25/08/2026
Drama Comédia

O Sol de Cada Manhã

David Spritz (Nicolas Cage) apresenta a previsão do tempo na TV e leva uma vida medíocre. Quando descobre que seu pai (Michael Caine) tem pouco tempo de vida, entra em crise, e resolve consertar sua própria existência, reconquistando sua mulher (Hope Davis) e seus filhos.

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“A coisa mais difícil de fazer, e a coisa certa geralmente são a mesma coisa”, explica o premiado escritor Robert Spritz (Michael Caine) a seu filho, o repórter do tempo David Spritz (Nicolas Cage). Mas esse conselho, na verdade, cairia muito bem se fosse dado ao diretor Gore Verbinski e ao roteirista Steve Conrad, responsáveis por O Sol de Cada Manhã. Faltou um pouco de coragem a eles para ir realmente a fundo na ferida que eles gostariam de tocar: a crise da meia idade do homem norte-americano contemporâneo.

Sam Mendes, com Beleza Americana, e Alexander Payne, com As Confissões de Schmidt, tiveram essa coragem de não se esquivar quando o assunto era sério. Mas Verbinski parece pouco acostumado, ou confortável, com o mundo adulto, e só finge ir no coração do problema, quando na verdade está percorrendo todas as arestas, sem ter a coragem para entrar naquilo que interessa.

David é aquele que todos conhecem como o ‘homem do tempo’. Ele apresenta a previsão meteorológica num telejornal local em Chicago – só apresenta, não a faz, afinal não é um meteorologista. Sua vida está fechada em seu trabalho, por isso ele somente protela os seus problemas, como o relacionamento difícil com o pai e a ex-esposa, a falta de perspectivas ou a forma com que os filhos fingem que gostam dele. Nem o público liga muito para ele - sempre que sai à rua, é atingido com algum copo de milkshake ou uma coxa de galinha.

Mas ele terá de repensar a sua vida quando seu pai descobre que está doente e lhe resta pouco tempo de vida – a desculpa preferida dos roteiristas norte-americanos. David percebe que está tudo errado em sua vida e busca consertar os erros que acumulou, como tentar voltar para a ex-esposa (Hope Davis), estreitar os laços com os filhos e arrumar um emprego melhor.

Cage percorre o calvário de David com o piloto automático ligado, tendo a mesma interpretação de autômato dos últimos anos. A diferença é que aqui esse tipo de atitude é totalmente permitida, refletindo a posição do personagem de ‘empurrar a vida com a barriga’, esperando que os problemas se resolvam por si sós. Mas ele chegou a uma idade em que, espera-se, as pessoas descobrem que isso não acontece.

Verbinski e Conrad, porém, nunca vão a fundo naquilo que propõem. Para mostrar que David é um pai tão negligente, um dos seus filhos se envolve com a pessoa errada e acaba sendo molestado. Ao menos é isso que eles esperam que a platéia acredite. Não existe uma cena em que mostre isso acontecendo, tamanho é o pudor da direção. Não seria necessário expor o fato explicitamente, mas aprofundar um pouco mais o problema viria a calhar.

Por outro lado, há Caine e Hope, que parecem se auto-dirigir em performances excepcionais – o que não é surpreendente em se tratando deles. No papel do aclamado pai, o ator britânico domina as atenções em suas cenas, com sua atitude blasé, que acaba com seu filho facilmente. Uma das melhores cenas é quando o pai diz ao filho que o médico lhe deu poucos meses de vida. David pergunta quantos, se são mais de 12. “Se fossem mais de 12 ele teria dito que eu teria mais de um ano, não meses”, diz, sem alterar a voz e destruindo emocionalmente o filho.

Tal qual as recorrentes imagens de água congelada de um lago ou nas ruas ao longo de O Sol de Cada Manhã, o diretor não consegue quebrar o gelo e ir a fundo nos temas que tenta abordar. Embora sejam interessantes e importantes, nunca recebem o devido tratamento, até porque fazer a coisa certa, geralmente, significa fazer a coisa mais difícil e isso implica em alguns riscos que os filmes hollywoodianos não estão acostumados a correr.

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