21/07/2026

Filme nacional Dolores é selecionado para o Festival de San Sebastian

Carla Ribas, protagonista de Dolores (Crédito: Divulgação)

Dirigido por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, Dolores fará sua estreia mundial na 73a edição do San Sebastian Festival, que acontece na cidade espanhola entre 19 e 27 de setembro. A produção é assinada por Sara Silveira, Eliane Bandeira, Maria Ionescu. O longa é uma produção da Dezenove Som e Imagens, com produção associada da Misti Filmes e coprodução da GT Produções, e será distribuído pela California Filmes. Filme foi contemplado com o apoio do programa de Internacionalização Brasil no Mundo, do Projeto Paradiso e com o apoio da Spcine

Dolores parte de um roteiro deixado pelo cineasta Chico Teixeira, falecido em 2019, que tinha no longa a conclusão de sua Trilogia dos Afetos, também, composta por A Casa de Alice (2007) e Ausência(2014). 

Dolores, interpretada por Carla Ribas (protagonista de A Casa de Alice), é uma mulher que acaba de completar 65 anos e teve um sonho premonitório: abrir um cassino. O problema é que ela já foi viciada em jogos e tem uma relação tensa com a única filha, Deborah (Naruna Costa), mas é próxima da neta, Duda (Ariane Aparecida), que trabalha numa loja de armas, e sonha em se mudar para os EUA. 

Os diretores, que assinam o roteiro final, contam que Chico, para o filme, partiu de uma profunda pesquisa da realidade para a construção das personagens. “Dolores é uma mulher que transborda encantos e contradições, que enfrenta os desafios da velhice e aposta no tudo ou nada. Apesar da dura rotina na periferia de São Paulo, Dolores se recusa a deixar de sonhar com uma vida melhor. Esse é seu ato de rebeldia”, explica Marcelo.

O elenco também é uma homenagem a Chico, trazendo além de Carla, também Gilda Nomacce (como melhor amiga de Dolores) e Matheus Fagundes (como namorado de Duda), ambos protagonistas de Ausência. Maria Clara e Marcelo comentam que o Chico ainda não tinha pensado no elenco. “Ainda estávamos no processo de construção do projeto. Tanto em termos do roteiro quanto em termos de perfil das personagens. As atenções estavam voltadas para isso. Quando o roteiro ficou pronto decidimos pela homenagem. E foi uma decisão muito feliz.”

Uma das questões mais interessantes em Dolores, é como o filme está diretamente ligado ao nosso presente, tratando de questões como o vício em apostas, a venda de armas de fogo e sonho da imigração para os EUA. 

“Queríamos muito também pensar nessa diferença geracional, os imaginários distintos entre uma mulher de 65, uma de 45 e outra de 20 e poucos. Assim, naturalmente fomos buscar os imaginários de cada época. E, desejando que nossas mulheres fossem singulares, trouxemos aquilo que achamos que daria emoção para elas. Os universos de cada uma, de acordo com o que a própria vida entrega como possibilidade de imaginação”, concluem os diretores. 

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