Carla Ribas brilha como a sonhadora Dolores
- Por Alysson Oliveira
- 01/06/2026
- Tempo de leitura 2 minutos
Carla Ribas, como Dolores, uma mulher que sonha em ter um cassino (Crédito: Mujica Saldanha/Divulgação)
Carla Ribas trabalhava como programadora visual, mas ficava fascinada com sua irmã fazendo teatro. Dizia aos colegas e à família que um dia abandonaria tudo para estudar artes cênicas. E, aos 35 anos, fez exatamente isso. “Deixei o trabalho e me matriculei na CAL [Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro]. Aí foi um caos, o casamento acabou, os filhos ficaram revoltados,” conta divertindo-se. Ela seguiu com a carreira, tornou-se uma atriz renomada no teatro e mo cinema, além de ganhar diversos prêmios. Já sua irmã, se tornou professora de filosofia.
Recordada essa virada na sua vida e a busca pelo sonho, que Ribas explica como compreendeu sua nova personagem, Dolores, protagonista do filme homônimo de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes. “Ela tem um sonho concreto, e eu sei o que é isso. As pessoas podem achar absurdo, mas eu a entendo, por que passei por essa experiência quando fui estudar atuação.”
Dolores quer ter seu próprio cassino. Jogadora inveterada, ela não mede esforços nas apostas para conseguir o dinheiro para comprar um estabelecimento. Enquanto isso, ganha dinheiro costurando lingeries com a filha (Naruna Costa), e vendendo as peças na porta da cadeia. Já sua neta (Ariane Aparecida) trabalha numa loja de armas, e se envolve num esquema arriscado. “Trazer essa personagem à tela é um trabalho de extrema sensibilidade.”
Naruna Costa, Carla Ribas e Ariane Aparecida, em cena de Dolores (Crédito: Joana Luz/Divulgação)
Dolores foi um projeto concebido por Chico Teixeira, cineasta morto em 2019. O longa fecha uma trilogia formada por Ausência (2014) e Casa de Alice (2007), longa que lançou Ribas no cinema e lhe rendeu mais de dez prêmios. “O Chico havia me mandado o roteiro pouco antes de morrer, e eu já achei uma história muito emocionante. Ele foi um cineasta que me deu todas as condições para entregar o meu melhor desde o primeiro trabalho que fizemos juntos.”
Como em A Casa de Alice, Dolores dá protagonismo a uma mulher madura, com complexidade e nuances. Ribas conta que, desde o primeiro filme até esse, nota mudanças na representação e interesse do cinema nas mulheres maduras. “A população dessa faixa etária está crescendo, e é também um público de cinema que quer se ver representado na tela.”
A dona do cassino que Dolores quer comprar é interpretada por Zezé Motta, e Ribas destaca a presença da atriz e cantora e os avanços que a personagem representa. “A Dolores quer ser ela [a personagem de Motta], aquela mulher linda, cheia de glamour e de dinheiro. Isso também significa um avanço da representação das personagens negras, que até há pouco tempo só faziam empregadas e escravizadas, em filmes de época.
Dolores chega aos cinemas nesta quinta-feira (4/6).
