21/07/2026

Terceira temporada da série Cada Voz chega à Itaú Cultural Play

Amanhã, a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita de cinema brasileiro, passa a oferecer em seu catálogo parte dos episódios da terceira temporada de Cada Voz. A série reúne entrevistas com artistas brasileiros de diferentes áreas de expressão, que falam sobre os seus processos de criação, suas trajetórias e o tempo atual. Esta temporada se soma às duas primeiras, cujos episódios chegaram à IC Play no final de maio. 

Com registros gravados em 2022, os episódios desta terceira temporada trazem relatos da atriz carioca Léa Garcia (1933-2023), do escritor Pedro Bandeira, da artista visual indígena Yacunã Tuxá e outras personalidades da cultura nacional. Todos os episódios têm 26 minutos de duração, acessibilidade em libras e legendas descritivas. Ao todo, a série Cada Voz possui quatro temporadas.

Cada Voz é conduzida pelo cinegrafista e fotógrafo Marcus Leoni, com produção da Enciclopédia Itaú Cultural, que abriga os verbetes de todos os convidados. Os capítulos a serem exibidos na plataforma têm formato maior, com trechos inéditos, em relação à versão original, disponível no YouTube da organização.

Os episódios trazem perspectivas únicas sobre arte e existência, começando com a cineasta Adélia Sampaio, que relembra os caminhos que a levaram a se tornar a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem de ficção no Brasil, e como sua entrada no cinema exigiu criatividade e resistência em um meio elitista e excludente.

Na sequência, uma das maiores cineastas do país, a paulistana Ana Carolina, compartilha reflexões sobre o mergulho interno necessário para criar seus personagens e revela os conflitos que permeiam a sua produção, marcada por uma busca constante de liberdade artística.

O ator Emiliano Queiroz (1936-2024), conhecido por seus papéis no teatro, na televisão e no cinema, é o destaque do terceiro episódio. Na entrevista, ele traz à tona memórias das artes cênicas brasileiras desde os anos 1950, além de relatos sobre a repressão da ditadura e a força transformadora da arte ao longo das décadas.

A escritora e roteirista Índigo, pseudônimo de Ana Cristina Ayer Oliveira, relembra sua transição do jornalismo para a literatura. Protagonista do quarto episódio, ela fala sobre o início da carreira na internet e os caminhos que tomou para dar forma à sua escrita, desenvolvida principalmente no gênero infantojuvenil.

No campo da música, o cantor e compositor Lazzo Matumbi revisita sua formação artística influenciada pelo samba do Recôncavo Baiano e denuncia o racismo, que gerou e ainda gera a exclusão das contribuições negras na história, cultura e arte do Brasil.

Símbolo da representação negra nas artes cênicas, Léa Garcia recorda momentos fundamentais de sua trajetória e fala sobre o impacto de figuras como Abdias Nascimento (1914-2021), ativista e fundador do grupo Teatro Experimental do Negro, em sua formação e militância por inclusão. Outra grande artista negra do país, a cirandeira Lia de Itamaracá, em sua fala doce e potente, compartilha sua relação com a cultura popular pernambucana, revelando o papel do canto e da dança como instrumentos de conexão com o público e com suas raízes.

O capítulo oito volta às artes cênicas. Nele, o diretor e dramaturgo Marcio Abreu, fundador da Companhia Brasileira de Teatro, discute a criação artística como ferramenta de percepção e crítica do mundo, explorando o teatro como campo de escuta e sensibilidade. Em seguida, o poeta, escritor, crítico e historiador da literatura Oswaldo de Camargo apresenta sua trajetória, da infância à descoberta da literatura, que transformou sua vida. Filho de pais negros analfabetos, Oswaldo afirma que ser um homem negro no Brasil sempre o instiga a criar novas perspectivas. 

Ainda no campo das letras, o escritor Pedro Bandeira, referência na literatura infantojuvenil, fala sobre seu compromisso com a formação de leitores e sobre como vê nas crianças a possibilidade de transformação social por meio da imaginação. Por sua vez, a protagonista do episódio 11 é a artista visual Sônia Gomes, primeira mulher negra ainda viva a expor no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Com obras marcadas pela visualidade pictórica, Sônia revela seus questionamentos sobre a existência e a criação como uma mulher negra no mundo.

Conhecido nome do samba, a cantora carioca Teresa Cristina compartilha sua história com a música, sua admiração por sambistas mulheres e o papel que o gênero tem como expressão profunda da identidade cultural brasileira.

A cineasta baiana Viviane Ferreira, diretora de filmes como o premiado O Dia de Jerusa (2013), protagonizado por Léa Garcia, analisa sua atuação a partir de uma perspectiva política e afetiva, destacando suas memórias de infância como importantes fontes de inspiração. Na entrevista, ela ainda reitera a necessidade de inclusão de mulheres negras no cinema. 

No 14º e penúltimo episódio a entrar na Itaú Cultural Play, a artista visual Yacunã Tuxá discute sua atuação na arte digital como uma forma de romper com os estereótipos coloniais sobre os povos indígenas. Integrante do povo Tuxá, da Bahia, ela evoca a força da ancestralidade em diálogo com o presente.

Fechando a terceira temporada, no episódio 15, a atriz e cantora Zezé Motta revisita sua trajetória, como sua estreia profissional, que aconteceu na peça Roda Viva (1968), escrita por Chico Buarque e dirigida por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso (1937-2023). Ela ainda comenta os desafios e conquistas de uma carreira marcada pela ousadia, talento e pela constante luta por representatividade negra nas artes.

SERVIÇO
Série Cada Voz

Episódios ampliados e inéditos da temporada 3

A partir de 6 de junho na Itaú Cultural Play

O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+ e Watch Brasil. 

Notícias relacionadas