como se recorda, Rasoulof, que havia vencido em 2020 o Urso de Ouro em Berlim pelo filme Não Há Mal Algum, estava sendo perseguido por motivos políticos no Irã - foi condenado a oito anos de prisão, chicotadas, uma multa e confisco de propriedades. Assim, ele decidiu fugir de seu país pouco antes do Festival de Cannes, chegando à Alemanha, onde recebeu asilo político. Seu novo filme, uma produção do Irã em parceria com a Alemanha e a França, foi inscrito e selecionado pela Alemanha para concorrer ao Oscar 2025 na categoria de melhor filme estrangeiro, já que o país de origem, o Irã, certamente não indicaria como seu representante uma história como esta, altamente crítica ao sistema judiciário e político do país.
Ao centro da trama, está uma família. O pai, Amin (Missagh Zareh), acaba de ser promovido a juiz-investigador, o que leva a vislumbrar um futuro nos tribunais revolucionários. Sua mulher (Soheila Golestani) se anima com a possibilidade de subir na vida, assim como as duas filhas adolescentes (Setareh Malek e Mahsa Rostami). Mas o sonho de consumo vira rapidamente um pesadelo à medida que fica claro que a promoção de Amin o leva a um acelerado processo de cooptação. Ele é pressionado a indiciar e condenar - inclusive à morte - diversos dos ativistas que naquele momento estão nas ruas e com os quais sua filha mais velha tem afinidade. O impasse, na família e no país, está declarado.
Prêmios ao redor do mundo
Enquanto isso, A Semente do Fruto Sagrado e Rasoulof acumulam prêmios ao redor do mundo. Ele foi premiado como melhor diretor pela Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles. O filme foi escolhido como melhor Filme Internacional no National Board of Review e está concorrendo ao Globo de Ouro (como melhor Filme de Língua Não-Inglesa), European Film Awards (como melhor Filme, melhor Diretor e melhor Roteiro), Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles (como melhor Filme Estrangeiro) e Círculo de Críticos de Cinema de Nova York (como melhor Filme Internacional).
