15/09/2026

"À Beira do Caminho", de Breno Silveira, abre Cine PE, prejudicado por som

Começou com uma nota triste o 16º Cine PE. O primeiro longa exibido, À Beira do Caminho, de Breno Silveira, que conta a história de um caminhoneiro (João Miguel) cuja tragédia pessoal é embalada por canções de Roberto Carlos, sofreu sérios problemas com o som. Boa parte de seus diálogos tornaram-se praticamente incompreensíveis naquela que foi a primeira sessão pública do filme, na noite de quinta (26), no Teatro Guararapes, em Olinda.
 
Segundo a organização do festival, houve uma falha no sistema digital na leitura do arquivo de som, o que provocou que o filme fosse exibido sem os seus seis canais de som originais, restando apenas o que é chamado de “LR”. Dadas as grandes dimensões da sala, que comporta uma média de 3.000 espectadores, produziu-se uma reverberação que piorou a recepção sonora. Ao final da sessão, o diretor do festival, Alfredo Bertini, pediu desculpas ao público e à equipe do filme, comprometendo-se a realizar uma nova exibição dentro das condições apropriadas nos próximos dias.
 
Como era de se esperar, a falha técnica dominou parte do debate do filme, ocorrido no início da tarde desta sexta. “Fiquei muito triste, não consegui dormir ontem. Foi a primeira sessão pública, é o nascimento do filme e vocês não o viram. Peço encarecidamente a todos que o assistam de novo”, desabafou Breno Silveira, o celebrado diretor do sucesso 2 Filhos de Francisco, visto por mais de 5 milhões de espectadores em 2005.
 
Como Deus
 
O protagonista, João Miguel, completou o protesto: “Foi muito drástico, nunca me vi assim, sem me entender”. Mas ponderou: “Ainda assim, o público, que é como Deus, entendeu, e, como Deus, deu uma resposta. Nem por isso se deve fazer tudo de acordo com Deus, nem de acordo com o público. Isso não devia ter acontecido, é um descaso com Deus”. Ele comentava a reação da plateia que, apesar de algumas reclamações, não abandonou a sala e aplaudiu entusiasticamente no final.
 
O enredo bastante dramático de À Beira do Caminho, um roteiro de Patrícia Andrade que conta a história de João (João Miguel), caminhoneiro que sofre uma perda amorosa, encontrou um dramático eco na vida real. Em plena montagem do filme, morreu a mulher do diretor Breno Silveira, Renata – a quem o filme é dedicado.
 
Recusando entrar em detalhes de sua perda pessoal, Breno disse: “Hoje eu estou meio João (comparando-se ao personagem do filme). Eu não conseguia entrar na ilha de edição, por isso este filme só está sendo lançado agora”. Por conta disso, houve um encavalamento com um outro projeto seu, Luiz Gonzaga – de Pai para Filho, sobre a vida do cantor e compositor Luiz Gonzaga e o filho Gonzaguinha, que deve ser lançado até o final deste ano.
 
Melodrama na batida de Roberto Carlos
 
Fiel ao seu estilo, Breno Silveira realiza em À Beira do Caminho um assumido melodrama com reverência ao neorrealismo, com a marcada presença de uma criança (o novato Vinicius Nascimento, que contracenou antes com João Miguel em Ó Pai Ó), embalado por canções de Roberto Carlos – que não só aprovou o filme como cedeu quatro de seus maiores sucessos em seus fonogramas originais, Distância (que ele determinou que fosse a música de abertura, mudando disposição diferente do diretor), Portão, Amigo e Você Foi.
 
Sobre Roberto, o diretor comentou ser “apaixonado por ele, que fez parte da minha formação emocional”. Mas admite que não gosta de todas as suas músicas, assim como não gostava de todas de Zezé de Camargo e Luciano, que embalaram 2 Filhos de Francisco. “Nada precisa ser unânime. Mas o Roberto Carlos traduz o inconsciente de amor deste país de uma maneira muito profunda”.
 
Emoção brasileira
 
Alguns críticos compararam o novo filme de Breno a produções argentinas – como Nascido e Criado, de Pablo Trapero ou Las Acácias, de Pablo Giorgelli. O diretor brasileiro comenta que gosta muito do cinema argentino “mas a gente é diferente”. Onde está a diferença: “A gente é mais emotivo, mais apaixonado. Eles fazem a coisa mais seca. A gente tem emoção mais Roberto Carlos do que tango argentino”.
 
À Beira do Caminho tem previsão de estréia para agosto.
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Começou com uma nota triste o 16º Cine PE. O primeiro longa exibido, À Beira do Caminho, de Breno Silveira, que conta a história de um caminhoneiro (João Miguel) cuja tragédia pessoal é embalada por canções de Roberto Carlos, sofreu sérios problemas com o som. Boa parte de seus diálogos tornaram-se praticamente incompreensíveis naquela que foi a primeira sessão pública do filme, na noite de quinta (26), no Teatro Guararapes, em Olinda.

Segundo a organização do festival, houve uma falha no sistema digital na leitura do arquivo de som, o que provocou que o filme fosse exibido sem os seus seis canais de som originais, restando apenas o que é chamado de “LR”. Dadas as grandes dimensões da sala, que comporta uma média de 3.000 espectadores, produziu-se uma reverberação que piorou a recepção sonora. Ao final da sessão, o diretor do festival, Alfredo Bertini, pediu desculpas ao público e à equipe do filme, comprometendo-se a realizar uma nova exibição dentro das condições apropriadas nos próximos dias.

Como era de se esperar, a falha técnica dominou parte do debate do filme, ocorrido no início da tarde desta sexta. “Fiquei muito triste, não consegui dormir ontem. Foi a primeira sessão pública, é o nascimento do filme e vocês não o viram. Peço encarecidamente a todos que o assistam de novo”, desabafou Breno Silveira, o celebrado diretor do sucesso 2 Filhos de Francisco, visto por mais de 5 milhões de espectadores em 2005.

Como Deus

O protagonista, João Miguel, completou o protesto: “Foi muito drástico, nunca me vi assim, sem me entender”. Mas ponderou: “Ainda assim, o público, que é como Deus, entendeu, e, como Deus, deu uma resposta. Nem por isso se deve fazer tudo de acordo com Deus, nem de acordo com o público. Isso não devia ter acontecido, é um descaso com Deus”. Ele comentava a reação da plateia que, apesar de algumas reclamações, não abandonou a sala e aplaudiu entusiasticamente no final.

O enredo bastante dramático de À Beira do Caminho, um roteiro de Patrícia Andrade que conta a história de João (João Miguel), caminhoneiro que sofre uma perda amorosa, encontrou um dramático eco na vida real. Em plena montagem do filme, morreu a mulher do diretor Breno Silveira, Renata – a quem o filme é dedicado.

Recusando entrar em detalhes de sua perda pessoal, Breno disse: “Hoje eu estou meio João (comparando-se ao personagem do filme). Eu não conseguia entrar na ilha de edição, por isso este filme só está sendo lançado agora”. Por conta disso, houve um encavalamento com um outro projeto seu, Luiz Gonzaga – de Pai para Filho, sobre a vida do cantor e compositor Luiz Gonzaga e o filho Gonzaguinha, que deve ser lançado até o final deste ano.

Melodrama na batida de Roberto Carlos

Fiel ao seu estilo, Breno Silveira realiza em À Beira do Caminho um assumido melodrama com reverência ao neorrealismo, com a marcada presença de uma criança (o novato Vinicius Nascimento, que contracenou antes com João Miguel em Ó Pai Ó), embalado por canções de Roberto Carlos – que não só aprovou o filme como cedeu quatro de seus maiores sucessos em seus fonogramas originais, Distância (que ele determinou que fosse a música de abertura, mudando disposição diferente do diretor), Portão, Amigo e Você Foi.

Sobre Roberto, o diretor comentou ser “apaixonado por ele, que fez parte da minha formação emocional”. Mas admite que não gosta de todas as suas músicas, assim como não gostava de todas de Zezé de Camargo e Luciano, que embalaram 2 Filhos de Francisco. “Nada precisa ser unânime. Mas o Roberto Carlos traduz o inconsciente de amor deste país de uma maneira muito profunda”.

Emoção brasileira

Alguns críticos compararam o novo filme de Breno a produções argentinas – como Nascido e Criado, de Pablo Trapero ou Las Acácias, de Pablo Giorgelli. O diretor brasileiro comenta que gosta muito do cinema argentino “mas a gente é diferente”. Onde está a diferença: “A gente é mais emotivo, mais apaixonado. Eles fazem a coisa mais seca. A gente tem emoção mais Roberto Carlos do que tango argentino”.

À Beira do Caminho tem previsão de estréia para agosto.