Almodóvar ganha Leão de Ouro e filme de Walter Salles obtém melhor roteiro
- Por Neusa Barbosa, de Veneza
- 07/09/2024
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Veneza - Finalmente, Pedro Almodóvar levou em Veneza o prêmio mais importante da noite, o Leão de Ouro, para seu primeiro filme em inglês, The room next door - que ele disse ter um “espírito espanhol”. Ele dedicou o prêmio às suas duas atrizes, Tilda Swinton e Julianne Moore, que “realizaram um milagre diante da câmera", afirmou. "Nunca terei palavras suficientes para agradecê-las”.
A premiação de melhor roteiro para o filme brasileiro Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, foi bastante justa, mas algo decepcionante. Afinal, se esperava bem mais pela recepção e as boas críticas ao filme, estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello. Os roteiristas que adaptaram o livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, Murilo Hauser e Heitor Lorega, dedicaram o prêmio a Fernanda e encerraram com a fala: “Viva o cinema brasileiro”. Ainda assim, o saldo é bom para o filme de Walter Salles, que iniciou aqui um périplo por festivais internacionais, como Toronto e Londres, e deve batalhar indicações para o Oscar 2025.
A França, país da presidenta do júri Isabelle Huppert, levou dois prêmios de interpretação masculina - a Copa Volpi de melhor ator para o veterano Vincent Lindon, pelo ótimo drama Jouer avec le Feu, das diretoras Muriel e Delphine Coulin, que aborda a destruição de uma família operária pela infiltração da extrema-direita; e o jovem Paul Kircher,intérprete de Les Enfants après Eux, que ficou com o prêmio Marcello Mastroianni de melhor jovem ator, num filme muito irregular sobre a juventude de uma pequena cidade.
A melhor atriz foi Nicole Kidman, por Babygirl, de Halina Reijn, num papel erótico que exigiu muita entrega e em que ela atuou muito bem. A nota triste foi que a mãe da atriz morreu hoje, motivando sua ausência na premiação e mandando uma nota que foi lida pela diretora holandesa na cerimônia.
Como se esperava, a produção georgiana April, segundo filme da diretora Dea Kulumbegashvili, ficou com uma premiação importante, o Prêmio Especial do Júri, bastante merecido pela densidade e o empenho de linguagem. O Grande Prêmio do Júri ficou para outra mulher, a italiana Maura Delpero, pelo bom filme de época Vermiglio, um retrato de uma aldeia no final da II Guerra Mundial.
Um prêmio esperado, mas na minha opinião bastante discutível, foi o Leão de Prata de direção para The Brutalist, do norte-americano Brady Corbet - que fez um dos discursos mais longos - e chatos - da noite.
