Linklater encanta Berlim com "Blue Moon"
- Por Orlando Margarido, especial para o Cineweb
- 19/02/2025
- Tempo de leitura 2 minutos
A 75ª Berlinale é das mulheres, mas foi um homem, um ator, uma personagem que se define como plurisexual, que se impôs hoje na reta final da competição. Blue Moon, do norte-americano Richard Linklater, dificilmente deve ser superado no quesito surpresa pelos últimos três títulos programados até amanhã à noite.
O diretor das simpáticas comédias juvenis e dramas leves românticos deu continuidade aos projetos com seu ator-fetiche Ethan Hawke para subir, e como, um patamar na maturidade artística. Lança mão da tradição dos musicais populares da Broadway e nos apresenta uma única face, num momento específico, de um dos letristas mais respeitados dos gênero.
Lorenz Hart é seu nome. Formou com Richard Rodgers famosa dupla nos palcos entre os anos 1920 e 1940 e compôs clássicos como o que dá título ao filme, The Lady Is a Tramp, My Funny Valentine, Manhattan…. O filme se fecha numa noite de 1943 em que Rodgers, já distanciado do parceiro, lança Oklahoma! com sucesso. Hart, numa mistura de desprezo e despeito, abandona a estreia e busca refúgio no bar habitual onde todos irão comemorar a noite. Um único cenário e a câmera todo o tempo em Hart/Hawke, numa batalha de verborragia cínica e bem humorada, tomam conta dos 100 minutos do longa. Se há o plano-sequência para definir um conceito de tomada, aqui se poderia falar de um diálogo-sequência, como o que acontece no balcão entre o protagonista e o barman logo no início. Hawke, transformado pela maquiagem como um tipo sedutor mas não necessariamente bonito, e baixinho como era Hart, está impressionante. Dificilmente, contudo, deve levar o Urso de Prata de melhor interpretação. Isso porque na Berlinale não há mais a divisão entre ator e atriz. Um único prêmio reconhece o talento de um intérprete. E será uma surpresa se não for para uma atriz, e há mais de uma opção, numa seleção que as valoriza. Mas se tivemos a ótima surpresa de Linklater, quem sabe o júri presidido por seu compatriota Todd Haynes vá além e contemple Blue Moon com o Urso de Ouro. Qualidade para tanto o filme tem.
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