06/06/2026

“Aqui as pessoas são mais felizes do que na França”, diz Vincent Cassel

Vincent Cassel está tão à vontade no Brasil, que, confessa, prefere ser chamado de Vincente: “Soa mais natural aqui, é mais fácil e eu gosto também”. O ator, sua mulher, a italiana Monica Bellucci, e os dois filhos do casal mudaram-se para o Rio de Janeiro há um ano, porque o ator gosta do modo de vida daqui. "Eu amo o Rio de Janeiro, não consigo me imaginar vivendo em outra cidade do Brasil”.

por Alysson Oliveira

Vincent Cassel está tão à vontade no Brasil, que, confessa, prefere ser chamado de Vincente: “Soa mais natural aqui, é mais fácil e eu gosto também”. O ator, sua mulher, a italiana Monica Bellucci, e os dois filhos do casal mudaram-se para o Rio de Janeiro há um ano, porque o ator gosta do modo de vida daqui. Numa entrevista para o lançamento no Brasil do suspense Em Transe, Cassel explica, num português quase sem sotaque e completamente sem erros, que não moraria em outra cidade. “Não dá para viver nos Estados Unidos agora. A Inglaterra me dá tristeza. Eu amo o Rio de Janeiro, não consigo me imaginar vivendo em outra cidade do Brasil”.

No entanto, ele diz que sempre será francês, apesar de ter “muita gente na França que não é feliz com o país. O patriotismo francês está se ligando à extrema direita. Se uma pessoa pendura uma bandeira na janela, todo mundo assume que ali mora alguém dessa posição política. Aqui, no Brasil, é diferente. As pessoas são mais felizes.”

Cassel conta que tem projetos para filmar no Brasil, com Cacá Diegues, e também outras duas produções estrangeiras faladas em português. Mas, quando perguntando se faria TV, ele responde com um categórico “não”. A partir de sexta (3), ele pode ser visto nas telas nacionais no suspense britânico Em Transe, de Danny Boyle. “O que me leva a escolher os filmes que quero fazer são os diretores. Um bom diretor dá um jeito num roteiro ruim. Já um diretor ruim pode estragar um roteiro bom”. Cassel aponta que Boyle ficou famoso com Trainspotting no mesmo ano que
O ódio, de Mathieu Kassovitz, em que ele atua – um dos filmes mais importantes da carreira do ator – foi lançado na França. “Muita gente chama de Trainspotting francês”.

O que mais lhe chamou a atenção ao trabalhar com Boyle foi o trato com o elenco. “Ele é um diretor que veio do teatro, tem um jeito orgânico de trabalhar com os atores”, explica. No filme, Cassel faz um gângster que, ao longo da história, sofre algumas transformações, é um vilão, mas com nuances e ambiguidades. “Ele é humanizado, acaba se transformando num herói romântico. Mas acho interessante também que a personagem mais forte do filme é uma mulher [interpretada pela norte-americana Rosário Dawson]”.