Em São Paulo, a abertura ocorre nesta quinta (23), apenas para convidados. As sessões para o público começam na sexta (24), também no Rio, e vão até o dia 2 de abril nas duas cidades. Depois, o evento viaja para Brasília (de 4 a 16/04) e, pela primeira vez, será realizado também em Campinas, interior de SP, de 24 a 30/04.
O grande destaque desta edição é a mostra “O Estado das Coisas – Especial A Era do Medo”, que mostrará documentários internacionais que abordam a disseminação do terror no mundo contemporâneo. “Os documentários são a melhor forma de se aproximar do estado do mundo atualmente”, afirma Labaki, “evitando a forma fragmentada como recebemos as informações”.
Dos quatorze selecionados para essa mostra, o filme Na Sombra das Palmeiras – Iraque, do australiano Wayne Coles-Janess, aborda o cotidiano no Iraque antes, durante e depois da ocupação norte-americana que derrubou Saddam Hussein. Já Ocupação: Terra do Sonho, de Garrett Scott e Ian Olds, mostra a vida dos soldados americanos em Falluja, meses antes dos ataques que destruíram a cidade. O longa foi um dos 15 pré-selecionados para o Oscar de documentário e foi premiado no Independent Spirit Award.
Para a Competição Brasileira, foram selecionados 10 títulos entre longas e médias. Entre eles, estão filmes de veteranos como Evaldo Mocarzel, que apresenta À Margem do Concreto, e Toni Venturi, com Dia de Festa, os dois abordando a questão dos sem-teto na cidade de São Paulo. Do mineiro Kiko Goifman, foi selecionado Atos dos Homens, sobre uma chacina na Baixada Fluminense, e que foi exibido recentemente no Festival de Berlim”. Já Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz, mostra a vida do cantor Herbert Viana, dos Paralamas do Sucesso, dando ênfase à sua recuperação do acidente que sofreu em 2001.
Também fazem parte desta seleção Caparaó, de Flávio Frederico, sobre a primeira tentativa de guerrilha no Brasil pós-64; Deus e o Diabo em Cima da Muralha, de Tocha Alves e Daniel Lieff, expondo a visão de funcionários sobre o extinto presídio do Carandiru; Diário de Naná, de Paschoal Samora, que retrata uma viagem do percussionista Naná Vasconcelos pela Bahia; Dona Helena, de Dainara Toffoli, sobre a falecida violeira Helena Meirelles; Pixote in Memoriam, de Felipe Briso e Gilberto Topczewski, que reconstitui a história por trás do protagonista do premiado filme de Hector Babenco; e O Profeta das Águas, de Leopoldo Nunes, recuperando o caso do místico Aparecido Galdino, perseguido pelo regime militar brasileiro.
Entre os nove curtas nacionais em competição, estão Sexo e Claustro, de Cláudia Priscilla, que mostra a trajetória de uma ex-freira espanhola que saiu da Igreja ao se envolver com outra mulher; Visita Íntima, de Joana Nin, retrata a vida de mulheres livres que mantêm relacionamentos com presidiários.
A Competição Internacional traz filmes como o finalista do Oscar Briga de Rua, de Marshall Cury; O Cabelo de Beethoven, de Larry Weinstein, que reconstrói a trajetória do famoso cacho que foi cortado da cabeça do músico alemão em seu leito de morte; El Perro Negro – Histórias da Guerra Civil Espanhola, de Peter Forgács; Guantánamo – As Novas Regras da Guerra, de Erik Gandini e Tarik Saleh; e KZ – Campo de Concentração, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance, que aborda histórias em torno do antigo campo de concentração Mauthausen, na Áustria. Ao todo, são 17 documentários neste segmento.
RETROSPECTIVAS – Outros grandes destaques da 11a edição do “É Tudo Verdade” são duas grandes retrospectivas. A obra documental do alemão Werner Herzog, pouco exibida no circuito brasileiro, ganha uma mostra abrangente, exibindo desde seus primeiros projetos, como Fata Morgana (70) e O Grande Êxtase do Entalhador Steiner (74), até os mais recentes, como Além do Azul Infinito (05) e o elogiado O Homem-Urso (05), sobre a vida e morte do ecologista e cineasta amador Timothy Treadwell, especialista nos grandes ursos castanhos, que foi morto por um destes animais.
Já o brasileiro Jorge Bodanzky é homenageado com uma mostra que exibe 13 obras, entre elas o clássico Iracema – Uma Transa Amazônica (76), co-dirigido por Orlando Senna, e Era uma Vez Iracema, que discute e completa este longa e foi incluído em seu DVD, lançado recentemente; e também Os Muckers (78), co-dirigido por Wolf Gauer.
O crítico e cineasta Jean-Claude Bernardet é homenageado com a exibição de cinco obras suas, duas delas retratos dele feitos pelos cineastas Ricardo Miranda e Kiko Mollica. O destaque nesse segmento é a trilogia que aborda o cinema paulista, co-dirigida por João Batista de Andrade, e composta por A Companhia Cinematográfica Vera Cruz (72), Eterna Esperança (71) e Paulicéia Fantástica (70). A obra de Bernardet será um dos temas da 6a Conferência Internacional do Documentário, que acontece paralelamente ao festival.
Os outros filmes exibidos no festival estão divididos em mostras paralelas. A sessão Horizonte chega à segunda edição e aborda as fronteiras da linguagem documental. O Foco Latino-Americano faz uma panorâmica da produção de documentários em países como Argentina, Chile, Cuba e Uruguai. Já a Wellesville, como todos os anos, apresenta filmes relacionados com Orson Welles, que criou a expressão “É Tudo Verdade”, que dá nome ao festival. Em 2006, serão exibidos o brasileiro Cidadão Jacaré, de Petrus Cariry e Firmino Holanda, que aborda a vida de um pescador e líder da colônia que era um dos personagens do filme inacabado de Welles feito no Brasil, It’s All True; e o sueco O Poço, de Kristian Petri, que buscar traçar a passagem do cineasta de “Cidadão Kane” pela Espanha.
As sessões do “É Tudo Verdade” são gratuitas, exceto no CCBB-RJ (R$ 4,00, inteira; R$ 2,00, meia entrada; Cine Passe, R$ 8,00, que permite entradas no cinema durante um mês inteiro). Para mais informações sobre os filmes e a programação completa do festival, acesse o site www.etudoverdade.com.br .
