15/09/2026

Cubano "Últimos Dias em Havana" encerra competição no Cine Ceará


Fortaleza – Na última noite competitiva do Cine Ceará, novamente se impôs a força do cinema cubano, com a exibição do drama Últimos Dias de Havana, do veterano Fernando Pérez (de Suite Habana e La vida es silbar). Num contexto e época diferentes do concorrente do mesmo país exibido há dias, Santa y Andrés, de Carlos Lechuga, o tema é também o impasse vivido por uma Cuba em vias de transformação social e política, captado numa chave intimista – através da história dos parceiros Miguel (Patricio Wood) e Diego (Jorge Martínez).
Nesta noite de sexta (11), ocorrerá a cerimônia de encerramento do festival, com a entrega das premiações.
Em Últimos Dias em Havana, Diego, doente de AIDS, é cuidado por Miguel, que trabalha como lavador de pratos num restaurante. O sonho de Miguel é emigrar para os EUA e ele vive à espera de um visto que nunca chega. Ele é introspectivo, num contraste total com Diego que, apesar de não sair da cama, injeta sua energia e imaginação numa verbosidade quase incessante. Ambos vivem confinados pelo limite da morte iminente de Diego.


Em torno desse núcleo, somam-se diversos personagens coadjuvantes, como os parentes de Diego – ávidos por herdar seu apartamento (o que é também uma razão para que Diego estimule a partida de Miguel) -, um garoto de programa, as vizinhas de diversas idades. A câmera sempre capta imagens de uma Cuba desvalida, com imóveis desgastados e precariedade de abastecimento de água e luz, com habitantes lutando para levar adiante um cotidiano altamente problemático.
As falas de Diego identificam exatamente a chave do humor do filme, que é irônico e amargo, mas não desprovido de amor por essa Cuba maltratada, contraditória, mas cheia de uma humanidade efervescente, que evoca a solidariedade do espectador, especialmente dos brasileiros, tão parecidos com os cubanos em tantas coisas. Basta olhar para os rostos que a câmera, documentalmente, capta pelas ruas dessa Havana tão visceral.

Curtas
A seleção dos curtas começou com o cearense A balada do sr. Watson, de Firmino Holanda, recuperando, através da história do avô inglês do cineasta, marcas da influência inglesa no Nordeste brasileiro. Exibido no É Tudo Verdade, em abril, Festejo muito pessoal, de Carlos Adriano (SP), homenageia o crítico Paulo Emílio Salles Gomes, incorporando uma raríssima imagem dele em movimento, além de trechos de filmes citados por Gomes num artigo de 1977, do qual o curta empresta o título. Finalmente, Simbiose, de Julia Morim (PE), traça o perfil de uma veterana parceira tradicional, Maria dos Prazeres de Souza.