10/10/2026

Cine Ceará anuncia títulos das competições de longas e curtas

O 36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema anunciou os filmes que integram as competições deste ano: a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, com seis títulos, e a Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem, com 13. A seleção reúne filmes de diferentes regiões do Brasil (Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba e São Paulo), além de produções do Peru e coproduções entre Equador, Chile e Alemanha e entre República Dominicana e Espanha. 

Com exibições no Cineteatro São Luiz, as duas mostras integram a programação do festival, que será realizado de 7 a 13 de novembro, com entrada gratuita. Os filmes selecionados concorrem ao Troféu Mucuripe em diferentes categorias.

A competição ibero-americana de longas do festival reúne seis filmes, cinco de ficção e um documentário, A seleção conta com a coprodução de ficção Espanha-Bélgica Eu não morrerei de amor (Yo no moriré de amor), da diretora Marta Matute. Na trama, Claudia, de 18 anos, precisa conciliar os desejos próprios da juventude com as responsabilidades que surgem quando a doença da mãe altera a rotina da família. O drama transforma uma situação íntima em reflexão sobre o cuidado e as escolhas que acompanham a passagem para a vida adulta. O longa recebeu a Biznaga de Ouro de Melhor Filme Espanhol no Festival de Málaga de 2026.

Há também a ficção Nunkui, de Verenice Benítez, que conduz a narrativa para a Amazônia equatoriana. A coprodução Equador-Chile-Alemanha narra a história de uma adolescente do povo indígena Shuar, que enfrenta a ameaça da mineração enquanto aprende sobre sua cultura, a natureza e seu lugar no mundo. O filme acumula o prêmio de Melhor Longa-Metragem da Competição Latino-Americana do Festival Audiovisual Bariloche, o Prêmio do Júri no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz e o prêmio de Melhor Roteiro no FicLaPaz.

Há Sob o mesmo sol (Bajo el mismo sol), do diretor Ulises Porra. A coprodução República Dominicana-Espanha transporta o público para o Caribe colonial de 1819. Um herdeiro espanhol, uma mestra chinesa da arte da seda e um desertor haitiano se unem na tentativa de estabelecer uma fábrica na ilha Hispaniola. Ao aproximar personagens de diferentes origens, o filme aborda as tensões culturais e sociais de um território marcado por desigualdades e disputas de poder. 

Também está a ficção peruana Não há ida sem retorno (No hay ida sin retorno), do diretor Carlos Sánchez Giraldo. O filme apresenta a história de Amito, guiado por uma voz que ouve em seus sonhos, decide retornar à selva, sendo acompanhado por Lizandro, que deseja aprender com ele. Durante essa jornada, marcada por elementos míticos, Amito descobre que não é quem imaginava ser, enquanto Lizandro é levado a confrontar a si mesmo. 

Do Brasil, a mostra conta com dois filmes: a ficção Terra Firme, de Alexandre Vale, filmado em Trairi, no litoral cearense. O longa retrata a amizade de um menino de uma vila de pescadores e um homem mais velho que vive isolado em seu barco. O encontro cria a possibilidade de enfrentar marcas do passado e vislumbrar novos caminhos. O outro é o documentário Trapiá, um outro sertão, de Bertrand Lira, sobre uma comunidade rural no interior da Paraíba, em transição de uma forma tradicional de vida. 

Competição de curtas

A competição brasileira de curtas reúne 13 produções de diferentes estados e formatos, entre ficções, documentários e animações. O Ceará participa com quatro produções. Em Joqueta, de Luciana Vieira, Filipa nunca é verdadeiramente reconhecida até precisar substituir o irmão em uma corrida de jóquei. O filme chega ao festival após conquistar o 1º Lugar Cabíria Cardume e o 2º Lugar Abra Cardume. Lena, de Lanna Carvalho, acompanha uma mulher que recebe da filha um lugar especial como presente e precisa lidar com a saudade. Cassiopeia, de Bruna DeRose, traz a história de Beatriz, jovem fascinada por astronomia, que conhece Olívia e passa a enxergar suas sardas como constelações. Entre amizade, desejo e descoberta, ela enfrenta sentimentos que transformam sua relação com o mundo. Já Redamar, de Johnnathan Albano, apresenta Ulisses, personagem cuja rotina é marcada por desejos reprimidos e frustrações até receber a notícia da morte da mãe.

Entre as ficções selecionadas está Caso isolado, de Jamila Facury e Edson Lemos Akatoy (PB), que aborda o colorismo a partir da experiência de uma mulher negra de pele clara que trabalha com entregas em João Pessoa. Há também Cabeceira, de Rayane Teles (BA), sobre duas irmãs que deixam a casa e se deparam com um cenário de solidão e falta de perspectivas. E também Pão Doce, de Wesley Gabriel Silva Santos (SP), acompanha um pai que tenta conciliar as exigências do trabalho com a comemoração do aniversário da filha. O filme estreou no Festival de Cinema de Gramado, onde recebeu os prêmios de Melhor Direção, para Wesley Gabriel Silva Santos, e Melhor Ator, para Francisco Gaspar, na competição do 54º Festival.

A animação também ocupa espaço importante na seleção. Amargô, de Giorgio Vinicius Casetta (GO), acompanha o retorno de uma costureira à cidade onde nasceu e se depara com memórias dolorosas; Cefalópodes, de Vic Casé (SP), que retrata a relação entre uma drag queen insegura e um artista extraterrestre; Fogo amigo e outras canções, de Roberto P. B. Castro (GO), sobre um homem que passa a atrair urubus e entra em conflito com as criaturas; e Todas as vezes que demos tchau, de Breno Alvarenga (MG), em que um homem lembra de um relacionamento com um rapaz mais jovem e reflete sobre inseguranças, traumas e sexualidade.

Completando a seleção, há os documentários: O homem para o tempo, de Heber Bezerra (MG), que aborda memória, afeto e passagem do tempo a partir da cidade de Ouro Preto. E De barriga pra cima, de Beatriz Lindenberg, Cintya Ferreira, Marcia Medeiros e Mariana de Lima (ES), realizado a partir de uma oficina de cinema desenvolvida na comunidade quilombola de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim.

O 36º Cine Ceará é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB); da Associação Cultural Cine Ceará; e da Bucanero Filmes. Tem o apoio institucional do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, via Mecenas do Ceará e Edital de Festivais Culturais Calendarizados (PNAB); e da Universidade Federal do Ceará, via Casa Amarela Eusélio Oliveira. Conta ainda com patrocínio do Banco do Nordeste, Complexo Portuário do Pecém, Cegás e Etice, através da Lei Rouanet. Tem patrocínio direto da Cagece e o apoio cultural da Enel através do Mecenato Estadual.

SERVIÇO

36° Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema – 7 a 13 de novembro em Fortaleza. Informações: www.cineceara.com. Instagram: @cineceara, Facebook: Festival Cine Ceará. E-mail: [email protected]

 

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