Dentro da seleção anunciada pelo 83º Festival de Veneza, um destaque fora da competição pelo Leão de Ouro é a extraordinária coleção de documentários que farão fazer sua première no Lido, entre 2 e 12 de setembro próximos, vários deles dirigidos por cineastas consagrados.
Passam por ali os novos trabalhos de três respeitados norte-americanos vencedores do Oscar da categoria: Alex Gibney (Um Táxi na Escuridão) apresentará o aguardado Musk, em produção desde 2023, chegando a 4 horas de duração, detalhando a polêmica trajetória do bilionário Elon Musk; Barbara Kopple, realizando em Union Town a terceira parte de uma trilogia sobre o mundo do trabalho, iniciada por Harlan County: Tragédia Americana (1976) e American Dream (1970), agora focalizando a luta dos trabalhadores das empresas de entregas por seus direitos; e Laura Poitras (Cidadãoquatro) traz na bagagem um novo curta, codirigido com Rachel Mueller, They’re Here, com imagens inéditas da atuação do ICE contra imigrantes e ativistas na cidade de Minnesota.
Mas há muitos outros títulos dignos da maior atenção como um novo doc do isralense Amos Gitai, The Road to Jericho, resgatando a memória do primeiro acordo de paz assinado pelo ex-primeiro ministro Yitzhak Rabin, voltado prioritariamente à paz em Gaza e Jericó - onde hoje uma reduzida comunidade beduína está seriamente ameaçada.
A coprodução entre a Palestina e a França Citizen Osama traça o perfil de um fotógrafo que se tornou documentarista de guerra, tentando sobreviver em Gaza junto com sua mulher e um filho bebê.
Uma ambiciosa Biografía de Jorge Luis Borges, assinada pelo argentino Mariano Llinás, procura, em 330 minutos, dar conta da figura do genial escritor, morto em 1986. Outro perfil, este do arquiteto Peter Zumthor, tem a assinatura do alemão Wim Wenders, em From Inside Out - The Architecture of Peter Zumthor, que recorre ao 3D para mostrar a dimensão das obras do personagem.
Artistas em foco
Obras sobre artistas também estão em Oasis: Don’t Look Back in Anger, de Dylan Southern e Will Lovelace, retratando o tour de retorno da banda, em 2025, e trazendo a primeira entrevista em 25 anos dos irmãos Gallagher. Outro título nessa linha é What Love Builds, segunda investida na direção do ator neozelandês Russell Crowe. Trata-se de um relato autobiográfico, destacando sua ligação com a música e a atuação de sua banda Indoor Garden Party, um trabalho que lhe tomou 15 anos, mergulhando em imagens recolhidas ao longo de mais de quatro décadas.
O japonês Miike Takashi deixa de lado seus habituais filmes de ação e volta sua câmera para uma tradicionalíssima arte de seu país em Shumei. The Living Legacy of Kabuki. E o premiado cineasta malaio Tsai Ming-Liang retorna com um ensaio poético em Weichen (Dust).
A temática LGBTQIA+ entra forte em Queer Eduard II, do inglês Theo Rollason, focalizando os bastidores das filmagens de Eduard II, de Derek Jarman, e os dilemas da visibilidade queer desde os anos 1990.
O veterano bielorusso-ucraniano Sergei Loznitsa também volta com Imperium, em que atravessa arquivos entre 1970 e 1973 para focalizar a União Soviética. O premiado russo Victor Kosskovsky (Architecton) centraliza a figura do neurobiólogo Stefano Mancuso para tratar do tema da vida e morte do reino vegetal.
