Brasileiro "O Último Azul" vence Grande Prêmio do Júri em Berlim
- Por Orlando Margarido, especial para o Cineweb
- 22/02/2025
- Tempo de leitura 3 minutos
Berlim - Quase, mas ainda não foi dessa vez que um concorrente brasileiro garantiu o tricampeonato no Urso de Ouro, o principal prêmio da Berlinale, que o Brasil conquistou em 1998 (Central do Brasil) e 2008 (Tropa de Elite). O prêmio principal, de certa forma, foi uma surpresa ao ser dado ao norueguês Dreams (Sex Love), de Dag Johan Haugerud. De todo modo, O Último Azul, de Gabriel Mascaro, saiu com o Grande Prêmio do Júri, o segundo na escala de importância. O diretor pernambucano pode se gabar de ter tido maior reverberação do que seus antecessores recentes que integraram a competitiva. Recebeu boas críticas, a melhor cotação da tabela tradicional da revista Screen e, entre os prêmios independentes anunciados esta manhã, mereceu o Ecumênico e o de leitores de um jornal local (Berliner Morgenpost).
No atacado, o time comandado por Todd Haynes fez um bom trabalho. Valorizou obras de cunho autoral, pequenas jóias como o argentino El Mensaje, de Iván Fund, vencedor do prêmio do júri; o chinês Living the Land, melhor direção para Huo Meng; e o romeno Kontinental’25, melhor roteiro para Radu Jude.
A estranheza, no entanto, marcou pontualmente algumas escolhas. Era certa a opção por uma atriz, e havia muitas merecedoras, na única categoria de interpretação, que há alguns anos foi unida sem mais a separação de gênero. Rose Byrne é, sem dúvida, a alma do filme norte-americano If I Had Legs I’d Kick You, mas num tom histriônico, histérico mesmo, que incomodou muitos jornalistas por aqui.
Há certo antagonismo na performance contida, boa, de Andrew Scott, o escolhido para o prêmio de coadjuvante. Acontece que a força maior em Blue Moon, de Richard Linklater, está no protagonismo de Ethan Hawke, provavelmente não considerado pelo evidente domínio das mulheres nessa edição. O próprio norueguês tem a liderança feminina na história da garota que se apaixona por sua professora. Lembrem-se da questão identitária, no caso do amor lésbico, que aos poucos foi aparecendo na seleção artística de Tricia Tuttle. Com o viés, nem sempre a qualidade se impunha sobre a temática. Um dos exemplos mais emblemáticos foi do franco-suíço La Tour de Glace
que recebeu o que parece ser um prêmio de consolação de contribuição artística,
e sobretudo enigmático pela justificativa de “creative ensemble”, ou seja, uma união de criatividade. O primeiro ano da nova diretora sugere um escopo por enquanto muito fechado, o que resultou numa seleção mediana. A ver o que se dá na Berlinale de 2026, numa Alemanha que amanhã vai às urnas para escolher seu novo primeiro-ministro, com boas chances da extrema direita chegar ao poder.
Prêmios independentes
O Brasil esteve representado também nas premiações de mostras paralelas. O filme de Lucia Murat, Hora do Recreio, mereceu uma menção especial do júri da Generation 14plus.
Entre os prêmios alternativos está o da Fipresci, que reúne criticos de todo o mundo, e escolheu, na competição, Dreams (Sex Love), o vencedor norueguês do Urso de Ouro, e homônimo do longa de Michel Franco;
Bajo las Banderas, El Sol, documentário paraguaio sobre o ditador Alfredo Stroeesner que integrou a seção Panorama; e o peruano La Memoria de las Mariposas, no Fórum.
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