Convidado da Mostra de São Paulo, o cineasta iraniano Jafar Panahi, que acaba de chegar à capital paulista, apresentará seu novo filme Foi Apenas Um Acidente (foto abaixo), vencedor da Palma de Ouro em Cannes neste ano. Desde 1995, com O Balão Branco, a Mostra acompanha a carreira do realizador.
Homenageado desta edição com o Prêmio Humanidade, o diretor estará presente nas três exibições do longa-metragem, nos dias 27, 28 e 29 de outubro. Na obra, distribuída no Brasil por MUBI e Imovision, um homem, Vahid (Vahid Mobasseri), julga reconhecer um antigo algoz que o torturou na prisão - que se deu também por motivos políticos. A partir daí, fica obcecado com a captura do suposto agente, Eghbal (Ebrahim Azizi), recorrendo a outros ex-presos que sofreram em suas mãos, como a fotógrafa Shiva (Mariam Ashfari), uma noiva em seu vestido de casamento, Gol (Hadis Pakbaten), e outro homem, Hamid (Mohammed Ali Elyasmehr), para assegurar-se de sua identidade, sobre a qual restam dúvidas. Numa trama que se desenvolve entre uma caminhonete, as ruas da cidade e alguns lugares ermos, Panahi constrói seu drama ético.
Na sessão de segunda-feira (27), às 18h30 na Sala Petrobras na Mostra, localizada na Cinemateca Brasileira —, ele participa de uma conversa com a diretora do festival, Renata de Almeida.
Um dos mais importantes diretores da história do cinema iraniano, Panahi foi assistente de Abbas Kiarostami em Através das Oliveiras (1994), vencedor do prêmio da crítica da 18ª Mostra. O Balão Branco (1995, 19ª Mostra), seu primeiro longa na direção, recebeu o prêmio Caméra d’Or para novos diretores do Festival de Cannes. Realizou em seguida filmes como O Espelho (1997), apresentado na 22ª Mostra (na qual foi membro do júri) e também vencedor do Festival de Locarno, O Círculo (2000, 24ª Mostra), ganhador do Leão de Ouro do Festival de Veneza, Ouro Carmim (2003, 28ª Mostra), prêmio do júri da seção Um Certo Olhar, em Cannes, e Fora do Jogo (2006, 30ª Mostra), vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim.
Em 2010, foi condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar ou sair do Irã por 20 anos sob a acusação de fazer propaganda contra o regime que governa o país. Apesar das restrições, no ano seguinte realizou Isto Não É um Filme (2011), exibido na 35ª Mostra. Também assinou a direção de Cortinas Fechadas (2013, 37ª Mostra), pelo qual recebeu o Urso de Prata de melhor roteiro do Festival de Berlim, Táxi Teerã (2015), premiado como melhor filme da Berlinale, 3 Faces (2018, 42ª Mostra), melhor roteiro em Cannes, e Sem Ursos (2022, 46ª Mostra), que recebeu o prêmio especial do júri em Veneza. Em 2022, Jafar Panahi foi preso e só foi libertado em fevereiro de 2023, após uma greve de fome. Panahi recebeu o Prêmio Leon Cakoff na 42ª Mostra, em 2018.
O filme estreia nos cinemas brasileiros em 4 de dezembro. Mas antes disso tem estas três sessões na Mostra:
Sala Petrobras na Mostra – Cinemateca Brasileira – 27/10, 18h30
Cultura Artística – 28/10, às 17h15
Reserva Cultural – Sala 1 – 29/10, às 20h40
