"O nascimento de uma nação" e a homenagem a Manoel de Oliveira
- Por Equipe Cineweb
- 02/11/2016
- Tempo de leitura 40 minutos

O nascimento de uma nação

Cartas da guerra
S/1 Villa Lobos - 02/11/16 - 21:10

O cinema, Manoel de Oliveira e eu
apenas uma posição de câmara, “um único ponto de vista, a moral de cada um.” E não abria mão de suas escolhas: “Filmo aquilo em que acredito, procuro sempre a verdade.”
2/11/16 - 19:00

O quarto homem

Maquinaria Panamericana
Maquinaria Panamericana. Trata-se de uma fábrica de maquinaria, que constrói tratores, empilhadeiras, escavadeiras e afins, cujo presidente morre e os funcionários, induzidos pelo contador, resolvem esconder o fato para que a empresa não vá à falência e eles percam tudo. Os computadores e máquinas da companhia são ultrapassados, mas esta sátira recheada de humor negro tem um tempo indefinido e não fica clara a época da trama. Até porque o cineasta opta por uma sequência de encenações que primam pelo absurdo, em uma narrativa em que é difícil o espectador embarcar.
02/11 - 21:00

A Menina Sem Mãos
live-action
que tentam retomar o conteúdo adulto das histórias originais,
A Menina Sem Mãos
o faz através da animação, em uma oposição ao modelo estabelecido pela Disney há décadas. Baseado em um conto dos irmãos Grimm, o primeiro longa de Sébastien Laudenbach não tem medo de usar toda a violência e sexualidade embutida na jornada de resistência de uma moça a todos os ataques e assédios que buscam corrompê-la em sua pureza.
O Menino e o Mundo
(2013), com a diferença de que a produção brasileira emulava desenhos feitos por crianças, enquanto o filme francês se assemelha a esboços traçados com canetinha, sobre papéis coloridos, que remetem, em alguns momentos, a pinturas japonesas com nanquim. A escolha estética de Laudenbach permite que ele ache soluções muito interessantes como os traços descontrolados que se expandem quando a garota está sob forte emoção, por exemplo, em uma forma de traduzir signos visualmente e evitar diálogos, que são bem contidos no longa. (Nayara Reynaud)
02/11 - 19:00

São Jorge
- 2/11/16 - 17:10
Corações cicatrizadosAssista ao trailer
Radu Jude é uma espécie de estranho no ninho do cinema romeno contemporâneo. Enquanto a filmografia do país pauta-se por dramas realistas, sombrios e muitas vezes minimalistas, em seus filmes, como
Aferim!, exibido na Mostra em 2015 e premiado no Festival de Berlim, ele investiga a identidade do povo romeno por meio da história de um militar e seu filho transportando um escravo cigano, no século XIX.
Corações Cicatrizados
é inspirado nos escritos e ilustrações (usadas nos créditos iniciais) do romeno Max Blecher. O protagonista é Emanuel (numa interpretação impressionante do estreante Lucian Tedor Rus), que passa o filme todo hospitalizado e imobilizado por gesso em dos ombros à cintura, para curar uma tuberculose nos ossos – algo que o escritor também enfrentou, morrendo jovem, com menos de 30 anos.
De forma episódica, o filme narra o cotidiano de Emanuel e colegas de confinamento, no final do anos de 1930, quando Hitler sobe ao poder. As cenas são entrecortadas por trechos do romance homônimo de Blecher que ajudam a compor um painel histórico e emocional acentuando a atmosfera do lugar, que, muitas vezes, parece parado no tempo.
Ganhador de diversos prêmios, entre eles o Especial do Júri, em Locarno,
Corações Cicatrizados
é constituído de uma narrativa fragmentada que dá conta mais de um processo de aquisição de experiência de seu protagonista, do que uma trama propriamente dita. Nesse sentido, são tão importantes e dolorosas as punções quanto a descoberta do amor (espiritual e físico) com outras pacientes do hospital. E as cenas em que eles tentam manter relações sexuais – apesar de ambos imobilizados com gesso – são tão ternas quanto engraçadas.
Trabalhando com o diretor de fotografia Marius Panduru (Polícia, Adjetivo), Jude opta por filmar numa tela quadrada e com câmera estática, o que traduz formalmente a imobilidade e limitações dos personagens naquela situação. Ao contrário de
Aferim!, em preto e braço, aqui o diretor se vale de cores, muitas cores, e luz trabalhada, a ponto de compor imagens que parecem pinturas. (Alysson Oliveira)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 - 02/11 - 21:20

Ma’Rosa
vai estar lá, e ele vai. É também uma comédia sobre a fugacidade do desejo humano e a constante insatisfação que nos move. (Alysson Oliveira)
2/11/16 - 19:10
The handemaiden
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Oldboy
(2003) e Prêmio do Júri por
Sede de Sangue
(2009), o sul-coreano Park Chan-Wook entrou com força visual e narrativa novamente na corrida pela Palma de Ouro em 2016, com o requintado e muito sensual drama de época
The Handmaiden
(Agassi, no original).
Fingersmith, de Sarah Waters, ambientado na Inglaterra vitoriana. Co-autor do roteiro, Chan-wook transporta a história para a Coreia dos anos 1930, dominada pelos japoneses, recriando um intoxicante jogo de perversões e mentiras em torno de uma rica mansão.
2/11 – 14:00
Onde está Rocky II?
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Rocky II, no título, não se refere ao segundo filme da série protagonizada por Sylvester Stallone, mas a uma escultura em formato de rocha feita por Ed Ruscha, no final dos anos de 1970, e deixada no deserto de Mojave (Califórnia), misturada com outras verdadeiras.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças, divido com Charlie Kaufman e Michel Gondry) se pergunta isso, mas vai além: onde está a obra? Trabalhando com um xerife aposentado, o documentarista sai à procura da tal rocha. O filme se constrói, então, como um noir, interessante e até engraçado diante da busca inusitada.
Onde está Rocky II?
quer ser mais do que poderia, mais do que tem energia para ser. E, no fim, é claro, não é nada a não ser um exercício vazio de metalinguagem, que, como é de costume no assunto, se torna uma piada interna dos envolvidos. A questão central é ambiciosa: a relação do criador (artistas plásticos, roteiristas, diretores) com suas obras, mas a capacidade de Bismuth de sair pela tangente e preencher a tela com obviedades torna-se frustrante. (Alysson Oliveira)
2/11 - 17:00
Eu, Olga Hepnarova
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Eu, Olga Hepnarová
é um estudo de personagem construído com um distanciamento frio, numa bela fotografia em preto e branco que parece congelar a imagem num passado distante. Mas o retrato da alienação emocional pode ecoar até hoje. A protagonista, interpretada por Michalina Olszanska, é uma jovem homossexual com um conflito interno severo, que parece refletir o contexto social do país onde mora.
2/11 - 13:30
Glory
a predileção por explorar dilemas sociais. Lançado ano passado no Brasil,
A Lição
trazia uma professora prestes a perder a casa que, enquanto tentava remediar de qualquer jeito a situação, investigava um roubo acontecido em sala de aula. Se o questionamento ético era o cerne desse primeiro filme de uma trilogia de longas inspirados em notícias, este segundo capítulo opta por um caminho diferente. Por mais que pareça que o impasse deste conto moral sobre um controlador de ferrovia que encontra uma grande quantia em dinheiro nos trilhos e chama a polícia seja a entrega do montante, a verdadeira pergunta da obra é lançada apenas na última cena.
A Lição), coordena as ações de mídia neste sentido, enquanto passa por um processo, junto com o marido, de fertilização e congelamento de embriões. Só que o velho relógio dele, uma das poucas coisas importantes de sua vida, some, fazendo o pacato e correto cidadão lançar-se em sua busca.
- 2/11 - 14:00
Irena Ivanova –
Sem Deus
é um estudo da crise financeira, política, emocional e, por fim, moral que assola a Bulgária, na pós-União Soviética. Para uns, pode ser mero
misery porn, mas há algo de pungente no realismo da diretora estreante Ralitza Petrova, também autora do roteiro.
Zero Days
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A terceira guerra mundial será cibernética. Essa é a primeira conclusão a que se chega com o documentário
Zero Days, de Alex Gibney – ganhador do Oscar em 2008 por
Táxi para a Escuridão. O roteiro, também assinado pelo diretor, constrói a narrativa como um cyberpunk – um cyberpunk da vida real, o que é mais assustador e confere um tom apocalíptico ao filme.
Apesar da quantidade de nomes – de vírus, equipamentos, hackers, políticos etc –, o documentário é bastante compreensível a qualquer leigo pela forma simples como a narrativa é estruturada. O ponto de partida é uma espécie de vírus, apelidado de Stuxnet, que atacou uma instalação nuclear iraniana, em Natanz. Se tudo tivesse dado certo – o malware estava programado para sabotar as centrífugas de urânio –, ninguém teria se dado conta de sua existência, tamanha sua sofisticação. Mas, quando começou a atacar computadores do mundo todo, chamou a atenção de um especialista bielorusso e apareceu na capa do
The New York Times.
Stuxnet, no entanto, tinha outro nome, o nome oficial de seus criadores: Jogos Olímpicos. Evidentemente, nenhum entrevistado pode falar abertamente sobre isso – toda a operação é cercada de acordos de confidencialidade. Ainda assim, Gibney encontra subterfúgios para dissecar a história contando com a participação do repórter David Sanger, do
NY Times, que se tornou uma autoridade no assunto. Inclusive, um dia antes de première do filme no Festival de Berlim, em fevereiro passado, ele divulgou que esse malware faz parte de um plano bem maior que pretendia destruir toda a infraestrutura do Irã.
Depois de explorar com profundidade e clareza todo o caso, Gibney começa a o historicizar, retomando a trajetória das armas nucleares desde a Segunda Guerra, até chegar aos anos de 1980, com acordos entre EUA e URSS. O que irá, no fim das contas, chegar até a questão dos segredos de Estado, envolvendo privacidade na rede e geopolítica dos governos de George W. Bush e Barack Obama. Outra figura presente no documentário é a atual candidata Hilary Clinton, alegando que os EUA não tinham nada a ver com Stuxnet. E o filme fornece evidências bastante convincentes do contrário.
Criando um visual requintado, capaz de ilustrar e ajudar na compreensão de uma questão tão complexa, Gibney faz um filme potente e assustador sobre o estado do mundo com fronteiras (reais e cibernéticas) cada vez mais tênues, na qual ataques e guerras podem estar acontecendo sem que percebamos. O grande problema é que todos irão pagar a conta. Nesse sentido, o diretor fez um filme urgente e necessário – e um forte concorrente ao Oscar na sua categoria. (Alysson Oliveira)
CINE CAIXA BELAS ARTES
Sl 1 Vila Lobos - 2/11/16 - 14:00
O Rei Dave
é um exercício de paciência que pode ser recompensador para alguns, mas não para todos – isso é certo. Estruturado num falso plano-sequência de 100 minutos, o longa tem como protagonista o personagem-título, interpretado por Alexandre Goyette (de
Mommy), também autor do roteiro. É uma exposição de ego dele, que aparece o tempo todo e não para de falar por um segundo.
- 02/11 - 22:10
Cinema Novo, de Eryk Rocha, concretiza um diálogo de gerações e um olhar profundo sobre o passado do cinema e da inquietação política no Brasil.
O longa é apresentado em conjunto com o curta
Improvável encontro, de Lauro Escorel, que resgata a parceria e amizade entre José Medeiros e Thomaz Farkas.
O tema da paternidade, literal e figurado, percorre, aliás, a belíssima profusão de imagens do longa, valorizadas pela montagem qualificada de Renato Vallone. Vallone e Eryk buscaram um sentido na organização de 500 horas de material, incluindo os filmes dessa geração iluminada de cineastas e materiais de arquivo diversos, nacionais e internacionais, alguns deles inéditos, como alguns pertencentes ao INA francês. Foram consumidos 9 meses na montagem e outros três na edição de som, num projeto iniciado 9 anos atrás. (Neusa Barbosa)
début
em longas de ficção, Anna Rose Holmer faz um filme único, capaz de provocar vários sentimentos no público, especialmente nas espectadoras, difíceis de serem verbalizados depois da sessão.
The Fits
é exclusivo na quieta Toni (Royalty Hightower, precisa em seu naturalismo), em sua rotina em um centro comunitário do subúrbio de Cincinnati, mas traz significados amplos em questões geracionais e de gênero. No lugar, há treinos de boxe, que ela pratica com o irmão (Da'Sean Minor), e aulas de dança do grupo Leonas, com que a menina se encanta e passa a praticar, junto com a também novata Beezy (Alexis Neblett) – ótima, seja a atriz mirim ou a personagem, servindo de leve alívio cômico na tensão. Com a protagonista passeando entre as duas turmas, fica claro como as representações do “masculino” e “feminino” atuam neste momento de formação da garota.
Sl 1 Vila Lobos
2/11 - 16:10
Heartstone. Gudmundur Arnar Gudmundsson, já em seu primeiro longa, ganhou o Queer Lion, prêmio oferecido a filmes de temática LGBT, no Festival de Veneza deste ano.
2/11/16 - 15:40
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2/11/16
2/11 - 15:40
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