Co-produção internacional, reunindo Brasil, Portugal, Uruguai e Argentina, Diário de um Novo Mundo é sem dúvida muito bem cuidado do ponto de vista técnico. Mas sua história nunca emociona. O enredo trata de um romance impossível no século XVIII, entre uma mulher casada (Daniela Escobar) e um médico (Edson Celulari). No elenco internacional, há também o argentino Jean-Pierre Noher (que atuou em Um Amor de Borges).
O último documentário da seleção, Em Trânsito, do franco-brasileiro Henri Arraes Gervaiseau, perde bastante seu foco. Entrevista diversos personagens de São Paulo, muitos das periferias mais distantes, descrevendo seus longos itinerários diários. Porém, suas entrevistas deixam correr solto tudo aquilo que o personagem quer falar: sua religião, seu trabalho e outras expectativas - o que em certos momentos é bom, porque alguns desses personagens são ótimos. Mas, ao fazer assim, o filme afasta-se de seu tema anunciado, transporte e trânsito, deixando dúvidas sobre as reais intenções do realizador, que é professor de História e Antropologia da USP.
A seleção latina, por sua vez, fechou melhor. Foi mostrada a produção chilena Mala Leche, de Leon Errazúriz, um retrato impiedoso e ágil do submundo de Santiago, através da visão de dois jovens mergulhados na delinqüência e no narcotráfico. O filme foi premiado no Festival de San Sebastian, na Espanha.
O latino que encerrou essa seção competitiva foi o argentino Por um Mundo Menos Peor, de Alejandro Agresti. Como o outro argentino deste festival, Buenos Aires 100 km, de Pablo José Meza, o filme de Agresti consagra uma receita de melodrama discreto, que tem agilidade para transitar entre várias platéias. Uma fórmula que tem se mostrado competente na Argentina para conquistar o público a favor de seu cinema, embora não traga nenhuma ousadia estética ou dramatúrgica.
Por Um Mundo Menos Peor conta a história de uma mulher (Mônica Galan) que viaja com suas duas filhas, para uma pequena cidade litorânea, em busca do grande amor de seu passado, que é pai de sua filha mais velha. O homem (Carlos Roffe) está escondido ali por um trauma que tem a ver com o passado político do casal e a dura repressão sofrida no período da ditadura militar.
