Com um elenco integrado por Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Ruy Guerra e os cantores Seu Jorge e Luiz Melodia, o filme de Andrucha (que estréia dia 13 de maio) terá a missão de aquecer os ânimos da ruidosa e festiva platéia do Teatro Guararapes, sede das sessões do festival, que costuma reunir um público de até 2.500 pessoas por noite. O encerramento será na noite da próxima terça (19), com as premiações.
Um incidente de última hora, a retirada do documentário D. Helder Câmara – O Santo Rebelde, de Erika Bauer, provocou mal-estar às vésperas do início do festival. Convidada a fazer parte do júri, a cineasta recusou, depois que seu filme foi excluído da programação da Mostra Itinerante, uma das atividades que precedem o festival, no último final de semana. “Como posso ser jurada de um festival que retira meu filme de uma mostra para a qual foi convidado sem qualquer explicação?”, desabafou Erika, premiada nos festivais de Brasília e do Ceará. A organização do festival, porém, atribuiu o incidente a problemas burocráticos para o transporte do filme.
Os títulos da competição
A competição principal enfileira sete longas, onde se comprova o cada vez maior prestígio dos documentários, com três representantes do gênero concorrendo ao troféu Calunga. Um deles é o mineiro Aboio, de Marília Rocha, vencedor de um prêmio no recém-encerrado É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, e que investiga os cantos dos vaqueiros na caatinga entre Minas Gerais e Pernambuco. Um destaque do filme está na trilha sonora, comandada por Naná Vasconcelos e o grupo Cordel do Fogo Encantado.
O segundo representante documental é a produção paulista Do Luto à Luta, onde o premiado diretor Evaldo Mocarzel (À Margem da Imagem (foto) e Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia) explora o universo das crianças com síndrome de Down, numa história de componentes autobiográficos. Mocarzel, aliás, foi o coordenador de uma das atividades ligadas ao festival de Recife, uma oficina comunitária de documentário, envolvendo jovens da favela Brasília Teimosa – visitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de seu mandato, em 2002. O filme produzido pelos jovens, que retrata a transformação da favela depois da retirada das palafitas que serviam de moradia, será exibido também na noite de encerramento, juntamente com o filme Cabra-cega, de Toni Venturi, fora de competição.
O terceiro e último documentário concorrente vem do Rio de Janeiro e atende por um dos nomes mais curiosos do festival, Soy Cuba – El Mamute Siberiano, de Vicente Ferraz. O filme reconstitui a história da primeira produção cubano-soviética feita em Cuba, chamada justamente Soy Cuba, ainda nos tempos em que a então URSS era o suporte financeiro, militar e político da ilha de Fidel Castro.
Entre os quatro competidores da ficção, todos são veteranos. A lista começa com Carlos Reichenbach, que comparece com seu novo trabalho, Bens Confiscados. Drama com fundo político, conta a história de um jovem (Renan Gioelli, de Meu Tio Matou um Cara), filho secreto de um senador corrupto, que é escondido por este numa fazenda no sul, durante uma temporada de denúncias. Para cuidar do rapaz, escala-se uma enfermeira (Betty Faria). No elenco, Werner Schünemann.
O paulista radicado no Rio Antônio Carlos Fontoura (diretor de Rainha Diaba e Uma Aventura de Zico) volta à direção com No Meio da Rua. O enredo é sobre dois meninos, um pobre e outro rico, e acompanha uma amizade que começa com o empréstimo de um jogo eletrônico e desencadeia uma grande aventura.
Da Bahia, vem Esses Moços, história de duas meninas que encontram um velho abandonado. A mais velha coloca-o na rua para esmolar, mas há uma reviravolta. Os diretores são Hilton Lacerda (roteirista de Baile Perfumado e Amarelo Manga) e José Araripe (diretor de arte de Samba Riachão).
O último competidor é o gaúcho O Cerro do Jarau, do diretor Beto Souza (de Netto Perde sua Alma). Conta uma história de dívida e traição envolvendo três primos num lugar que fica na fronteira entre o Brasil, o Uruguai e a Argentina.
Uma novidade da nona edição será a mostra de vídeos digitais produzidos em Pernambuco, que selecionou doze concorrentes, dos 43 inscritos. Como resultado desta inclusão, as sessões do festival começarão meia hora mais cedo do que no ano passado, às 18h30. Os ingressos para as sessões ficam entre R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia).
Tendo como tema “Música e Cinema – Magia e Paixão”, o festival tem como homenageados os atores Antônio Pitanga e Ítala Nandi, o diretor Geraldo Moraes, os músicos Gilberto Gil e Chico Science (in memoriam, já que ele morreu há 8 anos) e o técnico de som Roberto Leite.
