Cine Ceará assiste "Greta" e aguarda as premiações
- Por Neusa Barbosa, de Fortaleza
- 06/09/2019
- Tempo de leitura 3 minutos
Fortaleza - Exibidos os últimos concorrentes, culminando com o aguardado longa Greta, de Armando Praça (CE), o Cine Ceará vive a expectativa das premiações, que serão anunciadas nesta noite de sexta (6), seguidas por uma exibição especial de Pacarrete, de Allan Deberton, vencedor de 8 Kikitos em Gramado.
Tendo atrás de si a passagem pela mostra Panorama do Festival de Berlim e festivais como Guadalajara, Taipei e outros, Greta trouxe imediatamente a perspectiva de uma premiação como melhor ator para Marco Nanini, que entrega uma interpretação visceral do enfermeiro Pedro, homem idoso e solitário.
A partir do dilema de ter que encontrar rapidamente um leito no hospital para sua única amiga, a transexual Daniela (Denise Weinberg, na foto com Marco Nanini), Pedro joga-se num grande risco - ele liberta um criminoso ferido (Demick Lopes), que está algemado na cama, e o esconde em sua casa.
O roteiro, também de Armando Praça - diretor estreante neste longa -, inspira-se na peça Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá, de Fernando Melo, despindo a história do traço cômico original. Trata-se de um grande melodrama em torno destes três personagens, movendo-se num universo sórdido, mas permeado por lampejos de afeto e fantasia - como a própria menção à atriz sueca Greta Garbo deixa transpirar.
De todo modo, Greta somou-se aos longas desta 29a. edição do festival ibero-americano o como um dos fortes concorrentes, não só à premiação de atores, como mesmo à de melhor filme - em que seus grandes concorrentes sendo o impactante peruano Canção sem Nome, de Melina León - para o qual poderiam confluir um prêmio de melhor atriz para Pamela Mendoza e de fotografia para Inti Briones - ou mesmo para Notícias do Fim do Mundo, do veterano Rosemberg Cariry, que realizou aqui seu filme mais livre e pop, com um elenco liderado por um Everaldo Pontes, como de hábito, iluminado.
Entre as melhores atrizes, não há de se esquecer a cubana Maria Isabel Díaz, que estrela a comédia social-fantástica A Viagem Extraordinária de Celeste García. A montagem do documentário Ressaca, de Patrizia Landi e Vincent Rimbaux, e o roteiro do greco-mexico-dominicano Luciérnagas, de Bani Khoshnoudi, poderiam ser apostas viáveis.
Curtas
Na última noite da competição, quatro curtas colocaram em foco o trabalho dos coletivos audiovisuais, questões sociais candentes do Brasil, experimentações estéticas e apelo ao filme de gênero, mistura que norteou a seleção deste formato este ano.
Fruto do trabalho de um núcleo audiovisual na luta pela moradia na cidade de São Paulo, Rua Augusta 1029, de Mirrah Iañez, focalizou por dentro o drama de centenas de famílias que ocupam um prédio abandonado, diante da ameaça da polícia de desalojá-los à força a qualquer momento.
O grande amor de um lobo, de Andrianderson Barbosa e Kennel Rógis (RN), materializa o trabalho de oficinas audiovisuais realizadas em S. Miguel do Gostoso (RN), encenando a história fantástica de um rapaz transformado em lobo imaginada pelo jovem Andrianderson - com toques de autoficção e metalinguagem.
Ilhas de Calor, de Ulisses Arthur (AL), é outro trabalho coletivo, realizado numa escola pública de Viçosa (AL), em que os alunos criam dinâmicas em torno de seu cotidiano.
Encerrando a competição de curtas, o terror Pop Virtual, de Mozart Freire (CE), encenou com segurança a história de um padre que aprisiona um vampiro, submetendo-o a experiências, insinuando-se também um clima erótico.
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