26/09/2026

Patricio Guzmán, referência do cinema documental chileno, morre aos 85 anos em Paris

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O cineasta e documentarista chileno Patricio Guzmán morreu nesta terça-feira (15), aos 85 anos, em um hospital de Paris, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Considerado um dos nomes mais importantes da história do cinema chileno, Guzmán construiu uma obra marcada pela reflexão sobre memória, história e identidade, alcançando reconhecimento internacional com documentários como A Batalha do Chile, Nostalgia da Luz e O Botão de Pérola.

Nascido em Santiago, em 1941, estudou cinema em Madri e iniciou sua trajetória no audiovisual com o curta-metragem de animação Viva la Libertad (1965). Seu primeiro longa documental, O Primeiro Ano (1972), retratou o início do governo de Salvador Allende e abriu caminho para a produção de A Batalha do Chile, trilogia que documentou o contexto político que antecedeu o golpe militar de 1973. Concluído durante seu exílio em Cuba, o filme se tornou uma das obras mais importantes do documentário político latino-americano.

Após deixar o Chile, Guzmán viveu e trabalhou principalmente na Espanha e na França. Nesse período, dirigiu produções como Em Nome de Deus (1987), sobre a atuação da Igreja Católica chilena na defesa dos direitos humanos durante a ditadura, além de documentários como Chile, a Memória Obstinada (1997), O Caso Pinochet (2001) e Salvador Allende (2004).

Em 1997, fundou o Festival Internacional de Documentários de Santiago (FIDOCS), dedicado ao cinema documental, experimental e ao videoarte. Mesmo residindo em Paris, manteve vínculo com o evento por muitos anos.

Na década de 2010, sua obra ganhou nova projeção internacional com Nostalgia da Luz (2010), documentário que relaciona as pesquisas astronômicas no Deserto do Atacama à busca pelos restos mortais de desaparecidos da ditadura chilena. O filme foi seguido por O Botão de Pérola (2015), vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, e A Cordilheira dos Sonhos (2019), premiado com o Goya de Melhor Filme Ibero-Americano e o Olho de Ouro do Festival de Cannes.

Seu último documentário foi Meu País Imaginário (2022), dedicado às transformações sociais e políticas ocorridas no Chile após os protestos iniciados em 2019.

Em 2023, Patricio Guzmán recebeu o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisual do Chile, tornando-se, ao lado de Raúl Ruiz, um dos poucos cineastas a receber a mais importante distinção cultural do país. Em entrevistas recentes, o diretor havia relatado problemas de saúde, incluindo um infarto e cirurgias de alta complexidade, mas ainda manifestava o desejo de voltar ao Chile para filmar um novo projeto, que acabou não sendo realizado.

Foto de Patricio Guzmán
Crédito: Pontificia Universidad Católica de Chile

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