Com “Histórias de Amor...”, Caio Blat diz se ‘tornar adulto no cinema’
- Por Alysson Oliveira
- 10/03/2010
- Tempo de leitura 5 minutos
Com quase 30 anos de idade – praticamente 20 deles na frente das câmeras tanto de televisão quanto de cinema – Caio Blat é um ator que não repete papeis. “Eu procuro escolher trabalhos diferentes, para diferentes públicos”, definiu o ator ao Cineweb, numa entrevista em São Paulo. Dentro dessa ideia de diversidade, a partir de sexta-feira, Blat poderá ser visto nas telas de São Paulo e Rio de Janeiro no papel de um escritor deprimido em Histórias de amor duram apenas 90 minutos, ao lado de sua mulher, Maria Ribeiro (Tropa de Elite).
“A minha safra de filmes de 2010 me permitiu ter acesso a personagens mais adultos. Até então, eu interpretava sempre jovens, adolescentes. Agora eu faço um homem de 30 anos, minha idade, que sofre uma crise existencial”, explica o ator sobre uma das razões que o levaram a aceitar o convite do roteirista Paulo Halm (A casa da mãe Joana), que estreia como diretor de cinema.
Além de Histórias de Amor..., Blat também está no elenco de Os inquilinos, de Sérgio Bianchi, em cartaz no país. Em breve, será visto em As melhores coisas do mundo, de Laís Bodanzki, com estreia prevista para abril, e Bróder, de Jefferson De, que acabou de ser exibido no Festival de Berlim, no mês passado, e deve chegar ao circuito no segundo semestre deste ano.
Blat, que além de protagonizar Histórias de Amor..., é creditado como coprodutor, confessa que é daqueles atores que gostam de se envolver em todo o processo de produção de um filme, especialmente quando são filmes autorais, independentes, de pequeno orçamento. “Eu tenho uma natureza muito participativa. Gosto de dar sugestões em tudo, na direção de arte, na trilha sonora, na montagem”. Ele explica que, para sua sorte, Halm foi um diretor muito generoso e aberto, por isso o trabalho entre os dois rendeu.
Uma das sugestões de Blat foi convidar Maria para o principal papel feminino – a mulher do protagonista. “Depois de ler o roteiro, eu comecei a pensar nela para a personagem. E quando perguntei para o Paulo [Halm] o que ele achava, ele me confessou que a queria para o papel, mas só a convidaria depois de eu ter aceitado fazer o filme”.
Ao contrário do que o ator pensava, filmar algumas cenas mais íntimas com sua própria mulher não foi tão fácil. “Somos um casal que sempre preservou nossa intimidade, mas nesse caso a gente decidiu se arriscar. A gente nunca gostou de dar entrevistas juntos, ou coisa parecida. Quando chegou a hora de filmar cenas de sexo ou mesmo algum beijo foi mais complicado. Precisamos achar um meio-termo, entre o profissional e o pessoal”, contou o ator.
O terceiro vértice do triângulo amoroso formado por Blat e Maria no longa é feito pela atriz argentina Luz Cipriota, que no cinema participou também de
Déficit, a estreia na direção do ator mexicano Gael García Bernal, inédito no circuito brasileiro e exibido em festivais no país. “O engraçado é que as cenas mais íntimas com ela eram mais fáceis, porque eu podia ser bastante técnico. Mas como eu ia dar um beijo técnico em minha própria mulher?”, diverte-se o ator, lembrando dos dilemas que enfrentou um ano atrás, quando rodou o filme.
Déficit, a estreia na direção do ator mexicano Gael García Bernal, inédito no circuito brasileiro e exibido em festivais no país. “O engraçado é que as cenas mais íntimas com ela eram mais fáceis, porque eu podia ser bastante técnico. Mas como eu ia dar um beijo técnico em minha própria mulher?”, diverte-se o ator, lembrando dos dilemas que enfrentou um ano atrás, quando rodou o filme.
Blat gosta de ressaltar que Histórias de Amor... mostra muito claramente os dilemas de muitos jovens adultos de sua idade. “Para mim, o roteiro tem uma sintonia muito grande com o mundo contemporâneo. Os jovens saem cada vez mais tarde da casa dos pais, o mercado de trabalho é incerto”.
Ampliando a galeria de personagens e diretores
A variação do tipo de personagens que Blat tanto busca permitiu também trabalhar com uma gama variada de diretores, que inclui desde o argentino Hector Babenco (Carandiru, 2003) até o pernambucano Cláudio Assis (Baixio das Bestas, 2006). A galeria de personagens em cinema e televisão é vasta e inclui também um anjo (na novela Um anjo caiu do céu, 2001), um indiano (Caminho das Índias) e até um jovem que estupra uma garota, no longa Cama de Gato, de Alexandre Stockler, em 2002.
“Eu tenho uma lista de diretores com quem quero trabalhar pelo menos uma vez na minha carreira. E, felizmente, estou conseguindo ‘riscar’ muitos nomes de lá. Tenho feito filmes com alguns dos cineastas brasileiros mais importantes da atualidade”, orgulha-se. A filmografia do ator também inclui Luiz Fernando Carvalho (Lavoura Arcaica, 2001) e Cao Hamburguer (O ano em que meus pais saíram de férias, 2006).
O que leva Blat a escolher um personagem, além da possibilidade de trabalhar com um diretor, é o desafio. “O bom ator tem que gostar de se sentir desafiado, tem que ter medo. Quero me reinventar. A segurança é uma armadilha para o ator”. Para superar esse medo, ele revela ter alguns artifícios. “Para descobrir o personagem, eu tento viver como ele, passo a frequentar os lugares a que ele iria, comer a comida que ele comeria”.
Para fazer Bróder, o ator chegou a morar um tempo no bairro de Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. “Eu não tinha como interpretar o personagem sem saber como são de verdade aquelas pessoas. A troca de olhares já diz como uma pessoa vai te cumprimentar. Isso não se ensina, a gente ‘pega’ isso com a convivência”.
O próximo desafio de Blat será interpretar um dos assaltantes ao Banco Central de Fortaleza em 2005, sob a direção do ator e diretor de novelas Marcos Paulo. O longa começa a ser rodado no próximo mês em Fortaleza e em estúdio, no Rio de Janeiro. O elenco também contará com Seu Jorge (Casa de areia), Gero Camilo (Hotel Atlântico) e Cássio Gabus Mendes (Se eu fosse você 2). “O filme será uma ficção que trabalha a partir dos fatos que sabemos sobre o assalto e inventa o que existe de lacuna na história”, antecipa.
