Iraniano banido ganha o Urso de Ouro com “There is No Evil”
- Por Mariane Morisawa, especial de Berlim
- 29/02/2020
- Tempo de leitura 3 minutos
O último filme exibido na competição do 70º Festival de Berlim foi o vencedor do Urso de Ouro: There is No Evil, de Mohammad Rasoulof, que está proibido de deixar o Irã e de filmar e espera para cumprir pena. “Obviamente que estou feliz e triste ao mesmo tempo, porque o cineasta não pôde estar aqui”, disse a atriz Baran Rasoulof. O produtor Farzad Pak pediu então que membros do elenco e da equipe, sentados na plateia, se levantassem. “Eles arriscaram a vida para este filme existir”, disse Pak, enquanto vários dos atores não escondiam as lágrimas nos olhos. Outro produtor, Kaveh Farnam, disse que havia um simbolismo especial em receber o Urso de Ouro em Berlim. “Ninguém deveria ir para a prisão por razões políticas ou artísticas. E não há muro que possa parar as nossas mentes. Só as mentes dos ditadores ficam menores por causa dos muros. Rasoulof, você não está sozinho. Queria dizer que meu povo manda uma mensagem de amor e beleza para a humanidade. Amamos todas as pessoas e povos”.
O Grande Prêmio do Júri foi para o americano Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Rittman, que fala de duas amigas obrigadas a cruzar a fronteira do Estado para fazer um aborto. O sul-coreano Hong Sangsoo levou o Urso de Prata de direção sobre The Woman Who Left. O prêmio foi entregue pelo brasileiro Kleber Mendonça Filho (foto ao lado). O filme de Hong Sangsoo tem distribuição garantida no Brasil pela Pandora.
O italiano Elio Germano ganhou o Urso de Prata de ator por sua interpretação do artista Antonio Ligabue, que tinha problemas mentais e foi um dos maiores pintores do pós-guerra, em Volevo Nascondermi. A alemã Paula Beer foi eleita a melhor atriz por Undine, de Christian Petzold.
O júri considerou o italiano Favolacce, de Fabio e Damiano D’Innocenzo, o melhor roteiro. O polêmico DAU. Natasha, que dividiu o júri segundo o presidente Jeremy Irons, levou o troféu de contribuição artística por sua fotografia, para Jürgen Jürges. O Urso de Prata do 70º Festival de Berlim foi para o francês Delete History, de Benoît Delépine e Gustave Kervern. O brasileiro Todos os Mortos, que estava na competição, saiu sem troféu.
O Festival de Berlim instituiu este ano uma nova seção, chamada Encontros, para filmes com linguagem mais ousada. The Works and Days (of Tayoko Shiojiri e the Shiotani Basin), de C.W. Winter e Anders Edsröm, foi o vencedor, com prêmio especial para The Trouble with Being Born, de Sandra Wollner. O melhor diretor foi Cristi Puiu, por Malmkrog, e houve menção especial para Isabella, de Matías Piñeiro.
Los Conductos, co-produção entre Colômbia, França e Brasil dirigida por Camilo Restrepo, foi escolhido o melhor filme de estreia. Naked Animals, de Melanie Waelde, levou menção especial.
O prêmio de documentário foi para Irradiated, de Rithy Panh, com menção especial para Notes from the Underworld, de Tizza Covi e Rainer Frimmel.
T, de Keisha Rae Witherspoon, ganhou o Urso de Ouro de curta. O prêmio do júri foi para Filipiñana, de Rafael Manuel.
Dentre os brasileiros, Meu Nome é Bagdá, de Caru Alves de Souza, levou o Grande Prêmio do júri internacional da mostra Geração 14 Plus.
