O ator, diretor e ativista ambiental Robert Redford morreu na madrugada desta terça-feira (16), aos 89 anos, em sua casa nas montanhas de Provo, no estado de Utah, enquanto dormia. A informação foi confirmada por sua agente, Cindi Berger. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em Santa Monica, Califórnia, Redford iniciou sua carreira artística em Nova York nos anos 1950, atuando em peças de teatro e programas de televisão. Estreou no cinema em 1960, no filme Até os Fortes Vacilam, ao lado de Jane Fonda. Ganhou projeção internacional com Butch Cassidy (1969), contracenando com Paul Newman, com quem formou uma das duplas mais emblemáticas do cinema americano. Quatro anos depois, foi indicado ao Oscar de melhor ator por Golpe de Mestre (1973), considerado um clássico dos filmes de crime.
Entre seus papéis mais marcantes estão também Três Dias do Condor (1975), Todos os Homens do Presidente (1976) — em que interpretou o jornalista Bob Woodward, envolvido na investigação do escândalo de Watergate —, Nosso Amor de Ontem (1973), com Barbra Streisand, e Entre Dois Amores (1985), com Meryl Streep.
A consagração como diretor veio em 1980, com Gente como a Gente, seu primeiro trabalho atrás das câmeras, que lhe rendeu o Oscar de melhor diretor e também o prêmio de melhor filme. Outros títulos de destaque na direção incluem Nada é para Sempre (1992) e Quiz Show – A Verdade dos Bastidores (1994), ambos indicados ao Oscar.
Em 1981, Redford fundou o Instituto Sundance, voltado ao fomento do cinema independente. Três anos depois, assumiu a organização de um pequeno festival em Utah, que se transformou no Festival de Cinema de Sundance, hoje considerado a principal vitrine mundial para cineastas fora do circuito tradicional de Hollywood. Foi ali que nomes como Steven Soderbergh, Quentin Tarantino, Darren Aronofsky, Chloé Zhao e Ava DuVernay ganharam projeção.
Apesar do prestígio, Redford criticava a crescente mercantilização do evento, afirmando em 2012: “Quero que os marqueteiros oportunistas — as marcas de vodca, os brindes e as Paris Hiltons da vida — desapareçam para sempre. Eles não têm nada a ver com o que acontece aqui!”
Fora das telas, Redford foi um defensor de causas ambientais e progressistas. Embora rejeitasse o rótulo de ativista, teve papel importante em campanhas contra rodovias e usinas poluentes em Utah. Seu engajamento político se intensificou após Todos os Homens do Presidente, quando passou a se envolver mais diretamente em debates sociais.
Discreto em relação à vida pessoal, Redford viveu seus últimos anos em um rancho em Utah. Foi casado duas vezes — com Lola Van Wagenen, com quem teve quatro filhos, e com a artista alemã Sibylle Szaggars. Enfrentou tragédias familiares, como a morte precoce de um filho e, mais recentemente, a de Jamie Redford, vítima de câncer em 2020.
Entre seus últimos trabalhos estão All Is Lost (2013), Our Souls at Night (2017), com Jane Fonda, e The Old Man and the Gun (2018), filme em que anunciou sua aposentadoria como ator.
Robert Redford deixa um legado de integridade artística, renovação cultural e compromisso com o cinema como forma de expressão e transformação.
