A partir da próxima quinta (19), O CCBB do Rio de Janeiro traz uma mostra com 19 filmes de Sarah Maldoror, entre curtas, médias e longas-metragens, documentários e ficções, além de filmes de outros cineastas, como Chris Marker, Gillo Pontecorvo e Ahmed Lallem, com quem Sarah trabalhou, e filmes de cineastas negras da América Latina, como Safira Moreira, Sara Gómez e Zózimo Bulbul, cuja obra tem paralelo com Maldoror. No CCBB de SP, a mostra começa em 21 de fevereiro, e em Salvador, em 05 de março.
Essa é a primeira retrospectiva dessa envergadura no Brasil, fruto de um projeto que amadureceu ao longo de vários anos. Maldoror fez mais de quarenta filmes, do final dos anos 1960, quando começou a filmar na África, em meio às lutas pela independência dos países colonizados por Portugal, até 2009. Seus filmes combatem o racismo, o colonialismo e o preconceito, contribuindo para divulgar o pensamento e a poesia do movimento da Négritude (Aimé Césaire, Léon G. Damas, René Depestre).
Quando morreu, em 2020, Sarah Maldoror deixou mais de quarenta projetos inacabados, entre roteiros não filmados, material filmado e não montado, montagens não finalizadas, etc. Para nossa mostra, um dos roteiros não filmados, "As garotinhas e a morte", ganhou uma tradução inédita para o português e terá leituras dramáticas conduzidas pela cineasta Safira Moreira, com a atriz Jamile Cazumbá e o músico Nyron Higor.
Haverá ainda sessões comentadas, debates, cursos e conversas, com pesquisadores brasileiros e com as duas filhas de Sarah Maldoror (Annouchka de Andrade e Henda Ducados) e com Nathanaël Arnould, do Instituto Nacional do Audiovisual da França.
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