Atriz Ludmila Dayer aborda síndrome do pânico em documentário
Estreando na direção, a atriz faz um retrato pessoal de sua jornada de autodescoberta, no longa que estreia na plataforma Aquarius
- Por Alysson Oliveira
- 28/06/2023
- Tempo de leitura 3 minutos

Fernanda Souza e Ludmila Dayer, nas filmagens de Eu (Crédito: Divulgação)
Já em seu primeiro filme, quando tinha apenas 11 anos, Ludmila Dayer entrou para a história do cinema brasileiro. Ela interpreta a garotinha Yolanda em Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, que, em 1995, marcou a Retomada do cinema brasileiro. Ela lembra com carinho desse momento, e diz já ter percebido ali que queria ser diretora de cinema. “Eu queria estar no lugar da Carla”, diverte-se, relembrando aquele período em entrevista ao Cineweb.
Agora, esse sonho se realiza com o documentário Eu, que estreia na plataforma de streaming Aquarius nessa quinta (29/6). O filme é sobre a jornada pessoal de Dayer quando precisou lidar com a síndrome do pânico. “Produzir, dirigir e montar o filme foi uma terapia para mim. Acabou sendo um processo muito introspectivo de me descontruir e construir algo novo”.
Ela explica que, incialmente, não estaria no centro do filme, seriam apenas entrevistas sem sua narração em off costurando os depoimentos e explicando seu processo para aprender a lidar com a síndrome. No filme, estão presentes profissionais de diversas áreas que ajudaram Dayer nesse caminho. Da psiquiatra Eleanor Luzes à xamã Max Tóvar, todos trazem suas perspectivas sobre o assunto.
“Essas pessoas têm formações e experiências diferentes mas, no fundo, indicam a mesma coisa: tudo está dentro da gente, é preciso se voltar ao próprio eu. Sou muito aberta às possibilidades, por isso procurei vários tipos de terapias diferentes. Mas cada um tem sua preferência, acho que, por isso mesmo, o filme, ao trazer essa diversidade, dialoga com muita gente.”
Dayer é corajosa no longa, contando não apenas sobre sua experiência com a síndrome do pânico, mas também sobre a ausência do pai, que, conforme mostra, foi uma questão importante nesse processo de aprender a lidar com as dores e poder seguir em frente de maneira mais saudável.
“Com o filme, eu queria mostrar às pessoas que existe luz no fim do túnel. Quando você passa por uma situação difícil, como passei, há uma sensação de impotência e fragilidade. E, por mais que os amigos e a família te amem, é algo que só você pode enfrentar”.
Vivendo em Los Angeles desde 2006, onde tem uma produtora, Dayer explica que sempre quis dirigir. Havia um projeto de ficção em vista quando Eu, como ela diz, se impôs. Colocar-se em primeira pessoa, falando de suas experiências, não era, também, exatamente, uma ideia inicial. “Isso aconteceu na fase da montagem, que fiz com meu amigo Thales Côrrea. Eu tinha uma primeira versão do filme, e vi que não tinha como fazer de outro jeito, e aí me coloquei.”
Durante esse processo de edição, em 2021, a diretora conta que, num momento, parou de trabalhar no filme por seis meses por um problema de saúde. Quando retornou ao projeto, o filme assumiu, finalmente, a forma que tem agora.
Entre suas inspirações para fazer cinema, Dayer conta que, além de Camurati, está Helena Solberg, com quem fez Vida de Menina, em 2003. “Eu tenho muita admiração por elas. E minha experiência como atriz também me ajudou como diretora. Em ambos os casos, você mexe muito com as emoções.”
Antes do lançamento na plataforma de streaming, ela confessa que queria exibir no cinema. “Sou cria do cinema, para mim não tem nada como a magia da tela grande. Fico feliz que mais de mil pessoas já viram o filme nas sessões especiais e pré-estreias no Rio e São Paulo. Agora, chegando no streaming, o filme fica acessível a mais pessoas ainda. Fico muito feliz, pois fiz o documentário com a intenção de mostrar que há diversas ferramentas para lidar com questões de saúde mental. Queria mostrar que há esperança.”
