21/09/2026

Segunda edição do FID:RIO começa na próxima sexta

Lucrécia Martel, que estárá no FID:RIO, nas filmagens de Nuestra Tierra (Crédito: Divulgação/Louverture Films)

Entre os dias 24 de junho e 2 de agosto, a segunda edição do FID:RIO – Festival Internacional de Artes e Cinema de Não Ficção do Rio de Janeiro ocupa sete espaços culturais da cidade com uma programação que reúne cinema, teatro, música e artes visuais, com trabalhos autorais focados na experimentação e na recriação de memórias, além de atividades formativas. 

Nascido do encontro entre o FID:BA — Festival Internacional de Cinema Documental de Buenos Aires, evento com 14 edições consolidadas — e a cena artística e audiovisual do Rio de Janeiro, o FID:RIO apresenta, nesta edição, uma Mostra de Filmescom 56 produções ibero-americanas, entre longas e curtas-metragens, que será exibida em sessões na Cinemateca do MAM, no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no Estação Claro Rio, no Arte Sesc e na Banca do André. 

O grande destaque do festival é a presença de três nomes de peso da arte argentina, que vêm ao Rio pela primeira vez a trabalho: a cineasta Lucrecia Martel, diretora do premiado documentário Nuestra Tierra, lançado ano passado no Festival de Veneza e disponível a Netflix; a cantora Julieta Laso, umas das vozes mais viscerais do tango contemporâneo, vencedora de duas edições do Prêmio Gardel; e a encenadora Vivi Tellas, expoente do teatro experimental e documental contemporâneo, criadora do Biodrama, metodologia que explora biografias de pessoas vivas como material cênico. 

A Mostra de Filmes está dividida em seis sessões temáticas, quatro delas competitivas. A Sessão Hemisfério (competitiva) reúne 11 longas-metragens (todos inéditos no Brasil) de países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai e Peru que apresentam um panorama de filmes documentais autorais inovadores em termos de narrativa e estética.

Destaque para Plata o mierda, produção argentina com direção de Toia Bonino e Marcos Joubert, é um retrato da vida na penitenciária e do vínculo que um celular contrabandeado proporciona a um casal em que um deles está preso. Com première mundial, o boliviano Cuerpo criminal critica as dinâmicas de poder e o neocolonialismo da indústria cinematográfica ao acompanhar dois moradores locais contratados para trabalhar durante as gravações de um filme estadunidense em uma floresta boliviana.

Na Sessão Trópico Longas (competitiva), sete documentários brasileiros serão exibidos serão apresentados pela primeira vez no Rio de Janeiro, entre eles, entre eles Anistia 79. Grande vencedor da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o filme de Anita Leandro resgata registros inéditos de exilados políticos na Conferência Internacional pela Anistia do Brasil, realizada em Roma, em 1979. Quase meio século depois, essas imagens reacendem o debate sobre a manutenção do aparato repressivo da ditadura e a impunidade dos torturadores. 

Outro destaque é Na passagem do trópico, de Francisco Miguez, inédito no Brasil. O filme acompanha um topógrafo que é chamado para avaliar os riscos de um deslizamento de terra na cidade de Ubatuba, litoral de São Paulo. O trabalho o faz se deparar com os conflitos de ocupação da terra, num território de habitações irregulares e ocupação humana caótica.

As sessões Trópico Curtas e Latitude 22 (competitivas) trazem 18 curtas-metragens brasileiros e cariocas, respectivamente, lançados em 2025 e 2026. Também premiado em Tiradentes, Entrevista com fantasmas, de Lincoln Péricles, tem estreia carioca no FID:RIO. O filme, um mockumentary de nove minutos, acompanha uma conversa instigante entre o próprio diretor e uma atriz, interpretada pela gaúcha Lorena Zanetti, que vive há 100 anos, mas que atualmente trabalha na loja varejista onde antes era um cinema. Com estreia nacional durante o festival, Memória Movimento, de Victor Aleixo Casella, é um filme-ensaio que reconstrói uma paisagem silenciada pelo colapso urbano e pelo apagamento físico do território a partir de registros realizados em bairros devastados de Maceió. 

Representante carioca que ganha as telas no FID:RIO, Helena! Cinema, de Cavi Borges e Christian Caselli, é uma homenagem à atriz Helena Ignez, ícone vivo do cinema nacional. Inédito no Brasil, o chileno Terra, de Amadis T. Loyer, é um curta experimental sobre uma jovem imigrante que redescobre seus documentos brasileiros e o sobrenome materno perdido, “Terra”, enquanto navega pelas dualidades entre os dois países em busca de sua própria identidade.

Fora da Mostra Competitiva, a sessão Foco no Cinema Argentino apresenta seis filmes fundamentais do cinema autobiográfico do país vizinho, que retratam os horrores das ditaduras e a violência contra os povos originários. São eles: Los rubios, de Albertina Carri; El silencio es un cuerpo que cae, de Agustina Comedia; Silvia, de María Silvia Esteve; El príncipe de Nanawa, de Clarisa Navas, filme em estreia carioca; El Juicio, de Ulises de La Ordem, apresentado em formato de instalação, e Nuestra Tierra (Nossa Terra), de Lucrecia Martel.

Umas das figuras centrais do Novo Cinema Argentino, Lucrecia Martel vem para o festival para a sessão única de seu premiado filme (dia 28 de julho, no Estação Claro Rio), seguida de bate-papo com o público. No dia seguinte (29/7), Lucrecia ministra uma masterclass gratuita no Teatro Sesc Ginástico como parte do #LINK:RIO, braço do festival voltado para as atividades formativas e indústria. 

A mediação da sessão, que tem apoio da Embaixada da França e do Sesc RJ, é do cineasta Eduardo Valente. Nuestra Tierra investiga o assassinato do líder indígena Javier Chocobar, em 2009, durante um conflito pela posse de terras da comunidade Chuschagasta, na província de Tucumán, no norte da Argentina. O filme combina as vozes e fotografias da comunidade com imagens do tribunal para explorar a longa história de colonialismo e desapropriação de terras que levou a esse crime.

Para a programação completa, e mais informações, acesse https://fid-rio.com/2026/ 

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