Novo problema técnico determina reexibição de "Boca"no Cine PE
- Por Neusa Barbosa
- 30/04/2012
- Tempo de leitura 3 minutos
Recife -
Um novo problema técnico abalou o Cine PE nesta noite de domingo (29-4), quando Rodrigo Castela, produtor do longa Boca, de Flávio Frederico, interrompeu a projeção com cerca de 40 minutos de exibição, alegando uma troca de rolos.
Muito nervoso, o diretor Flávio Frederico destacou se tratar de uma cópia nova, feita especialmente para o Cine PE. Por isso, ele não via possibilidade de ter havido troca de rolos no laboratório.
Na manhã desta segunda (30), o diretor do festival, Alfredo Bertini, fez um pronunciamento, assumindo a falha de um dos projecionistas – que trocou os rolos por não ter feito a conferência que é habitual, das pontas de cada rolo de filme. O conteúdo de duas latas fora trocado, segundo Bertini. Mas o projecionista poderia ter evitado a falha se conferisse essas pontas, como é a norma, segundo Flávio Frederico.
Por conta disso, Boca - que já fora antes exibido no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo em 2010 - será reexibido dentro do festival nesta terça (1º), às 17h, com entrada franca. Esta que será a última noite competitiva do Cine PE,
acabará sendo, por isso, mais longa para imprensa, júris e espectadores, uma vez que depois de Boca serão exibidos os últimos três curtas da competição e também os dois últimos longas concorrentes, os pernambucanos Na Quadrada das Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, e Estradeiros, de Renata Pinheiro (do premiado curta Superbarroco) e Sérgio Oliveira.
acabará sendo, por isso, mais longa para imprensa, júris e espectadores, uma vez que depois de Boca serão exibidos os últimos três curtas da competição e também os dois últimos longas concorrentes, os pernambucanos Na Quadrada das Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, e Estradeiros, de Renata Pinheiro (do premiado curta Superbarroco) e Sérgio Oliveira.
Bertini garantiu que “medidas técnicas e preventivas serão tomadas” para impedir que se repitam os erros técnicos que, este ano, prejudicaram os concorrentes Boca e À Beira do Caminho, de Breno Silveira – que sofreu problemas de som e também foi reexibido.
Humor nos curtas
O problema técnico prejudicou a animação de uma noite que incluiu também uma homenagem ao cineasta Cacá Diegues. Alagoano de nascimento, ele lembrou que Recife, em sua época, era considerada a metrópole a atingir. Seu avô lhe dizia: “Estude, meu filho, que um dia você vai chegar a Recife”. Cacá completou então: “Se ele estivesse vivo, eu lhe diria, meu avô, cheguei aqui”.
Dos três curtas da noite, o mais criativo foi o documentário Di Melo, o Imorrível, produção entre Pernambuco e São Paulo, dirigida por Alan Oliveira e Rubens Pássaro. Com toda cara de um mockumentary – um falso documentário -, o filme reconstitui com muito humor parte da incrível trajetória de Bob Di Melo, um músico e compositor que gravou um único disco em 1975 – hoje um raro trofeu de colecionadores -, sumindo depois e sendo objeto de inúmeras lendas – entre elas, a de que teria morrido.
Tirando habilmente partido do carisma de seu protagonista, bem como de sua mulher, o filme de Oliveira e Pássaro encantou a platéia, que gargalhava diante de inúmeras declarações do casal. Os diretores contaram no debate desta segunda que reuniram material que possibilita fazer um filme de 52 minutos, que lhes permitiria incluir diversas sequências não aproveitadas no curta, como uma entrevista com o compositor Heraldo do Monte.
Outro curta da noite foi a comédia paulista Cesar!, em que o diretor Gustavo Suzuki criou uma história à la American Pie sobre três garotos obcecados por sexo e pela vingança contra um colega mauricinho.
O único momento de contenção foi o curta paraibano Folhas, do diretor estreante Delleon Souto, que conta a história de um menino que perdeu a mãe. O trabalho mostra a influência dos inúmeros sucessos recentes da produção cinematográfica de temática espírita do cinema nacional.
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