Bong Joon-ho conecta sua fantasia pop “Mickey 17” à realidade atual
- Por Orlando Margarido, especial para o Cineweb
- 16/02/2025
- Tempo de leitura 2 minutos
Um hiato de seis anos separa Parasita, de Mickey 17, o novo filme do sul-coreano Bong Joon-Ho exibido na seção Berlinale Special. Em parte, a razão está na megaprodução que se vê na tela, uma ficção científica com variados subgêneros, do cômico à fantasia trash, com uma piscadela ao contexto e a personagens da atualidade.
Outra possível justificativa à longa realização e ao lançamento tardio veio à tona com o bastidor do embate entre o diretor e a Warner pelo direito ao último corte. Os estúdios chegaram a anunciar a estreia do filme nos Estados Unidos para janeiro, período nulo que afunda a bilheteria de qualquer produção comercial. Depois reagendou para março, mesma previsão para o Brasil, onde deve estrear dia 6.
Pelo que o diretor garantiu também aqui na Berlinale, a disputa terminou em acordo e Bong Joon-Ho diz ter tido a última palavra. O fato é que sua divertida extravagância visual e delirante chega com duas horas e 17 minutos, duração excessiva que faz o filme rodar em falso, com situações repetitivas e gags esticadas. O preceito da trama, baseada em livro homônimo de Edward Ashton, tem seu apelo, num futuro em que humanos são descartados em série por uma empresa de tecnologia. Um desses descartáveis é o personagem de Robert Pattinson, o Mickey 17, por acaso salvo pelo interesse do dono em testá-lo para o experimento de retomar sua memória depois de ressuscitá-lo. Ou seja, ele morre, mas se tudo der certo retorna com tudo intacto. O empreendedor, digamos, quer com esses novos seres tentar povoar um planeta gelado.
Mark Ruffalo tem o tipo, os trejeitos e o discurso de conhecido bilionário que povoa os sonhos da extrema-direita e agora tem assento na Casa Branca. É, obviamente, Elon Musk. A ótima Toni Collette interpreta a mulher do tresloucado e, assim como todo o elenco, parece ter se divertido mais do que talvez o público consiga. Para os fãs da vertente de fantasia do realizador de O Hospedeiro, deve haver mais conexão, agora com as estranhas e bizarras criaturas em formato de vermes gigantes.
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