Dia marcado pela direção de mulheres
- Por Neusa Barbosa, de Belo Horizonte
- 28/09/2023
- Tempo de leitura 2 minutos
Belo Horizonte - O segundo dia do festival Cine BH foi marcado por filmes dirigidos por mulheres.A mostra competitiva Territórios decolou com um notável documentário da estreante Sofia Paoli Thorne, a produção paraguaia/argentina Guapo’y - palavra guarani que designa uma árvore que, na história, simboliza a resistência dos presos políticos da ditadura paraguaia de Augusto Stroessner na prisão de Emboscada, nos anos 1970.
O filme acompanha uma extraordinária personagem, a musicista Celsa Rodas Martínez, sobrevivente dos cárceres paraguaios, assim como sua mãe, Maria Lina Rodas, e seu filho, Derlis Jr., nascido na prisão. O marido de Celsa, Derlis Ramírez, é um dos muitos desaparecidos do regime Stroessner.
Denunciando crimes daquela que foi a mais longa ditadura do continente (35 anos), Guapo’y descreve um processo de cura, acompanhando os gestos de Celsa, conhecedora das propriedades de inúmeras plantas e ervas do jardim de sua casa, em Itá, no interior do Paraguai, e que ela é capaz de transformar em chás e unguentos que proporcionam alívio às sequelas das torturas que ela sofreu. Graças a estes tratamentos fitoterápicos, Celsa foi capaz de curar uma grave artrose nas mãos, o que lhe devolveu a capacidade de tocar a harpa de sua juventude, interpretando “Índia” nos créditos finais deste filme que foi premiado nos festivais IDFA (melhor primeiro filme), Málaga (melhor direção de documentário) e Uruguai (melhor filme na competição Direitos Humanos).
Em outra mostra, Continente, esta não-competitiva, um destaque foi a produção mexicana El reino de Dios, da diretora Claudia Saint-Luce, um sensível retrato do amadurecimento de Neimar (Diego Armando Lara Lagunes), um garoto de 8 anos, às vésperas da Primeira Comunhão e que descobre os limites da religião para compensar suas perdas pessoais.
Outra atração da mostra Continente foi o documentário brasileiro Nada sobre meu pai, de Susanna Lira, que narra a busca da diretora por seu pai, um jovem guerrilheiro equatoriano que viveu brevemente no Brasil dos anos 1970 e que ela nunca conheceu.
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