Morreu nesta sexta (1º/8) o cineasta paulista Rodolfo Nanni, a poucos meses de completar 101 anos - seu aniversário seria no próximo dia 29 de novembro.
Fiz um livro sobre Rodolfo para a Coleção Aplauso, Rodolfo Nanni - Um Realizador Persistente, em 2004, que foi uma das coisas que me deu mais felicidade na vida. Não só pela justa, embora modesta, homenagem à vida e obra de Nanni, como pela oportunidade única de ter convivido com ele e sua mulher, a cantora e pesquisadora Anna Maria Kieffer.
Durante o preparo do livro, passei várias tardes no apartamento desse casal incrível, culto, delicado, com quem aprendi tanto, não só sobre cinema e música, como sobre a possibilidade de uma troca fraterna de informações, amizade e carinho. Nunca me esquecerei disso.
Formado em Cinema pela então IDHEC (hoje Femis), em Paris, Nanni dirigiu O Saci( 1953) , filme pioneiro do cinema paulista e do cinema infantil e outros filmes, como a ficção Cordélia, Cordélia e diversos documentários, como O Drama das Secas, Bela Vista, Avenida Paulista e um video-documentário sobre a pintora Anita Malfatti - que havia sido sua professora de pintura, uma das carreiras que Rodolfo tentou na juventude e deixou pelo caminho. Anita foi, aliás, uma das frequentadoras da casa da família Nanni, que ficava na rua Oscar Freire e era visitada pela fina-flor do movimento Modernista, incluindo Mário de Andrade, Oswald de Andrade e outros, além do primo de Rodolfo, o escultor Victor Brecheret.
Homem dos sete instrumentos, Nanni se notabilizou também pelo ensino de cinema na FAAP, curso do qual foi um dos fundadores, na produção musical e tantas outras tarefas importantes para a cultura brasileira. Que ele nunca seja esquecido.
