Festival de Brasília começa com documentário sobre Sebastião Salgado
- Por Nayara Reynaud
- 16/09/2013
- Tempo de leitura 5 minutos
Desde a sua criação, o cinema possui uma relação muito intrínseca com a fotografia. Por isso, nada mais natural que o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos eventos mais antigos do gênero no país, iniciar sua 46ª edição, nesta terça (17), com o documentário da cineasta Betse de Paula, Revelando Sebastião Salgado (foto ao lado), sobre o brasileiro que é um dos fotógrafos mais respeitados do mundo, filme que foi exibido no mais recente Festival de Gramado. Mantendo a tradição, a sessão de abertura, exclusiva para convidados, será realizada no Teatro Nacional Cláudio Santoro, com apresentação da Orquestra Sinfônica local antes da exibição do filme.
A mostra competitiva começa na quarta (18) e se estende até a próxima segunda (23), tendo como um dos destaques o documentário A Arte do Renascimento – Uma Cinebiografia de Silvio Tendler (foto ao lado), de Noilton Nunes, que conta a história de superação do documentarista Silvio Tendler, após uma doença que o deixou tetraplégico em 2010. O gênero também se debruça no passado do cinema brasileiro em Plano B, longa em que Getsamane Silva tenta descobrir o que aconteceu com um filme perdido do cineasta Joaquim Pedro de Andrade e o porquê da proibição imposta à película. Já Outro Sertão, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, traz a faceta diplomática do escritor João Guimarães Rosa, na época em que ele era vice-cônsul na Alemanha nazista.
Ainda entre os longas documentários, Hereros Angola, de Sergio Guerra, e O Mestre e o Divino, de Tiago Campos, trazem para as telas brasilienses registros antropológicos: no primeiro caso, do grupo étnico herero, localizado no sudoeste de Angola; e no segundo, o foco é na aldeia indígena de Sangradouro, em Mato Grosso. A premiada Maria Augusta Ramos (Justiça, Juízo) apresenta o cotidiano de uma comunidade carioca pacificada em Morro dos Prazeres.
Enquanto isso, a mostra de longas de ficção marca a estreia de vários diretores, advindos de outras áreas. É o caso do uruguaio-israelense, radicado em São Paulo, Michael Wahrmann, que havia dirigido apenas curtas-metragens e agora leva Avanti Popolo (foto ao lado) ao festival, filme que conta com o último trabalho do cineasta Carlos Reichenbach como ator. O premiado montador Paulo Sacramento, (O Prisioneiro da Grade de Ferro, de2003), também lança seu primeiro longa ficcional, Riocorrente.
Outros novos diretores apresentam seus trabalhos no festival. A premiada curta-metragista pernambucana Renata Pinheiro (Superbarroco, Praça Walt Disney) estreia em longas de ficção trazendo a cena musical brega em Amor, Plástico e Barulho. Os baianos Marília Hughes e Cláudio Marques mostram a transformação política do Brasil na época das Diretas Já, por meio das mudanças na vida de um adolescente em Depois da Chuva. Com extenso currículo na área de vídeo arte, Paula Gaitán exibe, em Exilados do Vulcão, a trajetória de uma mulher que tenta refazer a vida após um incêndio.
Para completar, o cineasta cearense Rosemberg Cariry, um velho conhecido de Brasília, volta à ficção com Pobres Diabos, uma história sobre um circo e seus componentes perambulando no sertão.
O festival ainda traz as mostras competitivas de curtas-metragens ficcionais, de animação e documentário. A premiação ocorre na terça-feira da próxima semana (24).
Veja abaixo a lista completa dos filmes participantes:
Longas-metragens de ficção:
Amor, Plástico e Barulho (PE), de Renata Pinheiro
Avanti Popolo (SP), de Michael Wahrmann
Depois da Chuva (BA), de Cláudio Marques e Marília Hughes
Exilados do Vulcão (RJ), de Paula Gaitán
Os Pobres Diabos (CE), de Rosemberg Cariry
Riocorrente (SP), de Paulo Sacramento
Longas-metragens documentário:
A Arte do Renascimento – Uma Cinebiografia de Silvio Tendler (RJ), de Noilton Nunes
Hereros Angola (RJ), de Sergio Guerra
Morro dos Prazeres (RJ), de Maria Augusta Ramos
O Mestre e o Divino (PE), de Tiago Campos
Outro Sertão (ES), de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela
Plano B (DF), de Getsemane Silva
Curtas-metragens de ficção:
Au Revoir (PE), de Milena Times
Fernando que Ganhou um Pássaro do Mar (RJ), de Felipe Bragança e Helvécio Marins Jr.
Lição de Esqui (CE), de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro
Sylvia (PR), de Artur Ianckievicz
Todos Esses Dias em que Sou Estrangeiro (RJ), de Eduardo Morotó
Tremor (MG), de Ricardo Alves Jr.
Curtas-metragens documentário:
A que Deve a Honra da Ilustre Visita Este Simples Marquês? (PR), de Rafael Urban e Terence Keller
Carga Viva (MG), de Débora de Oliveira
Contos da Maré (RJ), de Douglas Soares
Luna e Cinara (RJ), de Clara Linhart
O Canto da Lona (SP), de Thiago Brandimarte Mendonça
O Gigante Nunca Dorme (DF), de Dácia Ibiapina
Curtas-metragens de animação:
Deixem Diana em Paz (PE), de Júlio Cavani
ED. (RS), de Gabriel Garcia
Engole ou Cospervilha (RJ), de Marão, David Mussel, Pedro Eboli, Fernanda Valverde, Jonas Brandão, Giuliana Danza, Gabriel Bitar e Zé Alexandre
Faroeste – Um Autêntico Western (GO), de Wesley Rodrigues
Quinto Andar (MG), de Marco Nick
RYB (DF), de Deco Filho e Felipe Benévolo
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