Cine PE decola com futebol-arte e comédia travada de José Wilker
- Por Neusa Barbosa
- 27/04/2013
- Tempo de leitura 2 minutos
Decolando sob uma muito oportuna lembrança da ligação entre cinema e futebol, o 17º Cine PE exibiu nesta noite de sexta (26-4) uma homenagem ao Canal 100, o emblemático cinejornal de Carlos Niemeyer, exibindo trechos de três jogos que envolviam clubes pernambucanos – o Sport e o Náutico – contra Flamengo, Santos e Palmeiras.
As imagens destes jogos, que davam ao espectador a sensação de estar dentro do campo, disputando os lances ao lado dos jogadores, inseriu uma nota de beleza e de nostalgia, um lembrete de um cinema de película, 35 mm ou 16 mm, que caminha para o desaparecimento – dizem. Importante é que este imenso acervo do Canal 100, cinejornal que tinha presença garantida nas salas entre 1959 e 1986, seja preservado e mostrado, para colocar sempre na ordem do dia o que sempre foi o futebol-arte – e que ninguém se esqueça.
Longa de Wilker
O futebol e o cinema do passado andaram melhor no primeiro dia do festival do que os filmes da programação do primeiro dia.
O longa da noite, Giovanni Improtta, dirigido e estrelado por José Wilker, mostrou-se um trabalho hesitante, que, por deficiência de roteiro (de Mariana Vielmond e Rafael Dragaud) e indecisão de direção, nem se sustenta como comédia, comentário social e é longo demais como esquete de TV.
É um desperdício de bons atores, como Andréa Beltrão, que se esforça uma barbaridade para dar cor e sabor à sua Marlene, amante perua do protagonista, um bicheiro em busca de entrar no círculo social mais alto. O mesmo se diga dos ótimos coadjuvantes, igualmente desperdiçados numa história que não lhes dá material para exercer seu talento – Othon Bastos, Milton Gonçalves, Hugo Carvana e Norival Rizzo.
Tentando repetir seu personagem da TV – criado por Aguinaldo Silva, Improtta apareceu na novela Senhora do Destino -, Wilker parece um samba (ruim) de uma nota só, empacando numa única expressão facial pelo filme inteiro.
Curtas
A noite andou um pouco melhor nos curtas, no humor negro de Íris, de Kiko Mollica (SP), com roteiro de José Roberto Torero – que conta o romance de um deficiente visual, mandando às favas o politicamente correto -; e também na delicada animação Joana, de Daniel Pinheiro Lima (MG), sobre uma menina de rua sonhadora e cheia de artifícios, alguns mágicos.
O modesto curta 12:40, de Dário Jr., serviu mais para colocar no palco do enorme Teatro Guararapes o protesto dos criadores culturais de Alagoas, que ostentaram faixas e lamentaram o fato de que o estado seria o único do Nordeste a não ter um edital para a produção cultural.
