É Tudo Verdade anuncia premiação e promove reprises
- Por Alysson Oliveira e Neusa Barbosa
- 22/04/2023
- Tempo de leitura 9 minutos
O 28º É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários anuncia na noite deste sábado (22/4) suas premiações. Será às 19h, na Cinemateca Brasileira, seguida da exibição do filme Proibido para Cães e Italianos, de Alain Ughetto.
Os prêmios classificatórios concedidos pelos Júris Oficiais são reconhecidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográfica de Los Angeles, o que torna os vencedores elegíveis para consideração nas categorias de Documentário de Longa e de Curta-Metragem do Oscar® sem necessidade do período padrão de projeção, desde que o filme atenda ao regulamento da Academia.
Os prêmios são os seguintes:
Melhor Documentário da Competição Brasileira: Longas ou Médias-Metragens
R$ 20.000 e Troféu
É Tudo Verdade
Melhor Documentário da Competição Internacional: Longas ou Médias-Metragens
R$ 12.000 e Troféu
É Tudo Verdade
Melhor Documentário da Competição Brasileira: Curtas-Metragens
É Tudo Verdade
Melhor Documentário da Competição Brasileira: Curtas-Metragens
R$ 6.000 e
Troféu É Tudo Verdade
Troféu É Tudo Verdade
Melhor Documentário da Competição Internacional: Curtas-Metragens
R$ 6.000 e Troféu
É Tudo Verdade
É Tudo Verdade
Júris
O júri da Competição Brasileira deste ano é formado pela diretora, atriz e produtora
Ana Petta, que codirigiu, com sua irmã Helena Petta, com Helena Petta, Quando Falta o Ar (Prêmio de Melhor Documentário Brasileiro do Festival É Tudo Verdade 2022); pelo jornalista, tradutor e crítico de cinema
José Geraldo Couto, editor do blog de cinema do Instituto Moreira Salles,
e pelo cineasta
Paulo Henrique Fontenelle (diretor dos filmes Loki ? Arnaldo Baptista (2009) e Cássia Eller (2015).
Ana Petta, que codirigiu, com sua irmã Helena Petta, com Helena Petta, Quando Falta o Ar (Prêmio de Melhor Documentário Brasileiro do Festival É Tudo Verdade 2022); pelo jornalista, tradutor e crítico de cinema
José Geraldo Couto, editor do blog de cinema do Instituto Moreira Salles,
e pelo cineasta
Paulo Henrique Fontenelle (diretor dos filmes Loki ? Arnaldo Baptista (2009) e Cássia Eller (2015).
Para avaliar a Competição Internacional, o júri deste ano é composto pela premiada documentarista dinamarquesa
Camilla Nielsson (diretora de President, indicado ao Oscar 2021 e premiado no É Tudo Verdade); pelo diretor, fotógrafo e produtor polonês
Pawel Lozinski (diretor de The Balcony Movie, premiado no É Tudo Verdade 2022)
e pela premiada cineasta argentina
Virna Molina (diretora de Retratos del Futuro e La Bruja de Hitler, codirigido por Ernesto Ardito).
Camilla Nielsson (diretora de President, indicado ao Oscar 2021 e premiado no É Tudo Verdade); pelo diretor, fotógrafo e produtor polonês
Pawel Lozinski (diretor de The Balcony Movie, premiado no É Tudo Verdade 2022)
e pela premiada cineasta argentina
Virna Molina (diretora de Retratos del Futuro e La Bruja de Hitler, codirigido por Ernesto Ardito).
Reprises
Até domingo (23/4), prossegue a programação do festival, na Cinemateca Brasileira e Instituto Moreira Salles, além de programação digital nas plataformas Itaú Cultural Play e Sesc Digital. Confira os detalhes no site do festival: www.etudoverdade.com.br
Atrações do sábado (22/4)
Entre os filmes que serão reapresentados hoje, estão:
O ESTADO DAS COISAS
The Natural History of Destruction
Exibido em Sessão Especial, fora de competição, no Festival de Cannes 2022, o documentário do premiado cineasta ucraniano Sergei Loznitsa não se se refere diretamente à guerra que abala seu país há mais de um ano, mas certamente comenta nas entrelinhas o contexto geral do espírito bélico em todos os tempos.
Sem narração ou entrevistas, valendo-se apenas de materiais de arquivo, como fez várias vezes em sua carreira, Loznitsa retrata os intensos bombardeios da II Guerra Mundial, expondo os efeitos devastadores das bombas alemãs lançadas de aviões sobre a França e Inglaterra e também a destruição produzida pelos aviões dos Aliados sobre cidades alemãs - como Lubeck, Rostock e Colônia, que foram praticamente varridas do mapa.
A ideia, certamente, não é tomar partido por nenhum dos lados e sim mostrar o processo de aniquilamento por trás de toda e qualquer guerra - inclusive com foco em suas terríveis consequências, retratando-se os cadáveres alinhados ao longo das estradas, a retirada dos refugiados e o sofrimento infligido à população civil.
Embora Loznitsa já estivesse fazendo este documentário quando a guerra na Ucrânia começou, trata-se evidentemente de uma tomada de posição sobre o pesadelo que está acontecendo lá, aqui e agora. Por isso, seu filme ressoa tão forte e urgente.
(Neusa Barbosa)
(Neusa Barbosa)
Última sessão:
Cinemateca Brasileira – sala Grande Otelo (SP) – 22/4/2023 às 14h
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
O Caso Padilla
Em março de 1971, o poeta cubano Heberto Padilla foi preso pelo governo de Fidel Castro, devido às suas veementes críticas ao regime. Sua prisão provoca protestos dentro e fora do país, mobilizando escritores como Julio Cortázar, Mário Vargas Llosa, Carlos Fuentes, Jean-Paul Sartre e Gabriel García Márquez em manifestos mundo afora pela soltura do colega.
Libertado, Padilla protagoniza um famoso episódio no Sindicato dos Escritores Cubanos, onde realizou uma longa e alentada autocrítica – cujas imagens vêm a público pela primeira vez neste documentário, dirigido pelo cubano radicado em Madri Pavel Giroud.
As imagens falam por si para retratar o espírito daqueles dias. Um Padilla visivelmente emocionado empenha-se numa fala que, na versão integral, passou das duas horas, auto-acusando-se de “contrarrevolucionário”, assim como aos seus escritos, renegando livros como o premiado
Fuera de Jogo
e agradecendo seus “companheiros das forças de segurança” por tê-lo “ajudado” nesta mudança de postura. E também expõe sua própria mulher, Belkis Cuza Malé, e outros colegas presentes ao sindicato na mesma toada auto-acusadora. Alguns deles, inclusive, fazem suas próprias declarações ao seu lado, caso de César López, Norberto Fuentes, Pablo Armando e Manuel Díaz Fernández. Norberto, no entanto, volta ao microfone no final do evento, fazendo reparos à autocrítica geral: “Não tenho atitudes contrarrevolucionárias. E não fui bem-tratado”.
Fuera de Jogo
e agradecendo seus “companheiros das forças de segurança” por tê-lo “ajudado” nesta mudança de postura. E também expõe sua própria mulher, Belkis Cuza Malé, e outros colegas presentes ao sindicato na mesma toada auto-acusadora. Alguns deles, inclusive, fazem suas próprias declarações ao seu lado, caso de César López, Norberto Fuentes, Pablo Armando e Manuel Díaz Fernández. Norberto, no entanto, volta ao microfone no final do evento, fazendo reparos à autocrítica geral: “Não tenho atitudes contrarrevolucionárias. E não fui bem-tratado”.
Analisando o contexto histórico, o filme coloca em foco a questão da liberdade de expressão, naquele momento contaminada por estas autocríticas de cunho estalinista – que também ocorriam na URSS, assim como prisões de escritores. É este, finalmente, seu objeto, lembrando que o tema continua candente dentro de Cuba – ainda que não lhe escape como Padilla, que finalmente foi viver no exílio nos EUA, foi usado como troféu pelas autoridades norte-americanas, como o presidente Ronald Reagan. O próprio Padilla, no entanto, mostrava-se mais cético e cansado de disputas ideológicas. Numa entrevista na França, em 1983, ele dizia ressentir-se tanto da esquerda como da direita.
(Neusa Barbosa)
(Neusa Barbosa)
Última sessão:
IMS Paulista (SP) – 22/4/2023 às 17h
HOMENAGEM A GODARD
História(s) do Cinema
Qualquer pessoa minimamente familiarizada com os filmes de Jean-Luc Godard não vai se aproximar de sua série
História(s) do Cinema
esperando algo didático e cronológico. Conhecido por romper com o cânone, não ia ser numa obra documental que o cineasta baixaria a guarda. A quem se dispuser a entregar-se a esse documentário monumental, o resultado é extremamente recompensante.
História(s) do Cinema
esperando algo didático e cronológico. Conhecido por romper com o cânone, não ia ser numa obra documental que o cineasta baixaria a guarda. A quem se dispuser a entregar-se a esse documentário monumental, o resultado é extremamente recompensante.
Colagem de imagens construída ao longo de quase uma década, a série é composta de oito episódios cujas durações variam entre pouco menos de uma hora e 26 minutos, resgatando de forma temática momentos da história do cinema por um viés e olhar pessoal do diretor, homenageado pelo É Tudo Verdade neste ano.
Numa leitura muito pós-moderna, Godard retira a historicização do cinema e busca um fluxo de conexões entre eras e lugares distantes que reverberam entre si. A rica pesquisa de imagens é impressionante na montagem fragmentada, que coloca o público de forma ativa, a ponto de formar as ligações nem sempre claras. Ao fundo, a voz do próprio diretor num texto mais poético do que informativo.
Os sons, aliás, são outro desafio aqui. Nem sempre as imagens dos filmes casam com o que se ouve. Frases aleatórias em vozes inesperadas são jogadas em momentos ao acaso: “O cinema substitui nosso olhar”; “Além disso, o cinema é uma indústria”; “Para que fazer simples, se é possível complicar?” - essa em especial parece ligar-se a todo o cinema de Godard.
Cada episódio é dedicado a pessoas do cinema, passando por figuras como Glauber Rocha, John Cassavetes, Santiago Alvarez, Nicole Ladmiral e até o próprio Godard. O ego aqui não é pouco, mas é possível fazer vistas grossas a esses momentos, dada a riqueza da série que, mais do que construir, desconstrói a história do cinema. Há, infelizmente, uma centralidade europeia – em especial francesa – e estadunidense, deixando quase que de lado América Latina, África e Ásia, embora apareçam em algum momento.
O episódio mais bonito é dedicado à Nouvelle Vague, da qual o próprio Godard fez parte. Partindo de sua própria posição, ele resgata sua relação com a Cinemateca Francesa, mas também com seu colega François Truffaut, que acaba se tornando objeto de uma inesperada homenagem carinhosa.
Esse vasto panorama, que nos bombardeia de imagens, sons e textos, é exigente – requer mais de uma revisão para se compreender e captar boa parte –, mas também é um salto sem rede de proteção, repleto de riscos e adrenalina que mostra o olhar sobre o cinema de um homem claramente apaixonado por essa arte e seu ofício. E, como com tantos outros seus filmes, aqui Godard nos lega um obra-prima. (Alysson Oliveira)
Últimas sessões:
HISTÓRIA(S) DO CINEMA - BELEZA FATAL/A MOEDA ABSOLUTA/UMA NOVA ONDA
Cinemateca Brasileira - Sala Oscarito (SP) - 22/04/2023 às 15h00
HISTÓRIA(S) DO CINEMA - O CONTROLE DO UNIVERSO/OS SIGNOS ENTRE NÓS
Cinemateca Brasileira - Sala Oscarito (RJ) - 22/04/2023 às 18h00
Serviço
A
28ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
conta com patrocínio do ITAÚ e da SABESP, parceria do SESC-SP, apoio cultural do GALO DA MANHÃ, SPCINE e ITAÚ CULTURAL e apoio da RIOFILME. Realização: Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e Ministério da Cultura do Governo Federal.
28ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
conta com patrocínio do ITAÚ e da SABESP, parceria do SESC-SP, apoio cultural do GALO DA MANHÃ, SPCINE e ITAÚ CULTURAL e apoio da RIOFILME. Realização: Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e Ministério da Cultura do Governo Federal.
É TUDO VERDADE 2023
28º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIOS
twitter/etudoverdade
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