08/08/2026

Filme de Carlos Reichenbach é consagrado no Ceará

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Pouco diretores foram tão aguardados e ovacionados no XV Cine Ceará como o paulista Carlos Reichenbach, que veio apresentar o seu longa Bens Confiscados, junto com o ator Werner Schünemann, na noite desta segunda no Festival.

Carlão, como é chamado por seus fãs, é uma figura ímpar. Um verdadeiro apaixonado pela arte de fazer filmes, ele deixa isso transparecer em suas obras. O longa é protagonizado e produzido por Betty Faria. Sem ela, segundo o cineasta, não haveria filme. “Ela é até melhor produtora do que atriz”, contou na coletiva na manhã desta terça, “em pouco tempo arrecadou a verba”.

Bens Confiscados é o décimo-quarto longa na carreira de Reichenbach, que o co-roteirizou com a ajuda de Daniel Chaia. O filme começa com um delicado plano de uma mulher prestes a se jogar de um edifício. Esse suicídio desencadeia toda a ação da trama, que gira em torno do filho bastardo de um senador corrupto que está sendo investigado. Betty é uma ex-amante do político que acaba incumbida de tomar conta do rapaz numa praia gaúcha, longe de todo o burburinho da mídia.

O filme ainda não tem data de lançamento, mas Reichenbach disse que está em negociações com a Globo Filmes para conseguir apoio. Ele conta que, novamente, Betty está sendo fundamental na negociação. Segundo o diretor, o fato de ela estar na novela desperta o interesse da emissora.

Ainda no debate, Carlão contou que o filme é todo pensado em torno da protagonista, que vai sendo destruída emocionalmente aos poucos. “A fotografia acompanha essa destruição. Começa em tons azulados e termina todo cinza, melancólico”, explicou o cineasta.

Para os jovens diretores e produtores que estavam à mesa do debate, ter a chance de falar com Carlão foi uma verdadeira aula de cinema. A curta-metragista gaúcha Camila Gonzatto não perdeu a chance de pedir dicas sobre a profissão. A diretora apresentou também na noite anterior Intimidade, que aborda os pequenos problemas de um casal depois de um desentendimento por causa de uma escova de dentes.

Também exibido na noite de segunda, o curta paraibano Cão Sedento, de Bruno de Salles, também foi um dos mais aplaudidos. Misturando linguagem de mangá e uma estética brasileira, o filme conta a história de uma prostituta que usa seus clientes para um fim bem mais peculiar do que sexo.

Barulho e lágrimas
A terceira noite de competição começou com um inesperado protesto de membros das ABDs (seções regionais da Associação Brasileira de Documentaristas). Eles fizeram um minuto de barulho contra o corte de verbas para a cultura. “Essa é uma tentativa de sepultar projeto de regionalização da TV”, declarou Hermano Figueiredo, presidente da ABD de Alagoas.

O ator cearense Emiliano de Queiroz foi o homenageado da noite, recebendo o troféu Eusélio Oliveira. Extremamente emocionado, o artista disse que é uma verdadeira honra receber essa homenagem em sua terra natal. Foi aplaudido de pé. O único porém da noite foi um clipe do Canal Brasil em homenagem ao ator que mostrava uma cena dele em Xuxa e os Duendes. É no mínimo estranho escolher uma cena deste filme, sendo que o ator teve uma carreira tão vasta e, com certeza, momentos melhores.

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