05/06/2026

CineOP realiza 20ª edição e cria mostras competitivas

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto comemora duas décadas de trajetória consolidando-se como o único evento do país voltado à preservação, história e educação. A 20ª edição acontece de 25 a 30 de junho, na cidade histórica de Ouro Preto, Patrimônio Cultural da Humanidade.

Com programação gratuita, presencial e online, a CineOP promove uma conexão entre passado, presente e futuro, tendo o cinema brasileiro como eixo de reflexão crítica e fortalecimento democrático, segundo os organizadores. Os espaços que receberão o público em Ouro Preto incluem a Praça Tiradentes, o Centro de Artes e Convenções da UFOP e o Cine-Museu da Inconfidência. No ambiente digital, parte das sessões e atividades poderá ser acompanhada pela plataforma do evento.

Ao longo de seis dias, o público poderá assistir a 144 filmes (30 longas, 1 média e 116 curtas-metragens), produzidos em 10 estados brasileiros (MG, RJ, SP, PE, CE, ES, BA, AM, PR, RN) e 5 países (Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Estados Unidos). As exibições estão organizadas em 12 mostras: Histórica, Competitiva, Contemporânea Longas, Contemporânea Curtas, Educação, Valores, TV UFOP, Preservação, Mostrinha, Cine-Escola, Cine Concerto e Itaú Cultural Play.

A sessão de abertura, no dia 26/6, às 19h30 na Praça Tiradentes, exibe curtas emblemáticos como A Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal (Carla Camurati, foto acima), A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti (Anna Muylaert) e A Má Criada (Sung Sfai). Entre os filmes programados na Mostra Histórica e Preservação, está A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla, 1969), em cópia restaurada, com todo seu humor tropicalista e atuação marcante de Helena Ignez.

Filmes em exibição

Uma das grandes inovações desta edição é a criação da Mostra Competitiva, com uma seleção de cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo – daí a mostra estar intitulada Arquivos em Questão.

Entre os cinco filmes programados na competição, dois deles são centrados em figuras históricas do cinema brasileiro: Luís Sérgio Person e Jean-Claude Bernardet, com Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Melo; e Jorge Bodanzky por ele mesmo, em parceria com Liliane Maia, em Um Olhar Inquieto, ambos documentários nos quais a memória de hoje em relação ao passado estão carregadas de afeto e de informações. Os outros três incluem fenômenos culturais e sobrenaturais, em Itatira, de André Luís Garcia; fenômenos sociais, com Paraíso, de Ana Rieper; e uma investigação sobre vida e morte em família em Meu Pai e Eu, de Thiago Boulin.

A proposta é ampliar o debate sobre como o cinema pode reinterpretar o passado com sensibilidade estética, crítica política e inovação formal. Um júri composto por Alex Moura, diretor do Museu da Inconfidência; Marcus Mello, pesquisador e programador de cinema (Cinemateca Capitólio), e Sheila Schvarzman, historiadora e professora na Universidade Anhembi Morumbi, vai escolher o filme mais destacado da seleção para receber o Troféu Vila Rica no encerramento do evento.

Mostra Contemporânea

Além da competitiva Arquivos em Questão, a curadoria de longas-metragens de Cleber Eduardo e Rubens Fabricio Anzolin criou a mostra Construindo Memórias, também com filmes contemporâneos que, com ou sem arquivos, contribuem para a promoção da cultura cinematográfica brasileira e com a cultura brasileira de qualquer área. Os filmes 3 Obás de Xangô (Sérgio Machado), O Silêncio de Eva (Elza Cataldo) e Brasilianas: O Musical Negro que Apresentou o Brasil ao Mundo (Joel Zito Araújo) promovem reflexões sobre memória, identidade e criatividade a partir de figuras emblemáticas, entre elas Jorge Amado, Dorival Caymmi, Carybé, Eva Nill e a companhia musical Brasilianas.

3 Obás de Xangô trata da amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé usando correspondências e arquivos para revelar a essência da baianidade. O Silêncio de Eva resgata a trajetória de Eva Nill, atriz do cinema silencioso de Cataguases (MG) nos anos 1920, por meio de fotos, recriações e entrevistas. Por fim, Brasilianas: O Musical Negro que Apresentou o Brasil ao Mundo documenta o sucesso internacional de uma companhia musical negra entre os anos 1950 e 1970 usando arquivos e memórias e refletindo representações raciais.

Mostra Preservação

A programação homenageia instituições fundamentais para a preservação audiovisual: os 95 anos do estúdio Cinédia, os 50 anos da Cinemateca de Curitiba, os 40 anos do Centro Técnico do Audiovisual (CTAv) e os 10 anos da Cinemateca Capitólio de Porto Alegre. Entre os destaques, estão o longa restaurado Alô Alô Carnaval (1936), de Adhemar Gonzaga e protagonizado por Carmen Miranda; curtas de Annibal Requião (Cinemateca de Curitiba), o curta do projeto Digitalização Viajante (CTAv) e Crônica de um Rio, de Antônio Carlos Textor (Cinemateca Capitólio). Essas obras, provenientes de acervos históricos, exemplificam a reutilização de arquivos para resgatar contextos e memórias.

A mostra também apresenta uma seleção de obras brasileiras recentemente digitalizadas ou restauradas, inscritas via chamada pública, refletindo o crescimento e a diversidade dos projetos de restauração no Brasil impulsionados por iniciativas como a Lei Paulo Gustavo. Entre os filmes, há os curtas Na realidade…, Eunice, Clarice, Thereza e Atenção: Perigo, além dos longas O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil (1971), de Antônio Calmon, que explora o tropicalismo, a crítica ao consumismo e a alienação cultural como alegorias de desconforto social da ditadura militar num tom satírico; e A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, que segue a vida e as escolhas da personagem principal, vivida por Helena Ignez, e a forma como ela desafia as normas sociais da época.

Além destes, a Temática Preservação exibe curtas da cineasta norte-americana Abigail Child, que exploram identidade, gênero e memória por meio de imagens de acervos variados. Como complemento à mostra presencial, uma pequena mostra online composta por três obras inclui dois episódios da série /lost+found, concebida pelo preservador Hernani Heffner, com o primeiro dedicado ao ex-diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa, e o segundo sobre Raquel Hallak, CEO da Universo Produção e idealizadora da CineOP; e o curta Os Cinemas Estão Fechando, parte do projeto de restauração das obras de Abrão Berman pelo Museu da Imagem e Som de São Paulo.

Mostra Educação

Com o tema “Lugares de Memória: Acervos e Acessos”, a programação da Mostra Educação destaca a relação inventiva entre audiovisual, educação e memória. Com foco em escolas e suas comunidades, a curadoria, assinada pela Rede Kino, enfatiza experimentações sonoras e imagéticas que recriam memórias individuais e coletivas, conectando arquivos, acervos e práticas pedagógicas.

A programação inclui curtas de animação, ficção, documentários, filmes-carta, videoclipes e ensaios experimentais, divididos em duas sessões: uma voltada para infâncias e outra para jovens em diferentes contextos. As obras recriam memórias por meio de fotografias, vídeos, oralidades e ancestralidades e tratam de temas desde emoções pessoais até a construção dinâmica da história das instituições escolares.

O humor das mulheres no cinema brasileiro

A 20ª CineOP propõe uma reflexão sobre o papel do humor no cinema brasileiro a partir da perspectiva das mulheres, destacando suas trajetórias tanto na atuação quanto nos bastidores das produções. Em um campo historicamente dominado por homens, as mulheres enfrentaram diversos desafios para ocupar esse espaço e transformar a linguagem cômica em uma poderosa ferramenta de resistência, subversão de estereótipos e ampliação das possibilidades narrativas. A mostra evidencia a evolução que permitiu às artistas não apenas interpretar, mas também criar suas próprias narrativas cômicas com autonomia e inovação.

O festival promove uma homenagem à atriz Marisa Orth, ícone do humor brasileiro, reconhecida pela versatilidade e por personagens que criticam ironicamente as representações femininas no audiovisual. Carreira multifacetada, transita entre o cômico e dramático, televisão, teatro e cinema.

Prêmios Preservação e Educação

Na temática da preservação, a 20ª CineOP reafirma seu pioneirismo como espaço de reflexão, articulação e visibilidade para as práticas e os profissionais da preservação audiovisual brasileira. Destaca a urgência de enfrentar os desafios contemporâneos da área, como a adoção de novas tecnologias, o fortalecimento de políticas públicas e a ampliação do acesso aos acervos.

Como parte das comemorações pelos 20 anos da CineOP, a mostra cria o Prêmio Preservação, voltado a reconhecer iniciativas e trajetórias de destaque na salvaguarda do patrimônio audiovisual brasileiro. Em sua primeira edição, o prêmio será concedido ao professor João Luiz Vieira, referência nacional na área, por sua atuação incansável na formação de profissionais, no fortalecimento de redes colaborativas e na defesa de políticas públicas para a preservação audiovisual. Coordenador do LUPA – Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual, pioneiro na valorização de acervos amadores e regionais, e integrante ativo da Rede Universitária de Acervos Audiovisuais (RUAAv), João Luiz Vieira é homenageado por sua contribuição fundamental à consolidação de uma cultura de preservação no Brasil.

Também dentro das homenagens aos 20 anos da CineOP, será concedido o Prêmio Cinema e Educação à socióloga e educadora Maria Angélica Santos, em reconhecimento à sua trajetória marcada pelo compromisso com a formação de uma geração crítica e criativa por meio do cinema nas escolas. Referência nacional na área da alfabetização audiovisual, Maria Angélica coordenou o Programa de Alfabetização Audiovisual da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e é membro ativo do GT Cinema-Escola, grupo que atua na formulação de políticas públicas para garantir o acesso ao cinema no ambiente escolar. Sua atuação inclui ainda a participação em debates fundamentais sobre a implementação da Lei 13.006/2014 e sobre a construção do Plano Nacional de Cinema na Escola, contribuindo de forma decisiva para consolidar o cinema como linguagem e ferramenta pedagógica.

Debates e encontros

A CineOP realiza dois encontros de grande importância para o setor audiovisual - 20º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e do Encontro da Educação: XVII Fórum da Rede Kino. Ambos são espaços estratégicos para articulação de políticas públicas, definição de ações para o setor e promoção do cinema como ferramenta de transformação social e reafirmam a missão da CineOP de ser mais que um festival de cinema: um espaço de memória, formação, articulação de políticas públicas, troca de experiências e formulação de diretrizes para o setor e transformação para o audiovisual brasileiro.

Mais de 137 profissionais e convidados estarão no centro de 34 debates e rodas de conversa, reunindo especialistas nacionais e internacionais para discutir os eixos temáticos desta edição.

SERVIÇO

20ª CINEOP - MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

25 a 30 de junho de 2025

Centro de Artes e Convenções da Ufop


Praça Tiradentes


Cine- Museu da Inconfidência

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio Máster: Instituto Cultural Vale

Patrocínio: Itaú, Codemge/Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Universidade Federal de Ouro Preto, Prefeitura de Ouro Preto e Instituto Universo Cultural

Idealização e realização: Universo Produção

MINISTÉRIO DA CULTURA/GOVERNO FEDERAL/ UNIÃO E RECONSTRUÇÃO