04/06/2026

Sara Silveira faz defesa veemente do cinema brasileiro no Festival de Berlim

Produtora do longa brasileiro Todos os Mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, em competição no Festival de Berlim, Sara Silveira fez, durante a coletiva de imprensa do filme neste domingo (23), uma veemente defesa do cinema brasileiro, denunciando os ataques do “governo de extrema-direita” de Jair Bolsonaro contra a cultura, a educação e o audiovisual.

Sara destacou que há algum tempo já trabalha junto com os diretores e a montadora, Juliana Rojas, “tentando encontrar um lugar social para nós e toda a comunidade brasileira, hoje com dificuldades enormes, com um governo de extrema-direita, que ataca nossa cultura, nossa educação, o nosso audiovisual”.

E prosseguiu: “Este filme é muito importante. É um trabalho social, educacional, de criatividade… com 700 pessoas trabalhando, entre (empregos) diretos e indiretos. Até o ano passado, cerca de 500.000 pessoas trabalhavam no setor audiovisual. E nós somos totalmente tolhidos, totalmente freados por um governo que não entende, talvez porque lhe falte inteligência, para prosseguir. Já que são tão neoliberais, por que não entendem que nós proporcionamos empregos, que nós proporcionamos ideias, diversidades e sobretudo resistência?”.

Sara finalizou sua fala dizendo: “Enquanto eu existir como mulher - tenho 69 anos de idade -, eles vão ter que ouvir e ver meus filmes, porque eu estarei lutando sempre e mostrando para eles. É difícil nos calar, com a força que a gente tem. E eu vou dizer uma coisa para o Brasil e para o mundo: eu não preciso de armas, eu preciso de força, eu preciso de amor, eu preciso de coragem, de momentos heroicos para suportar o que nós estamos vivendo. Mas aguardem, nós vamos resistir, nós vamos vencer. Nós, todas as raças, todos os gêneros, que estamos juntos, nós, os artistas, estamos juntos, gritando por liberdade, democracia, contra a censura - e resistência!. E ergueu o punho, sendo aplaudida na sala, inclusive por jornalistas estrangeiros.