Curta-metragista premiada por títulos como A Mão que Afaga, Gabriela Amaral Almeida estreia com segurança no formato longa, compondo um eletrizante huis clos de terror psicológico.
Dentro do ambiente de um restaurante fino que sofre um assalto, começa a desdobrar-se um alucinante jogo de poder e de morte, a partir da reação inusitada do proprietário (Murilo Benício). Ali dentro, empregados como o cozinheiro (Irandhir Santos), a garçonete (Luciana Paes), clientes (Ernani Moraes, Jiddu Pinheiro e Camila Morgado) e ladrões (Humberto Carrão e Ariclenes Barros) ficam confinados, submetidos à tensão de acontecimentos que não conseguem controlar. Isto provoca comportamentos cada vez mais bizarros – mas que seguem a lógica de uma sociedade que costuma expressar suas regras de dominação das maneiras mais duras, sempre que as oportunidades se apresentam.
Não é filme para embalar o sono dos justos nem para atender a suscetibilidades intensas, já que são inúmeras as cenas de sangue. E a cineasta mostra que veio ocupar um espaço numa nova geração de diretoras que explora gêneros que não eram até aqui considerados coisa de mocinha. Gabriela Amaral Almeida mostra sua disposição a fazer companhia a diretoras como Juliana Rojas (As Boas Maneiras, codireção com o parceiro habitual Marco Dutra).
