Um dia de histórias de homens e o lugar de uma mulher
- Por Equipe Cineweb
- 18/10/2013
- Tempo de leitura 8 minutos
No primeiro sábado da Mostra, atrações do Festival de Veneza, como o drama Ana Arabia, de Amos Gitai, e o documentário A Fuller Life, de Samantha Fuller sobre seu pai, o diretor Samuel Fuller, estão entre as melhores pedidas. Um drama histórico, Kohlhaas..., com o ator dinamarquês Mads Mikkelsen, uma comédia dramática espanhola com Ricardo Darín, O que os homens falam, completam as sugestões do dia.

Ana Arabia
O engajado cineasta israelense Amos Gitai atingiu o alvo com a habitual mistura de maestria e delicadeza neste drama político Ana Arabia, que retoma o tema da convivência conflituosa entre árabes e judeus. Se o tema é recorrente em sua cinematografia (como em Kedma e Free Zone), é sinal de que essa realidade brutal e incômoda não se esgota e necessita mesmo ser abordada, hoje, amanhã, todo o tempo, enquanto não se resolver o impasse que atormenta esse pedaço do mundo.
Filmando em plano-sequência contínuo por uma hora e 24 minutos, Gitai cria uma sutil sofisticação formal (também não inédita, inclusive em sua obra). O recurso está ali não por virtuosismo ou vaidade, mas como ferramenta eficiente para acompanhar a visita de uma jovem repórter israelense, Yael (Yuval Scharf), a um bairro pobre de Jerusalém, habitado em sua maioria por árabes muçulmanos. Ela vem ali resgatar a história de uma mulher que morreu, Siam Hassan, uma judia polonesa, sobrevivente de Auschwitz que, ainda muito jovem, se apaixonou por um muçulmano e se converteu, sofrendo todo tipo de pressões por parte da família.
Yael entrevista o viúvo, Yussuf (Yussuf Abu-Warda), seus filhos, a nora Sarah (Assi Levy) – outra judia que se casou com muçulmano -, os filhos de Yussuf, os vizinhos. Aos poucos, descobre histórias ali que valem a pena, tanto quanto a de Siam. Nestes relatos, está a memória da discriminação contra os árabes – mais maltratados do que os recentes imigrantes russos, como lembra um deles -, vivendo pobremente, com trabalhos instáveis, numa espécie de favela, onde eles tentam, apesar de tudo, criar uma zona de conforto e uma rede de solidariedade, o que não exclui a repórter. Afinal, ela se dispôs a ouvi-los.
Nessa estrutura bastante simples, a partir de um roteiro escrito por Gitai e sua habitual colaboradora, Marie-Josée Sanselme, o diretor assina mais um manifesto humanista. Não faz mal a ninguém ouvir de novo o recado. (Neusa Barbosa)
Indicação: livre.
RESERVA CULTURAL 1
19/10/2013 - 18:20 - Sessão: 153 (Sábado)
19/10/2013 - 18:20 - Sessão: 153 (Sábado)
CINE LIVRARIA CULTURA 1
28/10/2013 - 19:40 - Sessão: 950 (Segunda)
28/10/2013 - 19:40 - Sessão: 950 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4
29/10/2013 - 15:50 - Sessão: 1001 (Terça)
29/10/2013 - 15:50 - Sessão: 1001 (Terça)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5
30/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1095 (Quarta)
30/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1095 (Quarta)
CINUSP - MINDLIN
31/10/2013 - 19:00 - Sessão: 1262 (Quinta)
31/10/2013 - 19:00 - Sessão: 1262 (Quinta)

O que os homens falam
Trata-se de um filme espanhol com uma grande vontade de ser uma peça de teatro. Diálogos são o que importa. A ação se move por meio de palavras, mais do que atos. Ainda assim, o diretor Cesc Gay, que assina o roteiro com Tomàs Aragay, constrói uma boa comédia melancólica sobre o universo masculino, seus medos e desejos.
Como quase todos os filmes divididos em esquetes, alguns são melhores do que outros. O primeiro deles é protagonizado por Eduard Fernández e Leonardo Sbaraglia, dois amigos que se reencontram por acaso depois de anos e veem que suas vidas foram bem diferentes do planejado.
Já o argentino Ricardo Darín protagoniza alguns dos melhores momentos, como um sujeito que se instala numa praça em frente ao apartamento do amante de sua mulher, enquanto espera encontra um conhecido, interpretado por Luis Tosar.
Já o argentino Ricardo Darín protagoniza alguns dos melhores momentos, como um sujeito que se instala numa praça em frente ao apartamento do amante de sua mulher, enquanto espera encontra um conhecido, interpretado por Luis Tosar.
A presença feminina não é lá muito forte; elas são mais interlocutoras ou catalisadoras dos processos de mudança. A melhor personagem feminina coube a Candela Peña (ganhadora do Goya de coadjuvante este ano), cuja personagem entra num jogo de sedução com o colega de trabalho, vivido por Eduardo Noriega.
O filme nunca se propõe a uma radiografia mais profunda do universo masculino, mas seu acerto está em retratar pequenos dramas da vida cotidiana, e em desfazer o mito do machão espanhol caliente. Aqui, nenhum personagem é bem resolvido – sexual ou emocionalmente. São homens fragilizados, cujas vidas formam um acúmulo de pequenos erros e infelicidade doméstica. (Alysson Oliveira)
Indicação: 14 anos
CINE LIVRARIA CULTURA 2
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19/10/2013 - 15:45 - Sessão: 140 (Sábado)
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19/10/2013 - 15:45 - Sessão: 140 (Sábado)
CINESESC
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22/10/2013 - 15:00 - Sessão: 398 (Terça)
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22/10/2013 - 15:00 - Sessão: 398 (Terça)
CINEMATECA - SALA PETROBRAS - 29/10/2013 - 20:00 - Sessão: 1021 (Terça)
CINEMATECA - SALA PETROBRAS- 30/10/2013 - 16:30 - Sessão: 1110 (Quarta)

A Fuller Life
Cineasta, jornalista, escritor, uma das expressões máximas do termo “diretor independente” numa Hollywood muito diferente da atual, Samuel Fuller (1912-1997) foi um homem que, acima de tudo, sabia contar bem suas histórias, fosse na tela, fosse no papel. Ele ainda era menor de idade quando se iniciou como repórter policial, uma experiência que forjou um olhar sutil para os paradoxos da vida.
Ele teve uma vida, aliás, rara, que incluiu uma passagem por vários dos campos de batalha da II Guerra Mundial, em que, por escolha própria, ele preferiu ser soldado da infantaria do que no departamento de propaganda a que fora destinado. Essa existência intensa ele mesmo contou numa saborosa autobiografia, A Third Face – My Tale of Writing, Fighting and Filmmaking, cujo texto oferece a sua filha, Samantha Fuller, um prato cheio para compor a espinha dorsal do documentário A Fuller Life.
Desfilam pela tela atores que trabalharam nos filmes de Fuller, caso de David Carradine e Mark Hamill, intérpretes de Agonia e Glória (80), diretores como William Friedkin, Wim Wenders, Joe Dante e Monte Hellman, e vários outros amigos e admiradores do cineasta, lendo trechos de sua autobiografia. O texto de Fuller é tão bom que flui na tela, numa bela homenagem. Melhor ainda, saia do cinema e encomende correndo o livro, é imperdível. (Neusa Barbosa)
Indicação: 14 anos.
CINE LIVRARIA CULTURA 1
19/10/2013 - 20:00 - Sessão: 136 (Sábado)
19/10/2013 - 20:00 - Sessão: 136 (Sábado)
CINE LIVRARIA CULTURA 2
20/10/2013 - 22:15 - Sessão: 235 (Domingo)
20/10/2013 - 22:15 - Sessão: 235 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1
21/10/2013 - 14:00 - Sessão: 318 (Segunda)
21/10/2013 - 14:00 - Sessão: 318 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1
22/10/2013 - 14:40 - Sessão: 347 (Terça)
22/10/2013 - 14:40 - Sessão: 347 (Terça)

Kohlhaas – Ou a Proporcionalidade dos Meios
A grande atração deste drama épico, inspirado numa história real e no romance do alemão Heinrich von Kleist (1777-1811), é o novo bom trabalho do ator dinamarquês Mads Mikkelsen. Num papel próximo ao que defendeu em outro drama histórico, O Amante da Rainha, ele interpreta o protagonista Michael Kohlhaas, comerciante de cavalos do século 16 que leva às últimas consequências sua luta por justiça.
Ele vive uma vida feliz e independente, até que um dos senhores feudais de sua região – a Cevènnes francesa – resolve arbitrariamente cobrar-lhe pelo direito de passagem, de que Kohlhaas necessita para efetuar seu comércio. Ele é forçado a deixar como garantia dois de seus melhores cavalos. Ao retornar para buscá-los, encontra-os maltratados e feridos e exige reparação. O caso vai à justiça, mas a indenização é negada.
Kohlhaas enfurece-se e termina liderando uma grande revolta popular contra a nobreza, que provoca um banho de sangue e aponta um caminho sem volta.
Kohlhaas enfurece-se e termina liderando uma grande revolta popular contra a nobreza, que provoca um banho de sangue e aponta um caminho sem volta.
Tem muito rigor na reconstituição de época o filme do francês Arnaud des Pallières, coprodução franco-alemã que inclui no elenco a menina Mélusine Mayance (A Chave de Sara), como Lisbeth, a filha de Kohlhaas; Bruno Ganz, como o governador; Denis Lavant, como o teólogo; Roxane Duran (A Fita Branca), como a princesa. (Neusa Barbosa)
Indicação: livre.
CINE LIVRARIA CULTURA 2
19/10/2013 - 17:40 - Sessão: 141 (Sábado)
19/10/2013 - 17:40 - Sessão: 141 (Sábado)
CINE OLIDO
30/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1137 (Quarta)
30/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1137 (Quarta)
MATILHA CULTURAL
31/10/2013 - 17:30 - Sessão: 1245 (Quinta)
31/10/2013 - 17:30 - Sessão: 1245 (Quinta)
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