Numa entrevista exclusiva, concedida em S. Paulo, o diretor, em primeiro lugar, esclarece que não se trata de um filme sobre futebol – o antagonismo entre a família palmeirense (de Luana Piovani) e uma corintiana (de Marco Ricca) é apenas o pano de fundo. “Acho que o filme é sobre a paixão. Aliás, é sobre as conseqüências da paixão”, define.
Para o diretor, esta trama poderia ambientar-se em qualquer lugar do mundo, até porque é muito comum que em grandes cidades coexistam duas torcidas rivais. Mas acabou decidindo manter São Paulo como ambiente da história não só porque era aqui mesmo que se passava o conto original de Mário Prata (“Palmeiras, Um Caso de Amor”) como porque o que mais o atraía aí era o detalhe da família italiana – o que lhe permitiu dar ao filme um tom de comédia italiana, uma de suas principais referências cinematográficas. O cineasta admira em particular a forma como a comédia italiana alterna drama e comédia. No gênero, seu diretor favorito é Pietro Germi. “Assim como Bossa Nova era um filme dedicado a François Truffaut, eu deveria ter dedicado este filme ao Pietro Germi”, revela.
Outra referência importante para a formatação de O Casamento de Romeu e Julieta veio da Inglaterra, mais precisamente do livro Febre de Bola, de Nick Hornby. “O Arsenal moldou a infância e a adolescência dele, a relação dele com o pai. Se o Arsenal ganhava, o fim de semana dele com o pai era ótimo. Se perdia, o pai tomava um porre e ficava intratável. Olha o poder que o futebol tem. Não existe nenhum outro esporte no mundo que monopolize tanto as pessoas”, justifica.
No final, o diretor destaca que o que mais o atrai neste enredo é que ela trata apenas de pessoas comuns: “Ninguém é grande, todo mundo é normal. Eu adoro uma história em que você pode falar de sentimento humano com personagens cotidianos, não grandes heróis”. Em seu próximo projeto, que começa a filmar em agosto, mais uma vez Bruno Barreto filmará no Brasil. Trata-se da adaptação ficcional do documentário Ônibus 147, de José Padilha, sobre o famoso seqüestro de um ônibus ocorrido em junho de 2000, no Rio de Janeiro, que resultou na morte do seqüestrador e uma das reféns.
Para este drama, Barreto teve de esperar um ano pelo roteirista Bráulio Mantovani (de Cidade de Deus), que estava trabalhando em projetos de Fernando Meirelles. O roteiro para o filme de Barreto, ainda sem título definitivo, já está escrito. O elenco ainda não foi escalado, mas o cineasta assegura que serão “atores desconhecidos”.
Esclarecendo a polêmica que o envolveu recentemente, sobre uma entrevista em que teria dito que no Brasil haveria cineastas demais, Barreto afirmou que suas palavras foram distorcidas. “O que eu disse é que no Brasil existem muitos diretores sem vocação. Isso era a conclusão de um longo raciocínio. Mas num jornal saiu que no Brasil existem muitos diretores, ponto. Isso me choca. Que um colunista faça isso não me choca. Mas que o jornal que talvez mais vende no país faça isso, me choca. Acho que isso é falta de assunto. Fiz uma blague: ‘Quem não tem vocação que vá dirigir táxi’. Mas eu falava de outra coisa”.
