Cine PE: Documentário de Jorge Furtado examina imprensa com humor
- Por Rodrigo Zavala, de Recife
- 28/04/2014
- Tempo de leitura 2 minutos
Recife - O papel da grande imprensa brasileira (com suas tendências e ideologias) e as transformações pela qual passa na era da internet fazem parte de um debate espinhoso
e potencialmente beligerante, mas que ganha contornos bem-humorados nas mãos do diretor gaúcho Jorge Furtado.
Sem fugir da complexidade do tema e com acertados alívios cômicos, o cineasta gaúcho foi o destaque do segundo dia (27) de Cine PE com seu documentário O Mercado de Notícias (foto), que concorre na mostra competitiva de documentários (depois de ter tido sua première no Festival É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários).
Jornalista de formação, Furtado começou a pensar nesta produção ainda em 2006, quando, durante a pesquisa, encontrou uma desconhecida comédia teatral “O Mercado de Notícias” (1625) do autor Ben Jonson (1572 – 1637), considerado o segundo melhor autor inglês depois de William Shakespeare. Incrivelmente atual sobre o ponto de vista do que é notícia e sobre as engrenagens do jornalismo, a obra se tornou o fio condutor de seu filme.
e potencialmente beligerante, mas que ganha contornos bem-humorados nas mãos do diretor gaúcho Jorge Furtado.
Sem fugir da complexidade do tema e com acertados alívios cômicos, o cineasta gaúcho foi o destaque do segundo dia (27) de Cine PE com seu documentário O Mercado de Notícias (foto), que concorre na mostra competitiva de documentários (depois de ter tido sua première no Festival É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários).
Jornalista de formação, Furtado começou a pensar nesta produção ainda em 2006, quando, durante a pesquisa, encontrou uma desconhecida comédia teatral “O Mercado de Notícias” (1625) do autor Ben Jonson (1572 – 1637), considerado o segundo melhor autor inglês depois de William Shakespeare. Incrivelmente atual sobre o ponto de vista do que é notícia e sobre as engrenagens do jornalismo, a obra se tornou o fio condutor de seu filme.
Trata-se, na verdade de metalinguagem. No documentário, os depoimentos de 13 jornalistas brasileiros conhecidos nacionalmente (Jânio de Freitas, Mino Carta, Roberto Pompeu de Toledo, para citar alguns) são entrecortados pela encenação da peça (traduzida pelo próprio Furtado). Ganha-se aí um efeito dual em que os discursos se alinham, movendo a discussão por temas caros à mídia, como financiamento, interesses políticos, confiabilidade de fontes e ética.
Para aliviar a tensão, Furtado que assumidamente prefere comédias, insere alguns casos de erros crassos da mídia brasileira, cuja apuração feita pelo diretor lembra, no humor, o trabalho de Michael Moore. Em especial quando ele vai ao Museu Guggenheim, em Nova York, para mostrar um quadro do Picasso que, supostamente, como tendenciosamente alardearam jornais em 2004, estaria em uma repartição pública em Brasília.
Furtado mostra em seu documentário que o jornalismo passa hoje por uma transformação semelhante aquela ocorrida no século XVII, com o advento da imprensa. E não apenas nas mudanças trazidas pela internet, mas na relação de poder de quem produz, edita, financia e consome notícias.
Para saber mais sobre o filme e a peça, além de ter acesso aos depoimentos dos entrevistas (na íntegra), acesse www.omercadodenoticias.com.br
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