Documentários em longa e curta revelam vigor no Cine PE
- Por Neusa Barbosa
- 30/04/2013
- Tempo de leitura 2 minutos
Na quarta noite competitiva do Cine PE, foi novamente um documentário, Rio Doce/CDU, de Adelina Pontual (PE), que dominou a programação, ao lado de quatro curtas-metragens bem interessantes, três deles também documentais.
Rio Doce/CDU empresta o nome de uma linha de ônibus que atravessa diariamente diversos bairros do Recife e Olinda, traçando uma jornada longuíssima e muito cansativa, ao longo da qual os passageiros conversam, leem, fazem amizade – chegam a organizar amigos secretos no final de ano -, enfrentando criativamente as agruras do transporte urbano de uma grande cidade.
Longe de esgotar-se na descrição desse calvário a que se submetem estudantes, trabalhadores, crianças e idosos, o documentário ocupa-se de delinear a diversificada geografia física e humana ao longo do enorme trajeto dessa linha de ônibus – não se esquecendo de colher as observações de comerciantes que se estabelecem ao longo do percurso, nem dos motoristas e cobradores. Não raro, são observações divertidas, bem no espírito e linguagar peculiar e jocoso dos pernambucanos, sem nunca folclorizar nenhum dos saborosos personagens.
Escapando das muitas armadilhas de um filme com este assunto, a diretora consegue criar um visual belo sem recorrer a embelezamento artificial de uma realidade muitas vezes pobre e descuidada pelo poder público, tematizando também o tempo, a demora em que os passageiros mergulham, fazendo o público compartilhar desse aspecto também. A trilha sonora, do DJ Dolores e Yuri Queiroga, é um primor.
Curtas
Já apresentado em outros festivais, A Guerra dos Gibis, de Thiago Mendonça e Rafael Terpins (SP), mais uma vez merecidamente empolgou a plateia, dando conta de resgatar, com a preciosa ajuda de uma animação bem elaborada e criativa, a história de criadores de quadrinhos eróticos em São Paulo, em plena ditadura militar, tendo sucesso efêmero com personagens como Chico de Ogum e Maria Erótica.
Outro curta documental, Três no Tri, de Eduardo Souza Lima (RJ), recupera com riqueza de detalhes a história do autor de uma emblemática foto da Copa de 70, Orlando Abrunhosa, que flagrou Tostão, Jairzinho e Pelé, este no alto, com seu tradicional gesto de comemoração, de punho cerrado no ar, os três celebrando o gol de virada do Brasil no jogo contra a Tchecoeslováquia.
Em À Luz do Dia (RJ), a premiada curta-metragista Joana Nin (Visita Íntima), mergulha na história de sua própria família, revendo trechos de filmes em super-8 feitos por seu avô, em que emergem vestígios de tantos fatos vividos na antiga casa em que a diretora nasceu.
Único curta ficcional da noite, O fim do filme, de André Dib (SP), decola em clima de divertida comédia romântica, com um perfume de ironia amorosa com a Nouvelle Vague, acompanhando as aventuras de um funcionário de locadora com mania de contar os finais de filme e uma cliente obcecada em rever sempre o mesmo filme.
