Petrus Cariry busca a esperança em “A Praia do Fim do Mundo”
- Por Alysson Oliveira
- 02/09/2025
- Tempo de leitura 3 minutos
Petrus Cariry, que também assina a fotografia do seu filme (Crédito: Divulgação)
“Todo filme que eu dirijo, até segunda ordem, é preto e branco”, brinca o cineasta e diretor de fotografia cearense Petrus Cariry, em entrevista ao Cineweb. Muitos de seus filmes são de um colorido deslumbrante, como O Barco e o recente Mais Pesado É o Céu. A Praia do Fim do Mundo, no entanto, seguiu os primeiros instintos do diretor, que também assina a fotografia. É um longa em preto e branco, mas isso não é mero exibicionismo estético, faz sentido para essa história de um mundo ruindo que não haja cores fortes, mas tons de preto, branco e cinza. O filme chega aos cinemas nessa quinta (04/09).
O longa foi rodado em 2021, ainda durante a pandemia, o que implicava em muitos cuidados no set e testes constantes com a equipe. “Eu escrevi esse roteiro muito rápido no começo do lockdown. Muita gente estava morrendo naquele momento, vivíamos dias de desespero, e essa sensação entrou no filme.”
O roteiro foi escrito por Petrus e Firmino Holanda, seu parceiro em diversos roteiros e, também, na montagem de vários trabalhos seus – inclusive aqui. “É um processo que temos de escrever e montar o filme juntos. Eu brinco que na montagem surge um segundo roteiro e muita coisa muda nesse momento.”
Mesmo que o filme seja uma espécie de fruto da pandemia, Petrus vê nele algo de esperançoso, especialmente por contar com uma personagem grávida. “Ela é a possibilidade de um futuro. A figura de uma baleia é, também, fundamental nesse filme, e, simbolicamente, ela representa a vida, o recomeço.”
No longa, Marcélia Cartaxo vive Helena, uma mulher que mora numa casa perto de uma praia com sua filha, a ambientalista Alice (Fátima Macedo). O lugar está sendo destruído pela maré que cada vez avança mais, mas Helena se recusa a abandonar sua casa.
Marcélia Cartaxo, em cena de A Praia do Fim do Mundo (Crédito: Divulgação)
Petrus conta que sempre quis trabalhar com Marcélia, e escreveu o personagem pensando nela, embora Helena seja mais velha que a atriz. “Ela se transforma em qualquer figura. Eu me lembro de vê-la em A Hora da Estrela, quando eu era jovem, e a interpretação dela me marcou muito. Sempre quis fazer um filme com ela.”
Marcélia, como sempre, brilha na tela como essa mulher de poucas palavras e rosto marcado pelos anos (graças à caracterização da maquiagem). Uma das coisas mais interessantes no filme é como encontra-se um equilíbrio entre ela e a jovem atriz Fátima Macedo.
Isso, explica Petrus, é fruto do trabalho em equipe e da afinação entres as atrizes. Ele também conta que muito do roteiro veio de sugestões das três atrizes principais – além de Marcélia e Fátima, o filme também traz Larissa Góes, num papel central. “É um filme sobre mulheres, e foi escrito por dois homens, então, estávamos muito abertos àquilo que elas tinham a nos dizer, a mudar nas personagens. Não podia ser diferente.”
Outro elemento importante no longa é o som. O diretor conta que a montagem do filme foi rápida, mas o desenho de som levou um mês e meio para ser realizado, isso por que a narrativa nos leva para dentro de uma casa e há o mar que está prestes a engolir, e tudo isso precisava ser trabalhado no som, cujo desenho é assinado por Érico Paiva, e a captação direta por Moabe Filho e Pedrinho Moreira. “O trabalho deles foi fundamental na construção do filme, pois os sons são tão importantes quanto as imagens aqui. Tudo nesse filme foi uma construção coletiva.”
