O título de sua matéria, aliás, Gangs of Rio de Janeiro (gangues do Rio de Janeiro) reforça os laços que o crítico enxerga entre "Cidade de Deus" e a mais recente superprodução de Scorsese.
Holden elogia particularmente a seqüência da festa de despedida de Bené (Phellipe Haagensen), no final da história, "como uma das partes mais espetaculares do filme". Contrariando parte da crítica brasileira, que acusou Meirelles de "cosmetizar a miséria", o jornalista do The New York Times não poupa adjetivos ao visual do filme.Pelo uso de câmera na mão e filmagens nas ruas cariocas, Holden diz que a obra "transmite a autenticidade de um manual de 'cinéma verité' (cinema verdade)". Elogia também "a fotografia frenética de César Charlone", que define como "um vistoso pot-pourri de efeitos que incluem câmera lenta e acelerada, o uso de telas divididas e uma paleta expressionista drasticamente variada".
No Los Angeles Times, Kenneth Turan define o filme como "uma potente e inesperada mistura de autenticidade e luxo visual" e "uma peça vigorosa de realismo social que está inegavelmente amparada em algo verdadeiro". Turan enaltece particularmente a "montagem eletrizante". A única ressalva, para ele, está na parte final, onde ele acredita que o filme já dá "sinais de cansaço".
Em artigo de quinta (16) no USA Today, o crítico Mike Clark diz que "mesmo fãs de filmes de ação avessos a ler subtítulos deveriam dar uma chance a este filme". Reitera ainda que "não se sente a duração, em parte porque sempre parece haver uma surpresa" e elogia o recurso em que o narrador Buscapé (Alexandre Rodrigues) interrompe a ação para informar o destino de algum personagem, o que, na visão do jornalista, "é um bom recurso porque deste modo sempre se sabe quem é quem". Para Clark, o diretor Fernando Meirelles "forja um estilo que consegue ser ao mesmo tempo corajoso e elegante".
Cineweb-17/1/2003-19.57
