Numa seleção que contou com 31 inscritos, o destaque fica por conta dos cineastas veteranos, como Carlos Reichenbach (Bens Confiscados) e Sérgio Bianchi (Quanto Vale ou é Por Quilo), além do premiado cineasta e diretor de fotografia Walter Carvalho (Moacir, Arte Bruta).
Ao mesmo tempo, a competição traz realizadores que estão despontando no cinema como Roberto Berliner, de A Pessoa é Para o que Nasce (foto), e a produção paraibana Por Trinta Dinheiros, de Vânia Perazzo e Ivan Hlebarov, cineasta e crítico de cinema búlgaro, radicado no Brasil. O longa tem em seu elenco atores famosos, como Ilya São Paulo e Claudia Alencar e profissionais da região que estréiam no cinema.
Já o veterano diretor de filmes B Ivan Cardoso apresenta um documentário sobre as suas produções do início dos anos 70. A Marca do Terrir é uma cinebiografia que reúne trechos de tudo que o cineasta fez em super-8. O longa pretende ser uma reflexão sobre a produção nacional com o surgimento do cinema marginal, que surgiu com o declínio do Cinema Novo.
O filme Quanto Vale ou é Por Quilo? promete gerar polêmicas – como tem feito desde sua estréia no circuito paulistano – discutindo o papel das ONGs, das instituições de caridade e do marketing cultural entre outras coisas. O roteiro vai buscar no passado brasileiro as origens da dominação cultural, política e econômica que domina o Brasil. Reichenbach também toca nas feridas políticas brasileiras com seu drama Bens Confiscados, estrelado por Beth Faria e Renan Gioelli, que faz o papel do filho de um senador corrupto que está sendo investigado.
Depois de fazer a direção de fotografia de vários longas recentes (como Filme de Amor e Carandiru), o também cineasta Walter Carvalho retorna à direção de documentários, como fez no premiado Janela da Alma, que co-dirigiu com João Jardim. Seu novo trabalho, Moacir Arte Bruta mostra sete dias na vida de um artista que mora no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Isolado do mundo e com problemas mentais, Moacir, ainda assim, consegue produzir uma arte impressionante.
A Pessoa é Para o que Nasce é outro documentário que tem em seu centro artistas peculiares. O filme do carioca Berliner mostra a vida e o trabalho de três irmãs cantoras e cegas. O longa mostra não apenas o trabalho delas, se apresentando em feiras no Nordeste, mas também o dia-a-dia do trio, que tem um curioso modo de vida.
Um personagem inusitado que tenta sobreviver às adversidades do mundo moderno também é o foco do documentário catarinense Seu Chico, Um Retrato, de José Rafael Mamigonian. Francisco Thomaz dos Santos resistiu à modernização e foi herdeiro do último engenho de farinha, cana-de-açúcar e de alambique tradicionais.
Mostras paralelas
Sempre dando destaque para o cinema latino-americano, um dos homenageados deste ano no Festival é o cineasta argentino Martín Rejtman, considerado um dos mais importantes do cinema latino contemporâneo. Serão exibidos quatro longas dele feitos nos últimos 19 anos, traçando assim um interessante painel sobre sua evolução como cineasta e a produção Argentina.
Outro homenageado com uma retrospectiva é o cineasta cearense Rosemberg Cariry, autor de obras como Lua Cambará e Corisco e Dadá. O estado do Ceará também ganha duas mostras especiais, a Premiados Cearenses e Mostra Olhar do Ceará, que exibe todos as produções do estado que foram inscritas no festival. Além de filmes, o Festival leva a produção cinematográfica para mais perto do público, com oficinas, debates e seminários.
